{"id":8210,"date":"2023-08-03T11:06:14","date_gmt":"2023-08-03T11:06:14","guid":{"rendered":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=8210"},"modified":"2023-08-03T11:30:26","modified_gmt":"2023-08-03T11:30:26","slug":"para-primeira-turma-nao-incide-imposto-territorial-rural-sobre-imovel-com-registro-cancelado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=8210","title":{"rendered":"Para Primeira Turma, n\u00e3o incide Imposto Territorial Rural sobre im\u00f3vel com registro cancelado"},"content":{"rendered":"\n<p>A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) entendeu que n\u00e3o h\u00e1 incid\u00eancia do Imposto Territorial Rural (ITR) quando uma&nbsp;senten\u00e7a&nbsp;transitada em julgado cancela o registro de propriedade imobili\u00e1ria. Para o colegiado, estando a propriedade baseada em t\u00edtulo reconhecido como nulo, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel cogitar a incid\u00eancia do tributo, pois o fato gerador \u00e9 inexistente.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte | STJ<\/p>\n\n\n\n<p>O entendimento foi definido em caso no qual a&nbsp;senten\u00e7a, j\u00e1 transitada em julgado, declarou a nulidade da escritura de compra e venda de duas propriedades rurais, tendo em vista que as matr\u00edculas eram baseadas em documenta\u00e7\u00e3o inexistente ou falsa. Posteriormente, o autor da a\u00e7\u00e3o de nulidade recebeu a cobran\u00e7a do ITR relativo aos im\u00f3veis, mas alegou, em novo processo, que nunca exerceu dom\u00ednio sobre aquelas terras de maneira efetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta segunda a\u00e7\u00e3o foi julgada improcedente em primeira inst\u00e2ncia, com&nbsp;senten\u00e7a&nbsp;confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 3\u00aa Regi\u00e3o (TRF3). De acordo com o TRF3, o autor chegou a praticar atos t\u00edpicos de propriet\u00e1rio antes da a\u00e7\u00e3o de nulidade, de modo que o cancelamento posterior das matr\u00edculas n\u00e3o afastaria os lan\u00e7amentos tribut\u00e1rios j\u00e1 realizados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ap\u00f3s invalida\u00e7\u00e3o do registro, comprador deixa de ser considerado dono do im\u00f3vel<\/h2>\n\n\n\n<p>O relator no STJ, ministro Benedito Gon\u00e7alves, destacou que, nos termos do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9393.htm#art1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 1\u00ba da Lei 9.393\/1996<\/strong><\/a>, o ITR tem como fato gerador a propriedade, o dom\u00ednio \u00fatil ou a posse de im\u00f3vel localizado fora da zona urbana.<\/p>\n\n\n\n<p>Fazendo refer\u00eancia ao&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art108\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 108 do C\u00f3digo Civil (CC)<\/strong><\/a>, o relator ponderou que a escritura p\u00fablica \u00e9 a ess\u00eancia dos atos de constitui\u00e7\u00e3o, transfer\u00eancia, modifica\u00e7\u00e3o ou ren\u00fancia de direitos reais sobre im\u00f3veis de valor superior a 30 sal\u00e1rios m\u00ednimos. O ministro tamb\u00e9m comentou que, conforme previsto pelo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1245\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 1.245 do CC<\/strong><\/a>, o registro do t\u00edtulo translativo no cart\u00f3rio imobili\u00e1rio \u00e9 a forma de transmiss\u00e3o da propriedade entre pessoas vivas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Enquanto n\u00e3o registrado o t\u00edtulo translativo, o alienante segue como dono do im\u00f3vel; e enquanto n\u00e3o promovida, por a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, a decreta\u00e7\u00e3o de invalidade do registro e o respectivo cancelamento, o adquirente seguir\u00e1 como dono do im\u00f3vel&#8221;, completou o ministro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda citando o artigo 1.245 do&nbsp;CC, Benedito Gon\u00e7alves refor\u00e7ou que, ap\u00f3s a decreta\u00e7\u00e3o da invalidade do registro \u2013 com o respectivo cancelamento \u2013, o comprador n\u00e3o \u00e9 mais considerado como tendo sido dono do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Com&nbsp;senten\u00e7a&nbsp;transitada em julgado, fato gerador do ITR deixou de existir<\/h2>\n\n\n\n<p>No caso dos autos, o ministro considerou que as propriedades estavam amparadas em registros inexistentes, que foram canceladas por meio de&nbsp;senten\u00e7a&nbsp;transitada em julgado. Nesse sentido, para o relator, o fato que justificaria o imposto (a propriedade territorial rural) &#8220;simplesmente n\u00e3o existiu&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao reconhecer a inexist\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica tribut\u00e1ria que autorize a incid\u00eancia do ITR, Benedito Gon\u00e7alves apontou que, diferentemente do que entendeu o TRF3, o fato de os compradores terem oferecido as matr\u00edculas dos im\u00f3veis como garantia hipotec\u00e1ria n\u00e3o afasta a conclus\u00e3o de que, com o cancelamento dos registros por&nbsp;senten\u00e7a, o direito real sobre os bens n\u00e3o ocorreu de maneira concreta.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=195626585&amp;registro_numero=202002200670&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20230626&amp;formato=PDF\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no AREsp 1.750.232<\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) entendeu que n\u00e3o h\u00e1 incid\u00eancia do&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8219,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-8210","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8210"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8210\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8220,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8210\/revisions\/8220"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8219"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}