{"id":7273,"date":"2023-06-11T00:25:01","date_gmt":"2023-06-11T00:25:01","guid":{"rendered":"http:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=7273"},"modified":"2023-06-11T00:25:04","modified_gmt":"2023-06-11T00:25:04","slug":"possuidor-de-imovel-encravado-tem-direito-a-passagem-forcada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=7273","title":{"rendered":"Possuidor de im\u00f3vel encravado tem direito \u00e0 passagem for\u00e7ada"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu que o possuidor tem direito \u00e0 passagem for\u00e7ada na hip\u00f3tese de im\u00f3vel encravado, nos termos do\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1285\" target=\"_blank\"><strong>artigo 1.285 do C\u00f3digo Civil (CC)<\/strong><\/a>. Segundo o colegiado, a exist\u00eancia da posse sem a possibilidade concreta de usar da coisa em raz\u00e3o do encravamento significaria retirar do im\u00f3vel todo seu valor e sua utilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fonte | STJ<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso dos autos, uma moradora de Foz do Igua\u00e7u (PR) pediu uma tutela de urg\u00eancia em car\u00e1ter antecedente para a desobstru\u00e7\u00e3o de uma estrada, a fim de ter acesso ao im\u00f3vel do qual era possuidora. O juiz determinou que a empresa propriet\u00e1ria do terreno vizinho realizasse a imediata desobstru\u00e7\u00e3o, sob pena de multa di\u00e1ria de mil reais, limitada ao valor total de R$ 100 mil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A a\u00e7\u00e3o de passagem formada foi ajuizada, mas a&nbsp;senten\u00e7a&nbsp;extinguiu o processo sem resolu\u00e7\u00e3o do&nbsp;m\u00e9rito, sob o fundamento de que a autora n\u00e3o teria&nbsp;legitimidade&nbsp;ativa por n\u00e3o ser propriet\u00e1ria do bem, mas t\u00e3o somente possuidora. O Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1 (TJPR) deu&nbsp;provimento&nbsp;\u00e0&nbsp;apela\u00e7\u00e3o&nbsp;da autora, o que motivou a interposi\u00e7\u00e3o de&nbsp;recurso especial&nbsp;por parte da empresa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Instituto se encontra mais vinculado ao im\u00f3vel encravado do que ao seu titular<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ministra Nancy Andrighi, relatora do recurso, observou que, entre os direitos de vizinhan\u00e7a, insere-se o direito \u00e0 passagem for\u00e7ada, segundo o qual o dono do pr\u00e9dio que n\u00e3o tiver acesso a via p\u00fablica, nascente ou porto, pode, mediante pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o cabal, constranger o vizinho a lhe dar passagem, cujo rumo ser\u00e1 judicialmente fixado, se necess\u00e1rio. A relatora acrescentou que tal instituto encontra fundamento nos princ\u00edpios da solidariedade social e da fun\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica da propriedade e da posse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nancy Andrighi afirmou que, quanto \u00e0 titularidade ativa do direito, uma interpreta\u00e7\u00e3o apenas literal do artigo 1.285 do&nbsp;CC&nbsp;poderia conduzir \u00e0 conclus\u00e3o de que somente o propriet\u00e1rio teria direito \u00e0 passagem for\u00e7ada. Contudo, segundo a ministra, o instituto se encontra vinculado muito mais ao im\u00f3vel encravado do que propriamente ao seu titular, ou seja, almeja-se a manuten\u00e7\u00e3o do valor e da utilidade socioecon\u00f4mica da pr\u00f3pria coisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Muito embora a propriedade e a posse n\u00e3o se confundam, ambas garantem ao seu titular a possibilidade de usar e fruir da coisa e s\u00e3o essas prerrogativas comuns que, exercidas dentro dos par\u00e2metros legais e constitucionais, garantem o respeito ao princ\u00edpio da fun\u00e7\u00e3o social, que \u00e9 o fundamento do direito \u00e0 passagem for\u00e7ada&#8221;, declarou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A relatora destacou que de nada valeria a condi\u00e7\u00e3o de possuidor de im\u00f3vel encravado se a ele n\u00e3o fosse tamb\u00e9m atribu\u00eddo o direito \u00e0 passagem for\u00e7ada quando necess\u00e1rio, pois, caso contr\u00e1rio, seria possuidor de im\u00f3vel destitu\u00eddo de qualquer valor, utilidade e fun\u00e7\u00e3o, o que violaria o princ\u00edpio da fun\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Vizinho que recusa passagem ao possuidor do im\u00f3vel encravado, exerce seu direito de maneira n\u00e3o razo\u00e1vel<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ministra ressaltou, tamb\u00e9m, que negar o direito \u00e0 passagem for\u00e7ada ao possuidor significaria autorizar, pelo vizinho do im\u00f3vel encravado, o uso anormal da propriedade, segundo o qual o indiv\u00edduo perturba a sa\u00fade, a seguran\u00e7a e o sossego daqueles que possuem propriedade vizinha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O vizinho que recusa passagem ao possuidor do im\u00f3vel encravado exerce seu direito de maneira n\u00e3o razo\u00e1vel, em desacordo com o interesse social e em preju\u00edzo da conviv\u00eancia harm\u00f4nica em comunidade, o que configura n\u00e3o apenas uso anormal da propriedade mas tamb\u00e9m ofensa \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o social, situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o merece a tutela do ordenamento jur\u00eddico&#8221;, concluiu a relatora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=2271480&amp;num_registro=202203071793&amp;data=20230316&amp;formato=PDF\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp<\/strong><strong>&nbsp;2.029.511<\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu que o possuidor tem direito&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7274,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-7273","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7273"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7273\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7275,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7273\/revisions\/7275"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7274"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}