{"id":692,"date":"2013-11-12T21:51:04","date_gmt":"2013-11-12T21:51:04","guid":{"rendered":"http:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=692"},"modified":"2013-11-12T21:51:04","modified_gmt":"2013-11-12T21:51:04","slug":"furto-art-155-cp-e-apropriacao-indebita-art-168-cp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=692","title":{"rendered":"Furto (Art. 155, CP) e apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita (Art. 168, CP)"},"content":{"rendered":"<h2>A sutil diferen\u00e7a entre uma e outra tipicidade penal<\/h2>\n<p>Por |\u00a0<a href=\"http:\/\/jornal.jurid.com.br\/pesquisa\/autor\/denis-caramigo\">Denis Caramigo<\/a><\/p>\n<div id=\"parteTexto_0\">\n<p>Uma quest\u00e3o, aparentemente, simples mas que envolve um certo grau de discernimento para compreens\u00e3o do que \u00e9 um ou outro tipo penal, \u00e9 a quest\u00e3o da diferen\u00e7a entre furto e apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita.<br \/>\nPara os operadores do direito (na grande maioria \u00e9 claro) n\u00e3o \u00e9 de t\u00e3o dif\u00edcil compreens\u00e3o, por\u00e9m, para aqueles que gostam de se aprofundar um pouco mais na ci\u00eancia jur\u00eddica e que n\u00e3o possuem conhecimento t\u00e9cnico, vai aqui uma breve explica\u00e7\u00e3o dos dois dispositivos.<br \/>\nCerta vez, fui indagado sobre a seguinte quest\u00e3o:<br \/>\n&#8220;Digamos que o vigilante de um museu decida levar, para a pr\u00f3pria casa, alguma pe\u00e7a do estabelecimento que tenha gostado sem que ningu\u00e9m veja. Isso \u00e9 furto ou apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita?&#8221;<br \/>\nCom toda certeza \u00e9 furto. N\u00e3o cabe apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita no caso em tela, pois como analisaremos os dois dispositivos a seguir, explicarei, de forma objetiva, cada um deles.<br \/>\nAnalisemos, primeiramente, o dispositivo penal que tipifica o crime de furto:<br \/>\n<strong>Furto<\/strong><br \/>\nArt. 155 &#8211; Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia m\u00f3vel:<br \/>\nPena &#8211; reclus\u00e3o, de um a quatro anos, e multa.<br \/>\n\u00a7 1\u00ba &#8211; A pena aumenta-se de um ter\u00e7o, se o crime \u00e9 praticado durante o repouso noturno.<br \/>\n\u00a7 2\u00ba &#8211; Se o criminoso \u00e9 prim\u00e1rio, e \u00e9 de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclus\u00e3o pela de deten\u00e7\u00e3o, diminu\u00ed-la de um a dois ter\u00e7os, ou aplicar somente a pena de multa.<br \/>\n\u00a7 3\u00ba &#8211; Equipara-se \u00e0 coisa m\u00f3vel a energia el\u00e9trica ou qualquer outra que tenha valor econ\u00f4mico.<br \/>\n<strong>Furto qualificado<\/strong><br \/>\n\u00a7 4\u00ba &#8211; A pena \u00e9 de reclus\u00e3o de dois a oito anos, e multa, se o crime \u00e9 cometido:<br \/>\nI &#8211; com destrui\u00e7\u00e3o ou rompimento de obst\u00e1culo \u00e0 subtra\u00e7\u00e3o da coisa;<br \/>\nII &#8211; com abuso de confian\u00e7a, ou mediante fraude, escalada ou destreza;<br \/>\nIII &#8211; com emprego de chave falsa;<br \/>\nIV &#8211; mediante concurso de duas ou mais pessoas.<br \/>\n\u00a7 5\u00ba &#8211; A pena \u00e9 de reclus\u00e3o de tr\u00eas a oito anos, se a subtra\u00e7\u00e3o for de ve\u00edculo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. (Inclu\u00eddo pela Lei n\u00ba 9.426, de 1996).<br \/>\nPara que continuemos a explana\u00e7\u00e3o, analisemos, agora, o dispositivo penal que tipifica o crime de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita:<br \/>\n<strong>Apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita<\/strong><br \/>\nArt. 168 &#8211; Apropriar-se de coisa alheia m\u00f3vel, de que tem a posse ou a deten\u00e7\u00e3o:<br \/>\nPena &#8211; reclus\u00e3o, de um a quatro anos, e multa.<br \/>\n<strong>Aumento de pena<\/strong><br \/>\n\u00a7 1\u00ba &#8211; A pena \u00e9 aumentada de um ter\u00e7o, quando o agente recebeu a coisa:<br \/>\nI &#8211; em dep\u00f3sito necess\u00e1rio;<br \/>\nII &#8211; na qualidade de tutor, curador, s\u00edndico, liquidat\u00e1rio, inventariante, testamenteiro ou deposit\u00e1rio judicial;<br \/>\nIII &#8211; em raz\u00e3o de of\u00edcio, emprego ou profiss\u00e3o.<br \/>\nNo caso, aqui descrito, o vigilante, n\u00e3o tem a posse da pe\u00e7a. Ele apenas faz a seguran\u00e7a do patrim\u00f4nio do museu (este sim tem a posse e det\u00e9m o bem).<br \/>\nNas duas tipifica\u00e7\u00f5es, 4 palavras s\u00e3o de suma import\u00e2ncia para que se entenda o fen\u00f4meno dos dois dispositivos. Uma se encontra no crime de furto e as outras tr\u00eas no crime de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita.<br \/>\nNo crime de furto, temos a palavra SUBTRAIR.<br \/>\nEsta, no dispositivo legal, consiste em tirar; retirar de outrem, bem m\u00f3vel sem a permiss\u00e3o com o \u00e2nimo definitivo de ficar com a coisa. \u00c9 a retirada do bem sem o consentimento de quem det\u00e9m ou possui o bem. A coisa n\u00e3o est\u00e1 com o sujeito ativo.<br \/>\nJ\u00e1 no crime de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita, temos as palavras APROPRIAR-SE, POSSE E DETEN\u00c7\u00c3O.<br \/>\nRessalto que todas as palavras, aqui citadas, est\u00e3o sendo analisadas, brevemente, dentro do dispositivo legal de cada uma.<br \/>\nApropriar-se significa fazer sua coisa alheia como se sua fosse. Neste caso, o sujeito ativo tem, legitimamente, a posse ou deten\u00e7\u00e3o da coisa, ou seja, o bem est\u00e1 com ele, s\u00f3 que em momento posterior n\u00e3o a restitui (devolve) para quem de direito. Dessa forma, n\u00e3o h\u00e1 de se falar em subtra\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPosse significa reten\u00e7\u00e3o ou frui\u00e7\u00e3o, legitimamente, da coisa (alheia). Est\u00e1 em seu poder. Mais uma vez, \u00e9 n\u00edtido que a coisa se encontra em poder do agente ativo.<br \/>\nDeten\u00e7\u00e3o \u00e9 o ato de deter (no sentido etimol\u00f3gico da palavra) coisa alheia.<br \/>\nO liame entre posse e deten\u00e7\u00e3o \u00e9 bem estreito e posso citar um exemplo bem simples para que fique de melhor entendimento.<br \/>\nSe uma pessoa confia suas j\u00f3ias a outrem para viajar e, no seu regresso, a pessoa que ficou encarregada de guardar o bem, neste caso tem a posse, n\u00e3o a devolve para o dono, comete crime de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita.<br \/>\nUma situa\u00e7\u00e3o de deten\u00e7\u00e3o bem clara,\u00e9 a hip\u00f3tese de algu\u00e9m deixar com outrem um bem de forma moment\u00e2nea. Exemplo: &#8220;segure meu rel\u00f3gio que vou nadar e em 10 minutos pego com voc\u00ea&#8221;. E no final dos 10 minutos quem estava com o rel\u00f3gio n\u00e3o o &#8220;devolve&#8221; ou &#8220;vai embora&#8221; com ele. Percebam que o bem, tamb\u00e9m, se encontra com o sujeito ativo. N\u00e3o h\u00e1 subtra\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA diferen\u00e7a entre furto e apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita fica bem clara quando analisamos os dois dispositivos. No furto, a coisa alheia m\u00f3vel \u00e9 subtra\u00edda, ou seja, a r\u00e9s n\u00e3o est\u00e1 com o agente ativo, diferente da apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita em que o agente ativo j\u00e1 possui a posse ou deten\u00e7\u00e3o da coisa.<br \/>\nPor fim, a tipicidade abordada no caso do museu \u00e9 qualificada, tendo em vista que o agente cometeu o furto com abuso de confian\u00e7a, onde, a responsabilidade da vigil\u00e2ncia da coisa (e n\u00e3o posse ou deten\u00e7\u00e3o) foi a ele confiada.<br \/>\nUma forma bem simples de saber quando se aplica uma ou outra tipicidade, dentro da esfera penal e aplicando a an\u00e1lise ao caso concreto, \u00e9 saber o seguinte:<br \/>\nA coisa estava com o agente?<br \/>\n-Se a resposta for positiva, o crime \u00e9 de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita (analisadas as circunst\u00e2ncias);<br \/>\n-Se a resposta for negativa, o crime \u00e9 de furto (analisadas as circunst\u00e2ncias).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Autor<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Denis Caramigo<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sutil diferen\u00e7a entre uma e outra tipicidade penal Por |\u00a0Denis Caramigo Uma quest\u00e3o, aparentemente,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-692","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/692","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=692"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/692\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":693,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/692\/revisions\/693"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=692"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=692"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=692"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}