{"id":7659,"date":"2023-06-22T20:49:52","date_gmt":"2023-06-22T20:49:52","guid":{"rendered":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=7659"},"modified":"2023-06-22T20:49:56","modified_gmt":"2023-06-22T20:49:56","slug":"juiz-nao-pode-arbitrar-valor-de-imovel-penhorado-com-base-na-regra-de-experiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=7659","title":{"rendered":"Juiz n\u00e3o pode arbitrar valor de im\u00f3vel penhorado com base na regra de experi\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p>S\u00f3 se autoriza a utiliza\u00e7\u00e3o do conhecimento t\u00e9cnico ou cient\u00edfico do juiz, com dispensa da per\u00edcia, quando o fato se fundar em experi\u00eancia de aceita\u00e7\u00e3o geral. Com esse entendimento, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) reformou\u00a0ac\u00f3rd\u00e3o\u00a0do Tribunal de Justi\u00e7a do Rio de Janeiro (TJRJ) que, em processo execut\u00f3rio, fixou o valor de um im\u00f3vel penhorado com base na regra de experi\u00eancia, dispensando a per\u00edcia t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte | STJ<\/p>\n\n\n\n<p>A execu\u00e7\u00e3o, promovida contra a Associa\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria Santa \u00darsula, dizia respeito a pouco mais de R$ 325 mil em d\u00edvidas oriundas de um contrato de fomento mercantil. No curso dessa execu\u00e7\u00e3o, sobreveio a penhora de im\u00f3vel, o qual foi avaliado por perito em R$ 101,5 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A associa\u00e7\u00e3o recorreu, ao argumento de que o bem teria sido avaliado pela Justi\u00e7a trabalhista em R$ 390 milh\u00f5es. O TJRJ deu parcial&nbsp;provimento&nbsp;ao recurso e fixou o valor do bem em R$ 150 milh\u00f5es, montante calculado pela prefeitura. Ao dispensar per\u00edcia, o desembargador relator fundamentou a decis\u00e3o com base no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13105.htm#art375\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 375 do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC)<\/strong><\/a>&nbsp;\u2013 que autoriza o juiz a se valer das regras da experi\u00eancia comum para julgar o feito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conjunto de ju\u00edzos que podem ser formulados pelo homem m\u00e9dio<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo o relator do recurso no STJ, ministro Moura Ribeiro, as regras da experi\u00eancia comum, previstas no CPC, designam um conjunto de ju\u00edzos que podem ser formulados pelo homem m\u00e9dio a partir da observa\u00e7\u00e3o do que normalmente acontece. O ministro explicou que essas regras exercem diversas fun\u00e7\u00f5es no processo \u2013 por exemplo, auxiliam o juiz a entender e interpretar as alega\u00e7\u00f5es e o depoimento das partes, para melhor compreender certas palavras e express\u00f5es em ambientes e circunst\u00e2ncias espec\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob essa perspectiva, ressaltou, tamb\u00e9m se pode afirmar que elas auxiliam na aplica\u00e7\u00e3o de enunciados normativos abertos, informando e esclarecendo conceitos jur\u00eddicos indeterminados, bem como &#8220;pavimentam a constru\u00e7\u00e3o do racioc\u00ednio l\u00f3gico e estruturado que p\u00f5e limites \u00e0 atividade jurisdicional e permite a&nbsp;prola\u00e7\u00e3o&nbsp;de uma decis\u00e3o verdadeiramente fundamentada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o ministro alertou que, muito embora constituam um conhecimento pr\u00f3prio do juiz, as regras da experi\u00eancia n\u00e3o se confundem com o conhecimento pessoal que ele tem a respeito de algum fato concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O juiz pode valer-se de um conhecimento emp\u00edrico ou cient\u00edfico que j\u00e1 caiu em dom\u00ednio p\u00fablico para julgar as causas que se lhe apresentam, porque, em rela\u00e7\u00e3o a essas quest\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de produzir prova. N\u00e3o est\u00e1 autorizado, por\u00e9m, a julgar com base no conhecimento pessoal que possui a respeito de algum fato espec\u00edfico, obtido sem o crivo do contradit\u00f3rio&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conhecimentos t\u00e9cnicos n\u00e3o universalizados demandam prova espec\u00edfica<\/h2>\n\n\n\n<p>O relator lembrou que os conhecimentos t\u00e9cnicos n\u00e3o universalizados demandam prova espec\u00edfica \u2013 como adverte a parte final do artigo 375 do CPC. Para Moura Ribeiro, no caso dos autos, n\u00e3o h\u00e1 como afirmar que o valor do bem penhorado, considerando suas dimens\u00f5es, localiza\u00e7\u00e3o e conforma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, constitui mat\u00e9ria de conhecimento p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estamos falando, vale lembrar, de um im\u00f3vel \u00fanico, com grandes dimens\u00f5es, v\u00e1rias edifica\u00e7\u00f5es distintas, situado numa \u00e1rea muito valorizada da capital fluminense e que, malgrado possa ser adaptado para explorar outras atividades econ\u00f4micas, encontra-se, atualmente, otimizado para uma finalidade muito espec\u00edfica, de servir a uma universidade&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>No entendimento do ministro, o homem m\u00e9dio n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de afirmar se o im\u00f3vel em quest\u00e3o vale R$ 101,5 milh\u00f5es, como indicado pelo perito; R$ 390 milh\u00f5es, como apurado na Justi\u00e7a do Trabalho, ou R$ 150 milh\u00f5es, como afirmado pelo desembargador do TJRJ.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=188577188&amp;registro_numero=201803295340&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20230511&amp;formato=PDF\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 1.786.046<\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00f3 se autoriza a utiliza\u00e7\u00e3o do conhecimento t\u00e9cnico ou cient\u00edfico do juiz, com dispensa da&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2528,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-7659","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7659","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7659"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7659\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7660,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7659\/revisions\/7660"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2528"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7659"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7659"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7659"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}