{"id":6395,"date":"2020-04-30T15:38:10","date_gmt":"2020-04-30T15:38:10","guid":{"rendered":"http:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=6395"},"modified":"2020-04-30T15:38:12","modified_gmt":"2020-04-30T15:38:12","slug":"curador-precisa-de-autorizacao-judicial-para-constituir-procurador-na-defesa-de-interditado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=6395","title":{"rendered":"Curador precisa de autoriza\u00e7\u00e3o judicial para constituir procurador na defesa de interditado."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u200bA Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) entendeu que o curador n\u00e3o pode constituir procurador para representar o interditado sem pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o do juiz. Por\u00e9m, para o colegiado, s\u00e3o pass\u00edveis de convalida\u00e7\u00e3o os atos praticados pelo procurador constitu\u00eddo irregularmente, quando se enquadrarem na previs\u00e3o do\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L3071.htm#art427\" target=\"_blank\"><strong>artigo 427<\/strong><\/a>, VII, do C\u00f3digo Civil de 1916, correspondente ao\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1748\" target=\"_blank\"><strong>artigo 1.748<\/strong><\/a>\u00a0, V, do c\u00f3digo de 2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fonte | STJ<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os ministros conclu\u00edram tamb\u00e9m que o mesmo entendimento n\u00e3o se aplica aos atos relacionados no&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L3071.htm#art428\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 428<\/strong><\/a>&nbsp;do CC\/1916, substitu\u00eddo pelo&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1749\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 1.749<\/strong><\/a>&nbsp;no CC\/2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A decis\u00e3o veio ap\u00f3s a turma analisar processo em que o marido e curador (atualmente falecido) de uma mulher interditada, agindo em nome pr\u00f3prio e como representante da esposa e de uma empresa que possu\u00edam, outorgou procura\u00e7\u00e3o a terceiro, com poderes de representa\u00e7\u00e3o e de gest\u00e3o do patrim\u00f4nio e dos neg\u00f3cios pessoais e empresariais da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Poderes personal\u00edss\u200b\u200bimos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com os autos, com base nessa procura\u00e7\u00e3o, o terceiro contratou advogados por valores milion\u00e1rios com a finalidade de representar os outorgantes em a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria ajuizada pelo Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra), o qual pretendia rescindir a decis\u00e3o judicial em uma a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o que a autarquia federal moveu em 1971.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No recurso especial julgado pela Terceira Turma, os herdeiros da interditada alegaram que a procura\u00e7\u00e3o e, consequentemente, a contrata\u00e7\u00e3o dos advogados pelo procurador seriam nulas, porque o curador n\u00e3o poderia outorgar procura\u00e7\u00e3o a terceiro sem pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o judicial. Disseram que isso representaria, na verdade, a transfer\u00eancia dos pr\u00f3prios poderes personal\u00edssimos que s\u00e3o outorgados exclusivamente ao curador.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Distin\u00e7\u00e3o impor\u200btante<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seu voto, a relatora do processo, ministra Nancy Andrighi, destacou que, de fato, seria necess\u00e1ria a pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o judicial para que o curador constitu\u00edsse procurador com a finalidade de representar a interditada, tanto nas a\u00e7\u00f5es que precisasse ajuizar quanto nas que fossem movidas contra ela, como determina o artigo 427, VII, do CC\/1916.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, a ministra lembrou que a inobserv\u00e2ncia dessa exig\u00eancia legal n\u00e3o implica nulidade absoluta do neg\u00f3cio jur\u00eddico, que \u00e9 suscet\u00edvel de convalida\u00e7\u00e3o e de ratifica\u00e7\u00e3o posterior \u2013 ao contr\u00e1rio do que ocorre com a regra do artigo 428 do mesmo c\u00f3digo, em que o desrespeito \u00e0 norma legal n\u00e3o pode ser sanado posteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a relatora, essa distin\u00e7\u00e3o &#8220;possui uma raz\u00e3o de ser, pois os atos previstos no artigo 427 \u2013 como fazer despesas necess\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o de bens, receber quantias devidas e pagar d\u00edvidas, aceitar heran\u00e7as ou doa\u00e7\u00f5es, transigir e vender im\u00f3veis nos casos permitidos \u2013 s\u00e3o claramente menos graves do que os atos previstos no artigo 428 \u2013 por exemplo, adquirir bens do curatelado ou dispor de seus bens a t\u00edtulo gratuito&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Equival\u00eancia no CC\/20\u200b\u200b02<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nancy Andrighi ressaltou que a distin\u00e7\u00e3o dos efeitos jur\u00eddicos entre esses dois tipos de situa\u00e7\u00e3o foi tratada expressamente no par\u00e1grafo \u00fanico do artigo 1.748 do CC\/2002 (correspondente ao 427 do CC\/1916), o qual define que, &#8220;no caso de falta de autoriza\u00e7\u00e3o, a efic\u00e1cia de ato do tutor depende da aprova\u00e7\u00e3o ulterior do juiz&#8221;. N\u00e3o h\u00e1, entretanto, regra semelhante para as hip\u00f3teses do artigo 1.749 do CC\/2002 (que equivale ao artigo 428 do CC revogado).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ministra salientou ainda que \u00e9 preciso levar em conta, no caso concreto, a condi\u00e7\u00e3o de c\u00f4njuge do curador, de forma que a quest\u00e3o deve ser analisada \u00e0 luz de outros artigos do CC\/1916, como o&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L3071.htm#art455\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>455<\/strong><\/a>&nbsp;e os artigos referidos em seu par\u00e1grafo 1\u00ba, visto que refletem o contexto da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 evidente que, na atualidade, as disposi\u00e7\u00f5es legais mencionadas s\u00e3o, em sua maioria, ultrapassadas e incompat\u00edveis, mas n\u00e3o se pode olvidar que, no contexto social e, principalmente, normativo em que ocorreram os fatos, havia, sim, a cess\u00e3o de uma vasta gama de poderes de gest\u00e3o e de administra\u00e7\u00e3o ao c\u00f4njuge var\u00e3o&#8221;, afirmou a magistrada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Melhor inter\u200b\u200besse<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nancy Andrighi destacou ainda que, no caso, n\u00e3o se transferiu a curatela propriamente dita, mas, sim, uma parte dos poderes de gest\u00e3o dos bens de propriedade do c\u00f4njuge.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, a ministra lembrou que, para o tribunal de segunda inst\u00e2ncia, a imediata contrata\u00e7\u00e3o de advogados para a defesa da curatelada na a\u00e7\u00e3o proposta pelo Incra, embora sem autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do Judici\u00e1rio, deveria ser convalidada posteriormente em ju\u00edzo, porque foi atingido o melhor interesse da interditada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao valor acertado entre o procurador e os advogados \u2013 tamb\u00e9m objeto de questionamento pelos herdeiros \u2013, a relatora observou que a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria envolve uma discuss\u00e3o de mais de R$ 266 milh\u00f5es. &#8220;Conclui-se que a contrata\u00e7\u00e3o se deu em condi\u00e7\u00f5es razo\u00e1veis e proporcionais, sobretudo se se observar que a referida a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria ainda n\u00e3o transitou em julgado&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Leia o\u00a0<a href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ATC&amp;sequencial=105530713&amp;num_registro=201701663734&amp;data=20200226&amp;tipo=91&amp;formato=PDF\"><strong>ac\u00f3rd\u00e3o<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta not\u00edcia refere-se ao(s)&nbsp;processo(s):<a href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp%201705605\" class=\"\">REsp 1705605<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u200bA Terceira Turma 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