{"id":7012,"date":"2022-02-02T14:33:44","date_gmt":"2022-02-02T14:33:44","guid":{"rendered":"http:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=7012"},"modified":"2022-02-02T14:33:47","modified_gmt":"2022-02-02T14:33:47","slug":"quinta-turma-aplica-teoria-da-perda-da-chance-e-absolve-menor-acusado-com-base-em-testemunhos-indiretos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=7012","title":{"rendered":"Quinta Turma aplica teoria da perda da chance e absolve menor acusado com base em testemunhos indiretos."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) aplicou a teoria da perda de uma chance para absolver um adolescente acusado de ato infracional an\u00e1logo ao crime de homic\u00eddio tentado. As inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias haviam imposto ao menor a medida socioeducativa mais grave prevista no Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA), com base apenas em depoimentos indiretos, pois, al\u00e9m do pr\u00f3prio acusado, n\u00e3o foram ouvidas as testemunhas oculares nem as pessoas diretamente envolvidas no fato, e n\u00e3o foi realizado o exame de corpo de delito na v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fonte | STJ<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O caso destes autos demonstra, claramente, a perda da chance probat\u00f3ria&#8221;, afirmou o relator do recurso da defesa, ministro Ribeiro Dantas, para quem a investiga\u00e7\u00e3o falha &#8220;extirpou a chance da produ\u00e7\u00e3o de provas fundamentais para a elucida\u00e7\u00e3o da controv\u00e9rsia&#8221; \u2013 postura que viola&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del3689.htm#art6\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>o artigo 6\u00ba, III, do C\u00f3digo de Processo Penal (CPP)<\/strong><\/a>, o qual imp\u00f5e \u00e0 autoridade policial a obriga\u00e7\u00e3o de &#8220;colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunst\u00e2ncias&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Criada pelo direito franc\u00eas no \u00e2mbito da responsabilidade civil, a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/Paginas\/Comunicacao\/Noticias\/09082020-Oportunidades-perdidas--reparacoes-possiveis-a-teoria-da-perda-de-uma-chance-no-STJ.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>teoria da perda de uma chance<\/strong><\/a>, segundo o magistrado, foi transportada para o processo penal pelos juristas Alexandre Morais da Rosa e Fernanda Mambrini Rudolfo. &#8220;Quando o Minist\u00e9rio P\u00fablico se satisfaz em produzir o m\u00ednimo de prova poss\u00edvel \u2013 por exemplo, arrolando como testemunhas somente os policiais que prenderam o r\u00e9u em flagrante \u2013, \u00e9, na pr\u00e1tica, tirada da defesa a possibilidade de questionar a den\u00fancia&#8221;, explicou Ribeiro Dantas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"testemunho-indireto-nao-serve-para-condenar\">Testemunho indireto n\u00e3o serve para condenar<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o processo, o menor, morador de rua, golpeou a v\u00edtima com um paralelep\u00edpedo porque ela teria agredido sua namorada, gr\u00e1vida, e um amigo, mas a tese de leg\u00edtima defesa n\u00e3o foi aceita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias entenderam que houve excesso na leg\u00edtima defesa, tendo em vista depoimentos do bombeiro e da policial militar que atenderam a ocorr\u00eancia quando a briga j\u00e1 havia terminado. Os depoentes, por sua vez, basearam seus relatos em informa\u00e7\u00f5es de pessoas que estavam no local \u2013 testemunhas oculares \u2013, mas que, por n\u00e3o terem sido identificadas, n\u00e3o foram formalmente ouvidas pela pol\u00edcia, nem em ju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seguindo o voto do relator, a Quinta Turma fixou o entendimento de que o testemunho indireto (tamb\u00e9m conhecido como testemunho por &#8220;ouvir dizer&#8221; ou&nbsp;<em>hearsay testimony<\/em>) &#8220;n\u00e3o \u00e9 apto para comprovar a ocorr\u00eancia de nenhum elemento do crime e, por conseguinte, n\u00e3o serve para fundamentar a condena\u00e7\u00e3o do r\u00e9u&#8221;. A utilidade desse tipo de depoimento \u2013 acrescentou o ministro \u2013 \u00e9 apenas indicar ao ju\u00edzo testemunhas efetivas que possam vir a ser ouvidas na instru\u00e7\u00e3o criminal, na forma do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del3689.htm#art209\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 209, par\u00e1grafo 1\u00ba, do CPP<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao apresentar diversos entendimentos sobre o&nbsp;<em>hearsay testimony<\/em>&nbsp;no direito comparado, Ribeiro Dantas ressaltou que o fato efetivamente ocorrido n\u00e3o corresponde, necessariamente, \u00e0 percep\u00e7\u00e3o da testemunha \u2013 percep\u00e7\u00e3o esta que ainda pode se alterar com o passar do tempo. Esses limites da prova testemunhal, segundo o relator, crescem exponencialmente quando se adiciona um intermedi\u00e1rio, no caso do depoimento por &#8220;ouvir dizer&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o magistrado, procedimentos comuns que podem ser realizados pelo ju\u00edzo para verificar a credibilidade e a solidez da narrativa do depoente ficam inviabilizados quando se trata de testemunho indireto, o qual subtrai das partes a prerrogativa \u2013 garantida pelo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del3689.htm#art212\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 212 do CPP<\/strong><\/a>&nbsp;\u2013 de inquirir a testemunha e apontar eventuais inconsist\u00eancias de seu relato.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"provar-a-dinamica-dos-fatos-e-onus-da-acusacao\">Provar a din\u00e2mica dos fatos \u00e9 \u00f4nus da acusa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o ministro, n\u00e3o h\u00e1 explica\u00e7\u00e3o no processo para o fato de as v\u00e1rias pessoas que presenciaram a briga n\u00e3o terem sido identificadas pela pol\u00edcia para posterior depoimento \u2013 segundo ele, uma &#8220;grav\u00edssima omiss\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 namorada, ao amigo e \u00e0 v\u00edtima, Ribeiro Dantas observou que o Minist\u00e9rio P\u00fablico desistiu de ouvi-los por serem pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, sem endere\u00e7o para intima\u00e7\u00e3o, &#8220;mas n\u00e3o demonstrou ter envidado nenhum esfor\u00e7o para localiz\u00e1-los&#8221;. Mesmo assim, &#8220;a \u00fanica pessoa ouvida em ju\u00edzo e que realmente presenciou os fatos \u2013 o representado \u2013 teve sua justificativa completamente descartada pelo Estado, sem a apresenta\u00e7\u00e3o de motiva\u00e7\u00e3o v\u00e1lida para tanto, at\u00e9 porque n\u00e3o se produziu prova direta a esse respeito&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o relator, o \u00f4nus de produzir as provas que expliquem a din\u00e2mica dos fatos narrados na den\u00fancia \u00e9 da acusa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o do r\u00e9u. &#8220;Quando a acusa\u00e7\u00e3o n\u00e3o produzir todas as provas poss\u00edveis e essenciais para a elucida\u00e7\u00e3o dos fatos \u2013 capazes de, em tese, levar \u00e0 absolvi\u00e7\u00e3o do r\u00e9u ou confirmar a narrativa acusat\u00f3ria caso produzidas \u2013, a condena\u00e7\u00e3o ser\u00e1 invi\u00e1vel, n\u00e3o podendo o magistrado condenar com fundamento nas provas remanescentes&#8221;, concluiu Ribeiro Dantas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de segredo judicial<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) aplicou a teoria da perda de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2662,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-7012","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7012","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7012"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7012\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7013,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7012\/revisions\/7013"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2662"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7012"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7012"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7012"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}