{"id":6398,"date":"2020-04-30T15:41:32","date_gmt":"2020-04-30T15:41:32","guid":{"rendered":"http:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=6398"},"modified":"2020-04-30T15:41:34","modified_gmt":"2020-04-30T15:41:34","slug":"lojas-varejistas-nao-podem-cobrar-no-crediario-juros-acima-de-12-ao-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=6398","title":{"rendered":"Lojas varejistas n\u00e3o podem cobrar no credi\u00e1rio juros acima de 12% ao ano."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lojas dedicadas ao com\u00e9rcio varejista em geral n\u00e3o podem, na venda por credi\u00e1rio, estipular juros remunerat\u00f3rios superiores a 1% ao m\u00eas, ou 12% ao ano. Por n\u00e3o se equipararem a institui\u00e7\u00f5es financeiras e n\u00e3o estarem sujeitos \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 regula\u00e7\u00e3o do Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN), esses estabelecimentos devem respeitar o limite fixado pelo C\u00f3digo Civil nos artigos\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art406\" target=\"_blank\"><strong>406<\/strong><\/a>\u00a0e\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art591\" target=\"_blank\"><strong>591<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fonte | STJ<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com esse entendimento, a Terceira Turma, durante a&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/Paginas\/Comunicacao\/Noticias\/Terceira-Turma-inaugura-julgamentos-por-videoconferencia-no-STJ.aspx\"><strong>primeira<\/strong><\/a>&nbsp;sess\u00e3o por videoconfer\u00eancia da hist\u00f3ria do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), realizada ter\u00e7a-feira (28), negou provimento a um recurso das Lojas Cem e manteve decis\u00e3o que considerou ilegal a cobran\u00e7a de juros remunerat\u00f3rios superiores a 1% ao m\u00eas nas vendas pelo credi\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Por n\u00e3o ser institui\u00e7\u00e3o financeira, a recorrente n\u00e3o se encontra submetida ao controle, \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o e \u00e0s pol\u00edticas de concess\u00e3o de cr\u00e9dito definidas pelo referido \u00f3rg\u00e3o superior do Sistema Financeiro Nacional [CMN] e n\u00e3o pode firmar contratos banc\u00e1rios, como o de financiamento, contratando juros pelas taxas m\u00e9dias de mercado&#8221;, comentou a ministra Nancy Andrighi, relatora do caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O consumidor, que comprou uma c\u00e2mera fotogr\u00e1fica em seis parcelas, questionou na Justi\u00e7a a incid\u00eancia de juros abusivos na opera\u00e7\u00e3o. A senten\u00e7a julgou a a\u00e7\u00e3o procedente, retirou do contrato a cobran\u00e7a de juros capitalizados e limitou a taxa dos juros remunerat\u00f3rios a 1% ao m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a de Minas Gerais (MG) manteve a senten\u00e7a, destacando que empresas que n\u00e3o pertencem ao sistema financeiro, ao conceder financiamento aos consumidores, devem observar as regras da Lei de Usura (<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/D22626.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Decreto 22.626\/1933<\/strong><\/a>) e do C\u00f3digo Civil ao estipular os juros remunerat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cobran\u00e7a exce\u200bpcional<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No recurso especial, as Lojas Cem defenderam a tese de que seria permitida \u00e0s empresas varejistas a cobran\u00e7a de juros remunerat\u00f3rios acima do patamar do C\u00f3digo Civil, observado o limite da m\u00e9dia do mercado. A empresa citou viola\u00e7\u00e3o do artigo 2\u00ba da&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/1970-1979\/L6463.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Lei 6.463\/1977<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a ministra Nancy Andrighi, a cobran\u00e7a de juros remunerat\u00f3rios superiores aos limites estabelecidos pelo C\u00f3digo Civil \u00e9 excepcional e deve ser interpretada restritivamente, cabendo avaliar se a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica se encontra submetida a uma legisla\u00e7\u00e3o especial ou \u00e0 regra geral do c\u00f3digo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Excetuadas apenas as situa\u00e7\u00f5es submetidas \u00e0s leis espec\u00edficas do cr\u00e9dito rural, habitacional, industrial e comercial, somente as rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas constitu\u00eddas no primeiro campo [rela\u00e7\u00f5es obrigacionais firmadas com institui\u00e7\u00f5es financeiras, isto \u00e9, em que ao menos uma das partes seja integrante do Sistema Financeiro Nacional], por serem regidas pela Lei 4.595\/1964, n\u00e3o se sujeitam aos limites da taxa de juros morat\u00f3rios e remunerat\u00f3rios inscritos no atual C\u00f3digo Civil, conforme entendimento consolidado na&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.stf.jus.br\/portal\/jurisprudencia\/menuSumarioSumulas.asp?sumula=2017\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>S\u00famula 596\/STF<\/strong><\/a>&#8220;, explicou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Lei anti\u200b\u200bquada<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a viola\u00e7\u00e3o da Lei 6.463\/1977, a ministra disse que, embora o projeto legislativo que lhe deu origem tenha sido apresentado em 1963 como uma complementa\u00e7\u00e3o da Lei de Usura, ele somente virou lei em 1977, quando, conforme manifesta\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Comercial de S\u00e3o Paulo, j\u00e1 estava completamente desatualizado devido \u00e0s mudan\u00e7as no mercado varejista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nancy Andrighi destacou que a aprova\u00e7\u00e3o do projeto ocorreu ap\u00f3s a vig\u00eancia da lei que disp\u00f5e sobre a pol\u00edtica monet\u00e1ria nacional e d\u00e1 compet\u00eancia ao CMN para regulamentar o cr\u00e9dito em todas as suas modalidades \u2013 Lei 4.595\/1964.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Dessa forma, a previs\u00e3o do artigo 2\u00ba da Lei 6.463\/1977 faz refer\u00eancia a um sistema obsoleto, ultrapassado, em que a aquisi\u00e7\u00e3o de mercadorias a presta\u00e7\u00e3o pelos consumidores dependia da atua\u00e7\u00e3o do varejista no papel de institui\u00e7\u00e3o financeira e no qual o controle dos juros estava sujeito ao escrut\u00ednio dos pr\u00f3prios consumidores e \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Fazenda&#8221;, declarou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ministra concluiu afirmando que, como a Lei 6.463\/1977 \u2013 nos termos da jurisprud\u00eancia da Terceira Turma \u2013 \u00e9 norma de ordem p\u00fablica e n\u00e3o deve ser interpretada de forma extensiva, os varejistas n\u00e3o podem ser equiparados \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras e, consequentemente, n\u00e3o est\u00e3o autorizados a cobrar encargos cuja exigibilidade a elas \u00e9 restrita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Leia o\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/SiteAssets\/documentos\/noticias\/REsp%201720656.pdf\">voto<\/a>\u200b<\/strong>\u00a0da relatora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta not\u00edcia refere-se ao(s)&nbsp;processo(s):<a href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp%201720656\" class=\"\">REsp 1720656<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lojas dedicadas ao com\u00e9rcio varejista em geral n\u00e3o podem, na venda por credi\u00e1rio, estipular 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