{"id":7165,"date":"2022-04-25T18:46:53","date_gmt":"2022-04-25T18:46:53","guid":{"rendered":"http:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=7165"},"modified":"2022-04-25T18:46:56","modified_gmt":"2022-04-25T18:46:56","slug":"distribuicao-dinamica-do-onus-da-prova-permite-afastar-presuncao-de-que-proprietario-fez-benfeitorias-no-imovel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=7165","title":{"rendered":"Distribui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do \u00f4nus da prova permite afastar presun\u00e7\u00e3o de que propriet\u00e1rio fez benfeitorias no im\u00f3vel"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base na teoria da distribui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do \u00f4nus da prova, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) manteve\u00a0ac\u00f3rd\u00e3o\u00c9 a decis\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o colegiado de um tribunal. No caso do STJ pode ser das Turmas, Se\u00e7\u00f5es ou da Corte Especial\u00a0do Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1 (TJPR) que, em a\u00e7\u00e3o de div\u00f3rcio litigioso, apoiado no\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13105.htm#art373%C2%A71\" target=\"_blank\"><strong>artigo 373, par\u00e1grafo 1\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC)<\/strong><\/a>, atribuiu ao ex-marido e copropriet\u00e1rio do im\u00f3vel o \u00f4nus de comprovar que as acess\u00f5es e benfeitorias n\u00e3o foram realizadas na const\u00e2ncia do casamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fonte | STJ<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o colegiado, o TJPR \u2013 ao afastar a presun\u00e7\u00e3o legal relativa prevista no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1253\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 1.253 do C\u00f3digo Civil (CC)<\/strong><\/a>&nbsp;\u2013 adotou corretamente a distribui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica, em raz\u00e3o de peculiaridades que permitem ao copropriet\u00e1rio (o ex-marido \u00e9 dono do bem em conjunto com terceiros), com maior facilidade do que a ex-esposa, demonstrar se as melhorias realizadas no im\u00f3vel tiveram ou n\u00e3o a participa\u00e7\u00e3o dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tribunal paranaense considerou que a exist\u00eancia de rupturas no curso do v\u00ednculo conjugal dificulta a comprova\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7o comum nos melhoramentos feitos no im\u00f3vel. Al\u00e9m disso, o ex-marido, por ser copropriet\u00e1rio e possuidor, teria mais condi\u00e7\u00f5es de comprovar que as benfeitorias n\u00e3o foram realizadas durante o matrim\u00f4nio e, portanto, n\u00e3o deveriam ser submetidas \u00e0 partilha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No&nbsp;recurso especialRecurso interposto em causas decididas, em \u00fanica ou \u00faltima inst\u00e2ncia, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territ\u00f3rios, quando a decis\u00e3o recorrida contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vig\u00eancia; julgar v\u00e1lido ato de governo local contestado em face de lei federal; ou der a lei federal interpreta\u00e7\u00e3o divergente da que lhe haja atribu\u00eddo outro tribunal., o ex-marido alegou que, segundo o artigo 1.253 do&nbsp;CC, a invers\u00e3o do \u00f4nus da prova contraria a presun\u00e7\u00e3o relativa de que as benfeitorias existentes no im\u00f3vel foram realizadas pelo propriet\u00e1rio. Para ele, diante da aus\u00eancia de ind\u00edcios de que as acess\u00f5es foram incorporadas com a participa\u00e7\u00e3o da ex-mulher, caberia a ela provar os fatos que embasam o seu suposto direito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Presun\u00e7\u00e3o relativa do artigo 1.253 do&nbsp;CCConflito que se d\u00e1 entre autoridades judici\u00e1rias ante compet\u00eancias previstas no ordenamento jur\u00eddico.<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ministro Villas B\u00f4as Cueva explicou que, segundo artigo 373, par\u00e1grafo 1\u00ba, do CPC, nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa, o magistrado pode atribuir o \u00f4nus da prova de forma diferente da prevista no&nbsp;<em>caput<\/em><em>Cabe\u00e7a. Em textos legislativos, remete \u00e0 parte principal de um artigo.<\/em>&nbsp;do artigo, desde que o fa\u00e7a por decis\u00e3o fundamentada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 o artigo 1.253 do&nbsp;CC, complementou, estabelece que toda constru\u00e7\u00e3o ou planta\u00e7\u00e3o existente em um terreno \u00e9 presumida como feita pelo propriet\u00e1rio e \u00e0 sua custa, at\u00e9 que se prove o contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o ministro, contudo, a presun\u00e7\u00e3o prevista pelo artigo 1.253 do&nbsp;CC&nbsp;\u00e9 relativa (<em>juris tantum<\/em><em>Presun\u00e7\u00e3o relativa de um fato, at\u00e9 prova em sentido contr\u00e1rio.<\/em>) e, por isso, pode ser apresentada prova em sentido contr\u00e1rio. No caso concreto, disse ele, essa prova se tornou fundamental para definir se as acess\u00f5es e benfeitorias foram realizadas em per\u00edodos coincidentes com a rela\u00e7\u00e3o matrimonial, para fins de defini\u00e7\u00e3o da partilha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;No caso, ademais, a presun\u00e7\u00e3o do artigo 1.253 do&nbsp;CC\/2002, presente no direito das coisas (Livro III), deve ceder lugar a outra presun\u00e7\u00e3o legal muito cara ao direito de fam\u00edlia (Livro IV), constante do artigo 1.660, incisos I e IV, do&nbsp;CC\/2002, segundo a qual se presume o esfor\u00e7o comum dos c\u00f4njuges na aquisi\u00e7\u00e3o dos bens realizada na const\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o matrimonial sob o regime da comunh\u00e3o parcial, situa\u00e7\u00e3o em que os respectivos bens devem ser partilhados&#8221;, afirmou<strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Distribui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do \u00f4nus da prova concretiza princ\u00edpio da persuas\u00e3o racional do juiz<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seu voto, Villas B\u00f4as Cueva comentou que, para dar concretude ao princ\u00edpio da persuas\u00e3o racional do juiz, disciplinado no artigo 371 do CPC, em conjunto com os pressupostos de boa-f\u00e9, coopera\u00e7\u00e3o, lealdade e paridade de armas previstos no c\u00f3digo processual, foi introduzida a faculdade de o juiz atribuir o \u00f4nus da prova de modo diverso entre os sujeitos do processo, em virtude de situa\u00e7\u00f5es peculiares \u2013 a distribui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do \u00f4nus da prova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Desse modo, \u00e9 indiferente procurar saber simplesmente quem teria realizado as constru\u00e7\u00f5es ou edifica\u00e7\u00f5es no im\u00f3vel objeto do lit\u00edgio, mas \u00e9 imprescind\u00edvel definir em que momento elas teriam sido realizadas, se na const\u00e2ncia ou n\u00e3o da uni\u00e3o conjugal, mostrando-se mais adequado carrear a produ\u00e7\u00e3o dessa prova para quem \u00e9 o (co)propriet\u00e1rio do im\u00f3vel \u2013 no caso, o ora recorrente&#8221;, concluiu o ministro ao manter o&nbsp;ac\u00f3rd\u00e3o&nbsp;do TJPR.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de segredo judicial<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com base na teoria da distribui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do \u00f4nus da prova, a Terceira Turma do&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7166,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-7165","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7165","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7165"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7165\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7167,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7165\/revisions\/7167"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7166"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7165"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7165"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}