{"id":8596,"date":"2025-06-18T21:24:41","date_gmt":"2025-06-18T21:24:41","guid":{"rendered":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=8596"},"modified":"2025-06-18T21:24:43","modified_gmt":"2025-06-18T21:24:43","slug":"retificacao-de-registro-de-filho-apos-exame-negativo-de-dna-depende-da-inexistencia-de-vinculo-socioafetivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=8596","title":{"rendered":"Retifica\u00e7\u00e3o de registro de filho ap\u00f3s exame negativo de DNA depende da inexist\u00eancia de v\u00ednculo socioafetivo"},"content":{"rendered":"\n<p>Por maioria de votos, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) negou&nbsp;provimento&nbsp;ao&nbsp;recurso especial&nbsp;de um homem que, ap\u00f3s realizar exame de DNA e descobrir que n\u00e3o era o pai biol\u00f3gico de um adolescente, solicitou a retirada de seu nome do registro civil do filho.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o colegiado, apesar de os autos apontarem para a ocorr\u00eancia de v\u00edcio de consentimento \u2013 pois o homem registrou a paternidade por acreditar haver v\u00ednculo biol\u00f3gico entre ele e a crian\u00e7a \u2013, o colegiado considerou invi\u00e1vel a retifica\u00e7\u00e3o do documento para exclus\u00e3o da paternidade por existir prova de v\u00ednculo socioafetivo entre ambos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A diverg\u00eancia entre a paternidade biol\u00f3gica e a declarada no registro de nascimento n\u00e3o \u00e9 apta, por si s\u00f3, para anular o registro&#8221;, destacou a relatora do caso, ministra Nancy Andrighi.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o processo, antes do exame de DNA, pai e filho mantinham uma rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, incluindo viagens, pagamento de despesas e boa conviv\u00eancia com os demais parentes. Depois do resultado do exame, o homem &#8220;devolveu&#8221; o adolescente a sua av\u00f3 materna e pediu judicialmente a retifica\u00e7\u00e3o do registro do filho.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao julgarem improcedentes a a\u00e7\u00e3o negat\u00f3ria de paternidade e o pedido de altera\u00e7\u00e3o do registro, as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias mantiveram o reconhecimento da filia\u00e7\u00e3o socioafetiva entre as partes. O Tribunal de Justi\u00e7a de Goi\u00e1s apontou, entre outros pontos, a necessidade de se conservar a rela\u00e7\u00e3o de afeto constru\u00edda previamente, ainda que os dois tenham se distanciado ap\u00f3s descobrirem que n\u00e3o tinham v\u00ednculo biol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Em&nbsp;recurso especial, o homem argumentou que a rela\u00e7\u00e3o socioafetiva deixou de existir quando a verdade sobre a paternidade veio \u00e0 tona, tendo se afastado do jovem h\u00e1 cerca de nove anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Requisitos para anula\u00e7\u00e3o do registro de nascimento s\u00e3o cumulativos<\/h2>\n\n\n\n<p>Em seu voto, a ministra Nancy Andrighi mencionou que, nos termos do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1604\">artigo 1.604 do C\u00f3digo Civil (CC)<\/a>, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, como regra, reivindicar altera\u00e7\u00e3o de filia\u00e7\u00e3o constante de registro civil, salvo se houver prova de erro ou de falsidade na declara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A ministra destacou que a jurisprud\u00eancia do STJ consolidou dois requisitos cumulativos necess\u00e1rios para a anula\u00e7\u00e3o de registro de nascimento: a) a exist\u00eancia de prova clara de que o pai foi induzido a erro, ou, ainda, que tenha sido coagido a realizar o registro; e b) a inexist\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o socioafetiva entre pai e filho.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o primeiro requisito, a relatora verificou que o recorrente registrou a crian\u00e7a como filho ao acreditar na palavra da m\u00e3e, a qual disse ser ele o pai. &#8220;Portanto, e conforme reconheceu a corte estadual, o registro foi realizado mediante v\u00edcio de consentimento&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Depoimentos colhidos no processo deixam claro o v\u00ednculo socioafetivo<\/h2>\n\n\n\n<p>Nancy Andrighi explicou tamb\u00e9m que a paternidade socioafetiva \u00e9 reconhecida no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1593\">artigo 1.593 do CC<\/a>, o qual define o parentesco como &#8220;natural ou civil, conforme resulte de consanguinidade ou outra origem&#8221;. A express\u00e3o &#8220;outra origem&#8221; \u2013 detalhou \u2013 n\u00e3o deixa d\u00favidas de que &#8220;os v\u00ednculos afetivos fundados em amor, carinho, aten\u00e7\u00e3o, dedica\u00e7\u00e3o, preocupa\u00e7\u00f5es e responsabilidades entre pais e filhos devem ser protegidos e reconhecidos pelo ordenamento jur\u00eddico brasileiro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso dos autos, a relatora ressaltou que os depoimentos colhidos em audi\u00eancia n\u00e3o deixaram d\u00favidas sobre a exist\u00eancia de v\u00ednculo socioafetivo, que n\u00e3o se apagou completamente mesmo ap\u00f3s o resultado negativo do exame de DNA.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Desse modo, n\u00e3o se verifica a presen\u00e7a cumulativa dos dois requisitos autorizadores \u00e0 anula\u00e7\u00e3o do registro de nascimento, n\u00e3o merecendo reparo o&nbsp;ac\u00f3rd\u00e3o&nbsp;recorrido&#8221;, concluiu a ministra.<\/p>\n\n\n\n<p><em>O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de segredo judicial<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por maioria de votos, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) negou&nbsp;provimento&nbsp;ao&nbsp;recurso especial&nbsp;de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3222,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-8596","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8596","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8596"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8596\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8597,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8596\/revisions\/8597"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3222"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8596"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8596"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8596"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}