{"id":7725,"date":"2023-07-04T12:39:49","date_gmt":"2023-07-04T12:39:49","guid":{"rendered":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=7725"},"modified":"2023-07-04T12:39:54","modified_gmt":"2023-07-04T12:39:54","slug":"premios-retidos-por-representante-de-seguros-nao-se-submetem-aos-efeitos-da-recuperacao-judicial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=7725","title":{"rendered":"Pr\u00eamios retidos por representante de seguros n\u00e3o se submetem aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial"},"content":{"rendered":"\n<p>A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu que os valores dos pr\u00eamios arrecadados pela representante de seguros e n\u00e3o repassados \u00e0 seguradora n\u00e3o constituem cr\u00e9ditos sujeitos \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial da primeira, e por isso podem ser cobrados. Com esse entendimento, o colegiado deu\u00a0provimento\u00a0ao recurso de uma seguradora que buscava a anula\u00e7\u00e3o do\u00a0ac\u00f3rd\u00e3o\u00a0que extinguiu sua a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a contra uma empresa vendedora de eletrodom\u00e9sticos, que se encontra em recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte | STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>Na origem do caso, as duas empresas firmaram parceria para a venda aos consumidores de seguro de garantia estendida dos produtos. Atuando como representante de seguros, a varejista n\u00e3o repassou \u00e0 seguradora pr\u00eamios que recebeu dos consumidores antes do deferimento de seu pedido de recupera\u00e7\u00e3o. O ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia considerou que esses valores n\u00e3o se sujeitariam \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o e julgou procedente a a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP), contudo, extinguiu a a\u00e7\u00e3o sem resolu\u00e7\u00e3o de&nbsp;m\u00e9rito, sob o entendimento de que a reten\u00e7\u00e3o da quantia que pertencia \u00e0 seguradora se equipara a qualquer outro tipo de descumprimento de obriga\u00e7\u00e3o, e que o cr\u00e9dito constitu\u00eddo em momento anterior ao pedido de recupera\u00e7\u00e3o deve ser habilitado pela credora.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reten\u00e7\u00e3o de bens fung\u00edveis, de titularidade de terceiro, n\u00e3o gera cr\u00e9ditos para fins da lei falimentar<\/h2>\n\n\n\n<p>A ministra Isabel Gallotti, relatora do caso no STJ, comentou que o contrato firmado entre a companhia seguradora e a representante permitia que o bem fung\u00edvel \u2013 quantia recolhida do consumidor a t\u00edtulo de pr\u00eamio \u2013 ficasse em posse da segunda empresa, at\u00e9 o momento de seu repasse.<\/p>\n\n\n\n<p>A magistrada lembrou que a Segunda Se\u00e7\u00e3o do STJ, ao julgar o&nbsp;<a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=1551134&amp;num_registro=201602011772&amp;data=20170410&amp;formato=PDF\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>CC 147.927<\/strong><\/a>, definiu que o descumprimento da obriga\u00e7\u00e3o de devolver bens fung\u00edveis, no caso de contrato de dep\u00f3sito regular em armaz\u00e9m, n\u00e3o ensejava a constitui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito para os fins da legisla\u00e7\u00e3o falimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No mencionado precedente, foi raz\u00e3o de decidir, para a Segunda Se\u00e7\u00e3o, o fato de que a propriedade dos bens fung\u00edveis depositados n\u00e3o havia sido transferida para a empresa em recupera\u00e7\u00e3o judicial&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Intermedia\u00e7\u00e3o n\u00e3o torna a representante propriet\u00e1ria moment\u00e2nea dos valores<\/h2>\n\n\n\n<p>Isabel Gallotti tamb\u00e9m destacou que o contrato de&nbsp;representa\u00e7\u00e3o&nbsp;de seguro se diferencia do dep\u00f3sito banc\u00e1rio, pelo qual a propriedade do dinheiro \u00e9 transferida ao banco, que o investe. Segundo ela, n\u00e3o se poderia falar que o banco est\u00e1 obrigado a manter em seus cofres todos os valores depositados; j\u00e1 na hip\u00f3tese da&nbsp;representa\u00e7\u00e3o&nbsp;securit\u00e1ria, ao contr\u00e1rio, a propriedade dos pr\u00eamios n\u00e3o \u00e9 do representante, pois se considera que o pagamento \u00e9 feito \u00e0 pr\u00f3pria seguradora.<\/p>\n\n\n\n<p>A ministra ressaltou que, desde o momento da emiss\u00e3o dos bilhetes de seguro e do recebimento do pr\u00eamio pela representante, em nome da seguradora, o contrato se aperfei\u00e7oa e a seguradora passa a ser respons\u00e1vel pelo risco que lhe \u00e9 transferido. Assim, de acordo com a magistrada, a intermedia\u00e7\u00e3o n\u00e3o torna a representante propriet\u00e1ria moment\u00e2nea dos valores sob a sua posse, assim como ela n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pela cobertura do risco.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Conclui-se, pois, de forma similar aos produtos agropecu\u00e1rios depositados em armaz\u00e9m, aos cr\u00e9ditos consignados e ao dinheiro em poder do falido, recebido em nome de outrem, que os pr\u00eamios de seguro n\u00e3o s\u00e3o de propriedade da empresa recuperanda. Logo, os valores que deveriam ser repassados \u00e0 ora recorrente n\u00e3o est\u00e3o abrangidos pela recupera\u00e7\u00e3o judicial, deles n\u00e3o se podendo servir a recuperanda no giro de seus neg\u00f3cios ou para pagar credores&#8221;, declarou Gallotti.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=2298277&amp;num_registro=202201735790&amp;data=20230523&amp;formato=PDF\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 2.029.240<\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu que os valores dos pr\u00eamios&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7726,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-7725","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7725","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7725"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7725\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7727,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7725\/revisions\/7727"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7726"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7725"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7725"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}