{"id":8574,"date":"2025-06-17T12:55:54","date_gmt":"2025-06-17T12:55:54","guid":{"rendered":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=8574"},"modified":"2025-06-17T12:55:55","modified_gmt":"2025-06-17T12:55:55","slug":"arrendatario-com-direito-a-indenizacao-por-benfeitorias-nao-pode-exercer-retencao-apos-despejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=8574","title":{"rendered":"Arrendat\u00e1rio com direito a indeniza\u00e7\u00e3o por benfeitorias n\u00e3o pode exercer reten\u00e7\u00e3o ap\u00f3s despejo"},"content":{"rendered":"\n<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu, por unanimidade, que o arrendat\u00e1rio rural que tem direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por benfeitorias \u00fateis e necess\u00e1rias n\u00e3o pode exercer o direito de reten\u00e7\u00e3o ap\u00f3s ter sido despejado do im\u00f3vel por decis\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte STJ<\/p>\n\n\n\n<p>O entendimento foi firmado no julgamento de um caso em que, ap\u00f3s o fim do contrato de arrendamento rural, os propriet\u00e1rios notificaram a empresa ocupante sobre a retomada do im\u00f3vel. Sem acordo sobre a indeniza\u00e7\u00e3o pelas benfeitorias realizadas, foi ajuizada a\u00e7\u00e3o de despejo, e a empresa arrendat\u00e1ria, em resposta, prop\u00f4s a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria para garantir a posse at\u00e9 o pagamento das melhorias.<\/p>\n\n\n\n<p>Liminar&nbsp;concedida aos propriet\u00e1rios em primeira inst\u00e2ncia determinou a desocupa\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel, medida que foi devidamente cumprida. Anos depois, o ju\u00edzo reconheceu o direito da empresa \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o pelas benfeitorias, mas negou o direito de reten\u00e7\u00e3o, sob o argumento de que a posse j\u00e1 havia sido perdida bastante tempo antes e que eventual reintegra\u00e7\u00e3o causaria tumulto no uso regular da propriedade. O Tribunal de Justi\u00e7a de Mato Grosso (TJMT) confirmou a decis\u00e3o, sustentando que a restitui\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel era irrevers\u00edvel e que existiriam meios menos gravosos para assegurar o cr\u00e9dito da empresa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reten\u00e7\u00e3o \u00e9 uma garantia do pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Ao recorrer ao STJ, a empresa alegou viola\u00e7\u00e3o do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l4504.htm#art95\">artigo 95, inciso VIII, do Estatuto da Terra (Lei 4.504\/1964)<\/a>&nbsp;e do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1219\">artigo 1.219 do C\u00f3digo Civil (CC)<\/a>, defendendo que o reconhecimento do direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o implica, necessariamente, a possibilidade de exerc\u00edcio do direito de reten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A ministra Nancy Andrighi, relatora do caso, destacou que o artigo 1.219 do&nbsp;CC&nbsp;assegura ao possuidor de boa-f\u00e9 o direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o pelas benfeitorias necess\u00e1rias e \u00fateis, al\u00e9m de permitir o levantamento das voluptu\u00e1rias que n\u00e3o lhe forem pagas, desde que possa faz\u00ea-lo sem causar danos.<\/p>\n\n\n\n<p>A ministra ressaltou que o dispositivo tamb\u00e9m confere ao possuidor o direito de reten\u00e7\u00e3o pelo valor das benfeitorias, o que funciona como uma forma de garantia do cumprimento da obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sem a posse, falta o requisito essencial que fundamenta a garantia da reten\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Contudo, a relatora enfatizou que o direito de reten\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e a posse atual do im\u00f3vel, sendo prerrogativa exclusiva do possuidor de boa-f\u00e9. Ao citar os&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1196\">artigos 1.196<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1223\">1.223 do CC<\/a>, Nancy Andrighi esclareceu que, mesmo quando a perda da posse ocorre por decis\u00e3o judicial, h\u00e1 a cessa\u00e7\u00e3o dos poderes inerentes \u00e0 propriedade, o que afasta a possibilidade de exercer o direito de reten\u00e7\u00e3o. Segundo ela, sem a posse, falta o requisito essencial que fundamenta essa garantia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a ministra esclareceu que nem o C\u00f3digo Civil nem o Estatuto da Terra autorizam que o antigo arrendat\u00e1rio, j\u00e1 desalojado do im\u00f3vel, retome a posse para assegurar o pagamento das benfeitorias. Segundo afirmou, a legisla\u00e7\u00e3o condiciona o direito de reten\u00e7\u00e3o \u00e0 continuidade da posse, n\u00e3o prevendo qualquer hip\u00f3tese de reintegra\u00e7\u00e3o como meio de garantir o cr\u00e9dito indenizat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Portanto, o direito de reten\u00e7\u00e3o somente pode ser exercido por quem \u00e9 possuidor de boa-f\u00e9. Aquele que perde a posse, mesmo que contra a sua vontade, deixa de fazer jus a esta garantia legal. Isso, contudo, n\u00e3o obsta o direito do antigo possuidor de ser indenizado pelas benfeitorias necess\u00e1rias e \u00fateis&#8221;, conclui ao negar&nbsp;provimento&nbsp;ao&nbsp;recurso especial.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=309151808&amp;registro_numero=202402505524&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20250425&amp;formato=PDF\">Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 2.156.451<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu, por unanimidade, que o arrendat\u00e1rio&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2282,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[297],"class_list":["post-8574","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias","tag-despejo"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8574","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8574"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8574\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8575,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8574\/revisions\/8575"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2282"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}