{"id":5909,"date":"2018-08-29T11:18:01","date_gmt":"2018-08-29T11:18:01","guid":{"rendered":"http:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=5909"},"modified":"2018-08-29T11:18:01","modified_gmt":"2018-08-29T11:18:01","slug":"liberdade-de-expressao-em-tempo-de-crise-discurso-de-odio-e-intolerancia-nas-plataformas-politicas-contemporaneas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=5909","title":{"rendered":"Liberdade de Express\u00e3o em tempo de crise: discurso de \u00f3dio e intoler\u00e2ncia nas plataformas pol\u00edticas contempor\u00e2neas"},"content":{"rendered":"<h3>O objetivo do presente \u00e9 analisar a liberdade de express\u00e3o como direito fundamental, na ordem jur\u00eddica nacional, respons\u00e1vel por conferir materializa\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da democracia participativa e o princ\u00edpio republicano. A liberdade de express\u00e3o consiste em um processo hist\u00f3rico de constru\u00e7\u00e3o da figura do cidad\u00e3o em detrimento da figura submissa do s\u00fadito, caracter\u00edstica do per\u00edodo de Estado Absolutista. Neste sentido, a liberdade de express\u00e3o substancializa um instrumento dotado de m\u00e1xima relev\u00e2ncia no processo de participa\u00e7\u00e3o das arenas pol\u00edticas e no processo de exerc\u00edcio da cidadania. Trata-se, pois, de aspecto intr\u00ednseco ao superprinc\u00edpio da dignidade da pessoa humana. Contudo, apesar de tais contornos, contemporaneamente, sobretudo nas redes sociais, a liberdade de express\u00e3o tem se desvirtuado em discursos de \u00f3dio e de intoler\u00e2ncia, o qual incita a polariza\u00e7\u00e3o e o uso da discrimina\u00e7\u00e3o contra grupos e segmentos sociais tradicionalmente minorit\u00e1rios. O artigo apresenta como metodologia empregada o dedutivo e o historiogr\u00e1fico. Para tanto, como t\u00e9cnicas de pesquisa, o artigo utilizou a revis\u00e3o sistem\u00e1tica de literatura e a pesquisa bibliogr\u00e1fica em fontes com adstri\u00e7\u00e3o ao tema.<\/h3>\n<p>Por |\u00a0<b>Domingos S\u00e1vio Peres do Amaral,\u00a0<\/b><b>Larissa Vieira de Rezende,\u00a0<\/b><b>Tau\u00e3 Lima Verdan Rangel<\/b><\/p>\n<p><b>1 INTRODU\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>A liberdade de express\u00e3o, na contemporaneidade, assume papel importante no fortalecimento do Estado Democr\u00e1tico de Direito e no princ\u00edpio republicado que norteia o pa\u00eds. Neste sentido, tal direito constitui aspecto fundamental para se pensar a figura do cidad\u00e3o, sobretudo no que toca \u00e0 possibilidade de exerc\u00ea-lo como instrumento t\u00edpico da democracia participativa. Sendo assim, emerge como escopo central do presente analisar a liberdade de express\u00e3o como direito fundamental, tomando por base os pilares contidos na\u00a0<a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/constituicao-federal-1\" target=\"_blank\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988<\/a>.<\/p>\n<p>Advindo do objetivo geral, deve-se ainda provocar uma reflex\u00e3o sobre a distor\u00e7\u00e3o da liberdade de express\u00e3o, sobretudo nos \u00faltimos anos, em que o discurso de \u00f3dio passa a se camuflar do exerc\u00edcio de tal. Assim, \u00e9 importante discutir sobre o t\u00eanue limite entre o exerc\u00edcio do direito fundamental da liberdade de express\u00e3o e da conduta indevida de discurso de \u00f3dio, na qual a intoler\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o a grupos tidos minorit\u00e1rios, em um contexto hist\u00f3rico nacional, se fortalece.<\/p>\n<p>Tomando-se o contexto hist\u00f3rico geral, a liberdade de express\u00e3o ganhou muita import\u00e2ncia para a afirma\u00e7\u00e3o da burguesia no momento de Revolu\u00e7\u00f5es Liberais. Neste sentido, citam-se, como exemplos, a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e da Independ\u00eancia Estadunidense no qual a liberdade de express\u00e3o materializa instrumento para altera\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio vigente, bem como permite a prolifera\u00e7\u00e3o dos ideais compartilhados e difus\u00e3o pol\u00edtica dos movimentos.<\/p>\n<p>Veja-se que o direito \u00e0 liberdade de express\u00e3o configura instrumento dotado de m\u00e1xima relev\u00e2ncia no processo de muta\u00e7\u00e3o da figura do s\u00fadito, em um cen\u00e1rio de Estado absolutista, para o cidad\u00e3o, express\u00e3o maior do Estado Liberal. Por\u00e9m, o direito \u00e0 liberdade de express\u00e3o em virtude do valor na qual se revestiu para o aperfei\u00e7oamento da democracia burguesa qualquer restri\u00e7\u00e3o era pass\u00edvel de penalidade, com restri\u00e7\u00f5es m\u00ednimas, da n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o estatal.\u00a0 Essas liberdades v\u00e3o convergir para o fortalecimento da concep\u00e7\u00e3o jusfilos\u00f3fica da dignidade humana nos moldes liberais.<\/p>\n<p>Em tal cen\u00e1rio, os monarcas voltaram para as reivindica\u00e7\u00f5es advindas da conturba\u00e7\u00e3o capital e do trabalho e, n\u00e3o deram apoio para as demandas dos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o, sempre com a inten\u00e7\u00e3o de integra\u00e7\u00e3o social, ao modo que certificava legitimidade as suas resolu\u00e7\u00f5es nas democracias moment\u00e2neas. A liberdade de express\u00e3o, no que se nota, tornar a ser confirmada com maior observa\u00e7\u00e3o, e a fala extremista e preconceituosa, por se abordagem de amostra do pensamento no qual objetivo e humilhar e silenciar grupos de pessoas com pouca representatividade, adv\u00e9m a ser rejeitado e reprimido pelos c\u00f3digos jur\u00eddicos, com a inten\u00e7\u00e3o de aprova\u00e7\u00e3o das atitudes das minorias e o aprendizado da cidadania.<\/p>\n<p>O artigo apresenta como metodologia empregada o dedutivo e o historiogr\u00e1fico. Para tanto, como t\u00e9cnicas de pesquisa, o artigo utilizou a revis\u00e3o sistem\u00e1tica de literatura e a pesquisa bibliogr\u00e1fica em fontes com adstri\u00e7\u00e3o ao tema. Logo, no primeiro momento, o texto \u00e9 estruturado a partir de um vi\u00e9s hist\u00f3rico, com especial enfoque para as contribui\u00e7\u00f5es das Revolu\u00e7\u00f5es Liberais no processo de luta e afirma\u00e7\u00e3o da liberdade de express\u00e3o. Em um segundo momento, apresentando uma perspectiva contempor\u00e2nea, o artigo volta-se para o cen\u00e1rio nacional, utilizando como base anal\u00edtica as disposi\u00e7\u00f5es de \u00edndole constitucional. Por fim, trazendo a problem\u00e1tica do recorte proposto, o artigo apresenta a distin\u00e7\u00e3o entre o exerc\u00edcio da liberdade de express\u00e3o e o discurso de \u00f3dio como medida deturpadora de tal direito.<\/p>\n<p><b>2 O FUNDAMENTO HIST\u00d3RICO DO DIREITO DE LIBERDADE DE EXPRESS\u00c3O: UMA AN\u00c1LISE DAS REVOLU\u00c7\u00d5ES FRANCESA E AMERICANA<\/b><\/p>\n<p>At\u00e9 meados do s\u00e9culo XVIII, quando come\u00e7aram os conflitos entre a Fran\u00e7a e Reino Unido, as col\u00f4nias americanas eram leais aos brit\u00e2nicos e possu\u00edam razo\u00e1vel autonomia. Dessa forma, beneficiavam-se do costume ingl\u00eas de indicar o governador e um corpo legislativo eleito pelos cidad\u00e3os locais que tivessem propriedades e, tamb\u00e9m, possu\u00edam um Judici\u00e1rio independente. Entretanto, os tributos, as atividades econ\u00f4micas e o com\u00e9rcio romperam a harmonia com a metr\u00f3pole brit\u00e2nica. As rela\u00e7\u00f5es tornaram-se tensas ao longo da d\u00e9cada de 1760, agravando-se drasticamente ap\u00f3s epis\u00f3dios como o Stamp Act, de 1765, o Massacre de Boston, em 1748, e o Boston Tea Party, em 1773. (SILVA, 2009).<\/p>\n<p>As puni\u00e7\u00f5es impostas a Massachusets e a transfer\u00eancia para o Canad\u00e1 das terras ao norte do rio Ohio levou a forma\u00e7\u00e3o do Primeiro Congresso Continental, em 1774, que marcou o in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o organizada das col\u00f4nias contra a Coroa brit\u00e2nica. Em 1775, j\u00e1 em estado de guerra, as col\u00f4nias reuniram-se para o segundo Congresso Continental, que durou at\u00e9 1788, no qual ratificaria o futuro da revolu\u00e7\u00e3o americana. Ali, decidiram a constitui\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito organizado, cuja coordena\u00e7\u00e3o foi entregue a George Washington; as ex-col\u00f4nias foram encorajadas a fazer constitui\u00e7\u00f5es escritas. Ficou determinada a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o para elaborar a Declara\u00e7\u00e3o de Independ\u00eancia, cujo principal redator foi Thomas Jefferson. (SILVA, 2009).<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia foi assinada em 04 de julho de 1776, pelos membros do congresso, este documento \u00e9 considerado um marco na hist\u00f3ria das ideias pol\u00edticas, pois simboliza a independ\u00eancia das 13 col\u00f4nias e a cria\u00e7\u00e3o de Estados distintos. (SILVA, 2009). A guerra revolucion\u00e1ria durou at\u00e9 1781. Neste mesmo ano foi assinado \u201cArticles of Confederation\u201d (Artigos da Confedera\u00e7\u00e3o), que haviam sido aprovados em 1778, fazendo surgir uma confedera\u00e7\u00e3o entre as treze col\u00f4nias. (SILVA, 2009).<\/p>\n<p>Segundo o magist\u00e9rio apresentado por Barroso (2010), a insatisfa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o das 13 col\u00f4nias brit\u00e2nicas com as leis e o fato do Congresso n\u00e3o ter poder para alterar as leis, levou os americanos a convocarem uma reuni\u00e3o que ocorreu na Filad\u00e9lfia, em 14 de maio de 1787. Os 12 delegados representantes das col\u00f4nias (Rhode Island n\u00e3o enviou representantes), desistiram de alterar os artigos constitucionais e transformaram em uma conven\u00e7\u00e3o constitucional para uma nova Constitui\u00e7\u00e3o. (BARROSO, 2010, p.26).<\/p>\n<p>Como na maioria das Constitui\u00e7\u00f5es, seus direitos decorrem do passado hist\u00f3rico e das experi\u00eancias vivenciadas pela popula\u00e7\u00e3o, logo, a moldura identificada na Constitui\u00e7\u00e3o Norte-Americana explicita tais experi\u00eancias, a saber: contra a persegui\u00e7\u00e3o religiosa, \u00e9 institu\u00edda a liberdade religiosa; contra a proibi\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es por parte da popula\u00e7\u00e3o, consagraram o direito a liberdade de express\u00e3o. A Constitui\u00e7\u00e3o Americana tem poucos artigos, somente 7 artigos e 27 emendas constitucionais, e foi expirada nas ideias de John Locke pelas seus pensamentos de liberdade (BARROSO, 2010, p.27-29).<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o Francesa ocorreu no per\u00edodo de 1779 at\u00e9 1789 promoveu altera\u00e7\u00f5es no sistema pol\u00edtico, social, econ\u00f4mico e jur\u00eddico, onde seus ideais serviram de base para a revolu\u00e7\u00e3o americana, entre outras (SILVA, 2009). A forma\u00e7\u00e3o da sociedade francesa era composta, na \u00e9poca, de Primeiro Estado: clero com 0,5% da popula\u00e7\u00e3o; Segundo Estado: nobreza e funcion\u00e1rios reais com 1,5% da popula\u00e7\u00e3o; e Terceiro Estado: burguesia, camponeses e trabalhadores, compreendendo cerca de 98% da popula\u00e7\u00e3o (BARROSO, 2010). O Terceiro Estado sustentava a nobreza e o clero pagando autos impostos, eles n\u00e3o detinham poder pol\u00edtico e se, revoltassem contra o rei, eram punidos. (BARROSO, 2010).<\/p>\n<p>Com o Estado Franc\u00eas sendo afetado por crise financeira, gastos elevados com guerras, crise de abastecimento de alimentos e o aumento exacerbado de impostos, a popula\u00e7\u00e3o, tradicionalmente explorada, se revolta contra os benef\u00edcios usufru\u00eddos pela nobreza e pelo clero. Em decorr\u00eancia disso, o primeiro ato ocorreu em 14 de julho de 1789, ficou conhecida como a queda ou a derrubada da Bastilha, apresentada como s\u00edmbolo maior da opress\u00e3o feudal e da nobreza sobre a parcela explorada da sociedade francesa. (BARROSO, 2010).<\/p>\n<p>Os revolucion\u00e1rios buscavam tr\u00eas direitos: Liberdade para escolher os governantes, liberdade de express\u00e3o, etc.; Igualdade perante as outras classes sociais, aonde todos tivessem os mesmos direitos e deveres; Fraternidade, objetivo alcan\u00e7ado em 1799, com a Assembleia Constituinte que declarou serem, os direitos, para todos, acabando com os privil\u00e9gios da nobreza e do clero. (SILVA, 2009). O Ministro Luiz Roberto Barroso sustenta que:<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi contra a monarquia, que, de in\u00edcio, manteve-se inquestionada, mas contra o absolutismo, os privil\u00e9gios da nobreza, do clero e as rela\u00e7\u00f5es feudais no campo. Sob o lema liberdade, igualdade e fraternidade, promoveu-se um conjunto amplo de reformas antiaristocratas, que inclu\u00edram: a) a aboli\u00e7\u00e3o do sistema feudal; b) a promulga\u00e7\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos do Homem e do Cidad\u00e3o; c) a elabora\u00e7\u00e3o de uma nova Constitui\u00e7\u00e3o, conclu\u00edda em 1791; d) a denominada constitui\u00e7\u00e3o civil do clero. Essa primeira fase da revolu\u00e7\u00e3o, que foi de 1789 a 1792, consumou o fim do Antigo Regime e pretendeu criar uma monarquia constitucional e parlamentar, em que o rei deixava de ser soberano por direito pr\u00f3prio e passava a ser delegado da na\u00e7\u00e3o. (BARROSO, 2010, p. 41).<\/p>\n<p>O primeiro dos ideais que t\u00eam um reflexo na atualidade \u00e9 a liberdade, esta raz\u00e3o passou a ser defendida em outras Constituintes, tal como a Americana, em que Thomas Jefferson expressou que \u201ctodos os homens nascem e crescem iguais, com direitos inalien\u00e1veis\u201d (BARROSO, 2010, p. 43). Al\u00e9m disso, \u201cessa multid\u00e3o, aparecendo pela primeira vez na larga luz do dia, era na verdade a multid\u00e3o dos pobres e oprimidos, que nos s\u00e9culos anteriores estivera escondida na escurid\u00e3o e na vergonha&#8221; (ARENDT, 1987 apud BARROSO, 2010, p. 48).<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa para a liberdade de express\u00e3o pode ser vista na afirma\u00e7\u00e3o feita por Arendt (1987), citada por Barroso (2010, p. 48), pois afirma que, com as manifesta\u00e7\u00f5es, os oprimidos que estavam escondidos, sem ter a coragem de ir para a rua a fim de lutar pelos seus ideais e contra a opress\u00e3o do Estado e das classes dominantes passaram a reivindicar seus interesses. Com a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e o surgimento da burguesia o conceito de cidadania volta \u00e0 cena ganhando car\u00e1ter filos\u00f3fico principalmente com os contratualista Locke e Rousseau, nos s\u00e9culos XVII e XVIII, eles passaram afirmar o contrato social realizado pelas pessoas e o estado.<\/p>\n<p>O conceito de cidadania apresenta relev\u00e2ncia, pois \u00e9 inerente a todos desde ao nascimento e se vincula a ter o direito \u00e0 liberdade e \u00e0 igualdade perante o Estado. O processo de consolida\u00e7\u00e3o da cidadania implica na modifica\u00e7\u00e3o de s\u00faditos dos monarcas passando a ter liberdade de fazer suas escolhas pol\u00edticas e s\u00f3cias, emergindo, portanto, o cidad\u00e3o. (MORAIS, 2013). Com o surgimento da ideia de jusnaturalismo na qual o estado de natureza vem junto com a condi\u00e7\u00e3o de liberdade humana, para Locke precedia a condi\u00e7\u00e3o de cria\u00e7\u00e3o da comunidade pol\u00edtica. (MORAIS, 2013)<\/p>\n<p><b>3 O DIREITO DE LIBERDADE DE EXPRESS\u00c3O \u00c0 LUZ DA\u00a0<a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/constituicao-federal-1\" target=\"_blank\">CONSTITUI\u00c7\u00c3O DE 1988<\/a>: LIBERDADE DE MANIFESTA\u00c7\u00c3O E VEDA\u00c7\u00c3O AO ANONIMATO<\/b><\/p>\n<p>Farias fala que \u201ca liberdade de express\u00e3o tem como objeto a manifesta\u00e7\u00e3o de pensamentos, ideias, opini\u00f5es, cren\u00e7as e ju\u00edzos de valor\u201d (FARIAS, 2001, p.43) O mesmo autor descreve que a liberdade de express\u00e3o e a difus\u00e3o de ideias, pensamentos, opini\u00f5es, cren\u00e7as, ju\u00edzos de valor, fatos ou not\u00edcias. O direito \u00e0 liberdade express\u00e3o e garantido pela\u00a0<a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/constituicao-federal-1\" target=\"_blank\">Constitui\u00e7\u00e3o brasileira de 1988<\/a>, no\u00a0<a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/constituicao-federal-5\" target=\"_blank\">artigo 5\u00b0<\/a>:<\/p>\n<p><i>Todos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade, nos termos seguintes. (BRASIL, 1988)<\/i><\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/constituicao-federal-5\" target=\"_blank\">artigo 5\u00b0<\/a>, em sua primeira frase, protege claramente a liberdade de exprimir e de transmitir a sua opini\u00e3o.\u00a0 Segundo o mesmo n\u00e3o est\u00e1 protegido a divulga\u00e7\u00e3o de um fato cujo conte\u00fado n\u00e3o e verdade ou n\u00e3o e afirmado por ningu\u00e9m. Enquanto n\u00e3o for apresentada nenhuma prova pode invocar o\u00a0<a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/constituicao-federal-5\" target=\"_blank\">art. 5\u00b0<\/a>. Os incisos IV e V do\u00a0<a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/constituicao-federal-5\" target=\"_blank\">artigo 5\u00ba<\/a>\u00a0da\u00a0<a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/constituicao-federal-1\" target=\"_blank\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a>\u00a0cuidam da liberdade de manifesta\u00e7\u00e3o do pensamento:<\/p>\n<p><i>IV &#8211; \u00e9 livre a manifesta\u00e7\u00e3o do pensamento, sendo vedado o anonimato;<\/i><\/p>\n<p><i>V &#8211; \u00e9 assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, al\u00e9m da indeniza\u00e7\u00e3o por dano material, moral ou \u00e0 imagem. (BRASIL, 1988)<\/i><\/p>\n<p>O direito de resposta est\u00e1 guiado pelo m\u00e9todo da proporcionalidade, ou seja, a resposta deve ser assegurada no mesmo meio de comunica\u00e7\u00e3o em que ultraje foi difundido, e deve ter a mesma evidencia e dura\u00e7\u00e3o, valendo para todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o, ou tamanho (se em meio escrito). \u00c9 necess\u00e1rio evidenciar que o direito de resposta, por si s\u00f3, n\u00e3o afasta o direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o. (PAULO; ALEXANDRINO, 2005, p. 135)<\/p>\n<p>De acordo com o magist\u00e9rio de Lima (2015), a liberdade de express\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um direito absoluto, quando o exerc\u00edcio da liberdade de pensamento e express\u00e3o fere direito constitucionalmente reconhecido de outrem, h\u00e1 de existir o devido enquadramento e san\u00e7\u00e3o como determina a reda\u00e7\u00e3o contida no\u00a0<a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/constituicao-federal-5\" target=\"_blank\">art. 5\u00b0<\/a>, inciso V. Por seu turno, o inciso art. 5\u00b0, inciso IV, determina que a pessoa possa emitir a sua opini\u00e3o, mas \u00e9 proibido que ela n\u00e3o se identifique, vedando-se, dessa maneira, que o anonimato seja empregado como escudo para a manifesta\u00e7\u00e3o e responsabilizando o emitente de aludido ato.<\/p>\n<p>A veda\u00e7\u00e3o ao anonimato, que abrange todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o, tem o intuito de possibilitar a responsabiliza\u00e7\u00e3o de quem cause danos a terceiros em decorr\u00eancia da express\u00e3o de ju\u00edzos ou opini\u00f5es ofensivos, levianos, caluniosos, difamat\u00f3rios etc. (ALEXANDRINO; PAULO, 2015, p.131). Merece transcri\u00e7\u00e3o esta li\u00e7\u00e3o do Min. Celso de Melo, proferida em seu voto na quest\u00e3o de ordem suscitada no Inqu\u00e9rito 1.957\/PR, julgado em 11 de maio de 2005:<\/p>\n<p>Sabemos, Senhor Presidente, que o veto constitucional ao anonimato, nos termos em que enunciado (CF, art. 5.0, IV, &#8220;in fine&#8221;), busca impedir a consuma\u00e7\u00e3o de abusos no exerc\u00edcio da liberdade de m manifesta\u00e7\u00e3o do pensamento e na formula\u00e7\u00e3o de den\u00fancias ap\u00f3crifas, pois, ao exigir-se a identifica\u00e7\u00e3o de seu autor, visa-se, em \u00faltima an\u00e1lise, com tal medida, a possibilitar que eventuais excessos derivados de tal pr\u00e1tica sejam tornados pass\u00edveis de responsabiliza\u00e7\u00e3o, a posteriori, tanto na esfera civil quanto no \u00e2mbito penal, em ordem a submeter aquele que os cometeu \u00e0s consequ\u00eancias jur\u00eddicas de seu comportamento. [&#8230;] Torna-se evidente, pois, Senhor Presidente, que a cl\u00e1usula que pro\u00edbe o anonimato &#8211; ao viabilizar, a posteriori, a responsabiliza\u00e7\u00e3o penal e\/ou civil do ofensor &#8211; traduz medida constitucional destinada a desestimular manifesta\u00e7\u00f5es abusivas do pensamento, de que possa decorrer gravame ao patrim\u00f4nio moral das pessoas injustamente desrespeitadas em sua esfera de dignidade, qualquer que seja o meio utilizado na veicula\u00e7\u00e3o das imputa\u00e7\u00f5es contum\u00e9lias. (BRASIL, 2005, s.p)<\/p>\n<p>A livre manifesta\u00e7\u00e3o do pensamento, ao mesmo tempo em que constru\u00edda de direito constitucional do cidad\u00e3o, passou por ressalva para proibir a express\u00e3o an\u00f4nima de ideias. Avaliou o constituinte que a livre manifesta\u00e7\u00e3o do pensamento, de formato an\u00f4nimo, n\u00e3o acha respaldo no princ\u00edpio democr\u00e1tico de direito. (SANTOS, 2014, p. 9) Em complemento, n\u00e3o se apresenta desarrazoado transcrever a disposi\u00e7\u00e3o contida no\u00a0<a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/constituicao-federal-220\" target=\"_blank\">artigo 220<\/a>\u00a0da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, em especial o teor do \u00a72\u00ba que, com clareza ofuscante, dita que:<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o do pensamento, a cria\u00e7\u00e3o, a express\u00e3o e a informa\u00e7\u00e3o, sob qualquer forma, processo ou ve\u00edculo n\u00e3o sofrer\u00e3o qualquer restri\u00e7\u00e3o, observado o disposto nesta Constitui\u00e7\u00e3o. \u00a7 2\u00ba \u00c9 vedada toda e qualquer censura de natureza pol\u00edtica, ideol\u00f3gica e art\u00edstica.\u00a0 (BRASIL, 1988)<\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/constituicao-federal-220\" target=\"_blank\">artigo 220<\/a>\u00a0garante liberdade de express\u00e3o vedando qualquer censura por parte de pol\u00edticos, artistas, religiosos, militares, etc. Trata-se de cl\u00e1usula constitucional que reflete o passado hist\u00f3rico brasileiro, cuja censura foi adotada como pr\u00e1tica do Estado para cercear a liberdade de express\u00e3o, mantendo um discurso harmonioso com as pr\u00e1ticas empregadas. Nesta linha, a Constitui\u00e7\u00e3o, enquanto uma produ\u00e7\u00e3o de cunho sociol\u00f3gico, reconhece que a liberdade de express\u00e3o consiste em baldrame de sustenta\u00e7\u00e3o do Estado Democr\u00e1tico de Direito, n\u00e3o havendo que se cogitar no emprego da censura como mecanismo admiss\u00edvel na ordem vigente e no sistema republicano adotado.<\/p>\n<p><b>4 LIBERDADE DE EXPRESS\u00c3O EM TEMPO DE CRISE: DISCURSO DE \u00d3DIO E INTOLER\u00c2NCIA NAS PLATAFORMAS POL\u00cdTICAS CONTEMPOR\u00c2NEAS<\/b><\/p>\n<p>Em verdade, abordar o discurso do \u00f3dio de uma variante da Liberdade do Pensamento e, como tal, como apenas sentimento de rejei\u00e7\u00e3o ou \u00f3dio n\u00e3o externado, n\u00e3o tem interesse para o mundo jur\u00eddico. (CASTRO; FREITAS, 2013, p. 18). Entrementes, quando manifestado, o discurso do \u00f3dio ecoa como express\u00e3o do pensamento e, de acordo com as pondera\u00e7\u00f5es de Jeremy Waldron (2010), passa a provocar consequ\u00eancias nocivas que poder\u00e3o persistir no tempo de acordo com o ve\u00edculo de transmiss\u00e3o utilizado. Deste modo, a palavra difundida oralmente, conduzida ao p\u00fablico trar\u00e1 impacto imediato, mas, se impressa e publicada, conseguira causar um detrimento que permanecer\u00e1 ao longo do tempo. Logo, \u00e9 admiss\u00edvel assegurar que um discurso consoante o meio de divulga\u00e7\u00e3o escolhido promover\u00e1 maior impacto. (SILVA, 2011).<\/p>\n<p>Na busca de uma considera\u00e7\u00e3o funcional para o discurso do \u00f3dio, observa-se que tal discurso proporciona como elemento central a express\u00e3o do pensamento que desclassifica, rebaixa-se e inferioriza pessoas e grupos sociais. Esse discurso tem por finalidade espalhar-se a discrimina\u00e7\u00e3o desrespeitosa para com conglomerado que possa ser considerado \u201cdiferente\u201d, quer pelo motivo de sua etnia, sua op\u00e7\u00e3o sexual, sua categoria econ\u00f4mica ou seu g\u00eanero, para causar a sua exclus\u00e3o social. (CASTRO; FREITAS, 2013, p.19)<\/p>\n<p>Observa-se que o discurso de \u00f3dio, al\u00e9m das discrimina\u00e7\u00f5es de grupos minorit\u00e1rios, o foco central do \u00f3dio \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o do outro. Ainda que um sujeito n\u00e3o seja mencionado nesse discurso existir\u00e1 viol\u00eancia \u00e0 parte social ao qual ele compete, na sua totalidade. (SILVEIRA, 2007). Uns autores, a exemplo de Lee (1990), atribuem a Voltaire a responsabilidade pela justifica\u00e7\u00e3o do discurso do \u00f3dio como manifesta\u00e7\u00e3o verdadeira do pensamento, indispens\u00e1vel \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o da democracia. De modo que em casos a toler\u00e2ncia deveria decorrer dos setores discriminados que suportar as ofensas originadas dos discursos em nome da defesa da democracia.\u00a0 Segundo Castro e Freitas (2013), o discurso de \u00f3dio n\u00e3o pode ser aceito em raz\u00e3o da Liberdade de Express\u00e3o, pois ferem os exerc\u00edcios da cidadania afetando a democracia.<\/p>\n<p>Os termos \u201cDireita\u201d e \u201cEsquerda\u201d surgiram nas Assembleias Francesas do s\u00e9culo XVIII, tendo vincula\u00e7\u00e3o com o local em que os indiv\u00edduos se sentavam. Com o passar dos tempos, os termos ganharam novas defini\u00e7\u00f5es e ressignifica\u00e7\u00f5es, expressando ideologias pol\u00edtico-econ\u00f4micas adotadas. Assim, a \u201cdireita\u201d \u00e9 empregada para aquelas pessoas que adotam o liberalismo econ\u00f4mico, ao passo que a \u201cesquerda\u201d designa, de maneira geral, as pessoas que focam na igualdade. (COHEN; DALMOLIN; SILVA, 2016, p. 5). Atualmente, no Brasil, segundo as pondera\u00e7\u00f5es de Cohen, Dalmolin e Silva (2016, p. 5), a \u201cDireita\u201d e \u201cEsquerda\u201d v\u00eam causando uma divis\u00e3o no pa\u00eds. Segundo os autores, esta divis\u00e3o n\u00e3o afeta apenas o campo pol\u00edtico, mas as redes sociais tamb\u00e9m, sendo que, na internet, grupo de situa\u00e7\u00e3o e oposi\u00e7\u00e3o transforma as redes sociais em um verdadeiro campo de batalha. Logo, s\u00e3o empregados termos depreciativos e uma escalada de ofensas para legitimar a ideologia adotada e desqualificar a oposi\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>Como resultado do panorama pol\u00edtico gerado a partir das elei\u00e7\u00f5es de 2014, \u201ccoxinhas\u201d e \u201cpetralhas\u201d realizam intenso debate nas redes, na maioria das vezes com xingamentos e discursos rasos, que incentivam o \u00f3dio e a divis\u00e3o. Do total de mensagens analisadas, 219.272 tinham cunho pol\u00edtico, sendo que 97,4% delas abordavam aspectos negativos. A segrega\u00e7\u00e3o virtual foi materializada no muro erguido no gramado do Congresso Nacional para separar manifestantes contra e a favor do afastamento da presidente Dilma Rousseff. (MATSUURA, 2016, s.p)<\/p>\n<p>Segundo Braga (2018, p. 203), \u201cFake News\u201d e a divulga\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas s\u00e3o empregadas, no contexto mais contempor\u00e2neo, com o intuito de atrair olhares para obter vantagens pol\u00edticas ou econ\u00f4micas. Segundo o mesmo autor este fen\u00f4meno j\u00e1 vem se consolidando em todo o planeta, alguns estudos chegaram a atribuir a vit\u00f3ria de Donald Trump, eleito presidente dos EUA, em 2016, gra\u00e7as ao uso de not\u00edcias inver\u00eddicas (BRAGA, 2013). Neste sentido, ainda, pode-se colacionar<\/p>\n<p>A Deputada PSB teve a palavra e destacou a banaliza\u00e7\u00e3o dos crimes, a prostitui\u00e7\u00e3o infantil e a import\u00e2ncia da fam\u00edlia na condu\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o dos filhos. Em seguida, o Deputado PSC-1 tomou a palavra para si e relatou a import\u00e2ncia do Dia Nacional da Valoriza\u00e7\u00e3o da Fam\u00edlia, institu\u00eddo pela Presidenta Dilma Rousseff, da fam\u00edlia como c\u00e9lula mater. da sociedade e do Estatuto do Nascituro. Depois, teve a palavra o Deputado Pastor PSB-2, que concedeu a palavra ao Presidente da CDHM, o Deputado Pastor PSC-2, o qual questionou ao Presidente da CNEF a defini\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia natural. O Sr. P esclareceu o questionamento, definindo fam\u00edlia natural aquela constitu\u00edda por homem e mulher. (CDHM, 2013 apud ANTUNES, 2016, s.p)<\/p>\n<p>Segundo Antunes (2015), o qu\u00ea se destacou na fala da deputada foi que ela falou sobre uma esp\u00e9cie de fam\u00edlia j\u00e1 existente e natural, contudo esqueceu-se de falar dos outros tipos de fam\u00edlia, por exemplo, j\u00e1 at\u00e9 reconhecida pelo STF, como fam\u00edlia de homossexuais. Veja-se que a fala apresentada acima traz consigo claros e expl\u00edcitos contornos de intoler\u00e2ncia ao movimento de um grupo minorit\u00e1rio, na arena pol\u00edtica nacional, no que atina ao processo de reconhecimento de direitos basilares, a exemplo da constitui\u00e7\u00e3o familiar.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 uma falta de respeito. Lamentavelmente, existe esse tipo de companheiro aqui que quer aproveitar qualquer espa\u00e7o para se projetar na m\u00eddia. Esse, sim, que \u00e9 o interesse politiqueiro. Isso \u00e9 para aparecer, Sr. Presidente. N\u00f3s n\u00e3o estamos aqui para aparecer, mas para defender princ\u00edpios. Lamentavelmente&#8230; Quem fala de cura gay n\u00e3o somos n\u00f3s, n\u00e3o! Quem fala de cura gay \u00e9 o pr\u00f3prio Conselho de Psicologia. S\u00e3o eles que usam essa express\u00e3o, n\u00e3o somos n\u00f3s, n\u00e3o. A imprensa abra\u00e7ou e est\u00e1 divulgando dessa forma. N\u00f3s estamos indo de encontro, exatamente, \u00e0 linguagem que o pr\u00f3prio Conselho de Psicologia usou. Eu quero parabenizar o Deputado PR-1 pelo relat\u00f3rio. (Aplausos na plateia.) Eu quero parabenizar V. Exa. pela forma como conduziu. (CDHM, 2013 apud ANTUNES, 2016, s.p)<\/p>\n<p>De acordo com Antunes (2015), o deputado pastor tenta colocar como m\u00e1rtir e defensor dos princ\u00edpios, contra todos que tentam macular a sua imagem, a imagem de um defensor da fam\u00edlia tradicional, pensada como aquela constitu\u00edda por um homem e por uma mulher. Todavia, na verdade, seu interesse \u00e9 se promover e obter votos do segmento mais conservador e tradicional da sociedade brasileira, al\u00e9m da manipula\u00e7\u00e3o das massas. Antunes, ainda, aponta que<\/p>\n<p>Estudando nesse fim de semana com meu filho de 15 anos de idade, com quem eu estudo sempre, eu me surpreendi ao ver nos livros de Geografia e Hist\u00f3ria &#8211; e olhem que ele estuda no Ph, no Rio de Janeiro, uma escola particular que cobra 2 mil reais por m\u00eas &#8211; um cap\u00edtulo falando sobre Cuba. Eu acho que tudo aqui \u00e9 um projeto de poder: destruir a fam\u00edlia, est\u00edmulo ao homossexualismo logo na inf\u00e2ncia, o Projeto de Lei da Palmada, entre outros. Eu fiquei surpreso porque, no cap\u00edtulo sobre Cuba, diz o livro que Fidel Castro derrubou a ditatura de Fulg\u00eancio Batista, implantou o socialismo e, para grande vantagem para Cuba, erradicou o desemprego, a mis\u00e9ria e o analfabetismo. Ou seja, um louvor ao regime cubano &#8211; que n\u00e3o fala em nenhum momento de ditadura cubana. Mais \u00e0 frente, quando est\u00e1 em quest\u00e3o o per\u00edodo militar, diz o livro &#8211; e eu n\u00e3o sabia disso &#8211; que M\u00e9dici foi o maior carrasco que j\u00e1 houve na hist\u00f3ria do mundo! Ent\u00e3o, o socialismo est\u00e1 chegando \u00e0s escolas de ensino fundamental &#8230; mais cedo ou mais tarde, quando acordarmos, veremos a molecada, em vez de ir \u00e0s ruas por uma campanha limpa e decente em prol da democracia e contra a corrup\u00e7\u00e3o, fazer uma campanha em prol do socialismo. Era esse o meu recado, Sr. Presidente &#8230; N\u00f3s devemos buscar um norte para esta Comiss\u00e3o, porque n\u00e3o podemos deixar que esse mal cres\u00e7a nas escolas de ensino fundamental, como mais uma proposta deste Governo do PT.<\/p>\n<p>(CDHM, 2013 apud ANTUNES,2016, s.p)<\/p>\n<p>O deputado, ao falar a suas ideias sobre o estudo do seu filho, ataca a \u201cesquerda\u201d, acusando-a de estar manipulando o ensino no Brasil para se manter no poder e implantar, no pa\u00eds, seus ideais. Do excerto acima, o parlamentar pondera que h\u00e1, de maneira indevida, uma exalta\u00e7\u00e3o dos modelos tradicionalmente considerados de \u201cesquerda\u201d, a exemplo do implantado em Cuba. Logo, ele usa, como defesa da sua agressividade, o argumento de estar lutando contra os males da esquerda. (ANTUNES, 2013, p.7).<\/p>\n<p>Quando apresentei esse projeto, Sr. Presidente, at\u00e9 pensei que ter\u00edamos aplausos, inclusive dos ativistas do segmento LGBT, porque uma das finalidades desse projeto \u00e9 resgatarmos a premissa inicial do art. 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o: todos s\u00e3o iguais perante a lei. E essa resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Federal de Psicologia ofende esse princ\u00edpio, na medida em que discrimina o homossexual e n\u00e3o d\u00e1 o mesmo tratamento ao heterossexual. Ora, estanha-me, porque uma das bandeiras dos ativistas do movimento LGBT \u00e9 a igualdade, e esse projeto prop\u00f5e resgatar a igualdade, j\u00e1 que a resolu\u00e7\u00e3o ofende esse princ\u00edpio, mas estranhamente eles se colocaram contra. \u00c9 uma mentira, ent\u00e3o, a bandeira da igualdade? Ser\u00e1 uma mentira? Houve momentos em que tive essa d\u00favida. A bandeira da igualdade \u00e9 colocada no palanque quando conv\u00e9m? Como \u00e9 isso?\u00a0 (CDHM, 2013 apud ANTUNES, 2016, s.p)<\/p>\n<p>Segundo Antunes (2015, p. 06), o deputado colocou a ideia de igualdade fora de contexto \u201ca-hist\u00f3rica e fora do ambiente social em que a desigualdade, as normas morais e os costumes sociais s\u00e3o produzidos e operam de forma a enquadrar e suprimir o diferente\u201d. O parlamentar n\u00e3o considerou equivocado o fato dos grupos vinculados \u00e0s minorias sexuais se manifestarem contra o projeto, pois eram discriminados. Neste sentido,<\/p>\n<p>Ora, se algumas pessoas gostam de pr\u00e1ticas que, para mim, s\u00e3o esquisitas, por que eu tenho que concordar com essa situa\u00e7\u00e3o? Isto aqui \u00e9 o reflexo, o espelho da sociedade. Aqui v\u00eam pessoas que representam a sociedade. Se, por um lado, alguns acham que essa pr\u00e1tica de sexo \u00e9 correta, por outro lado, existem milh\u00f5es que n\u00e3o a querem. Se alguns s\u00e3o as vozes das ruas, outros s\u00e3o as vozes dos lares, das fam\u00edlias. \u00c9 preciso aprender a respeitar a diversidade de opini\u00f5es. E, a\u00ed, quem \u00e9 o cara-de-pau aqui?&#8230; Existem parlamentares aqui que representam fam\u00edlias. E a presen\u00e7a desses parlamentares aqui significa que todas as vozes da sociedade&#8230; Somos uma sociedade plural&#8230; Eu estou aqui para defender um segmento, para defender fam\u00edlias cat\u00f3licas, evang\u00e9licas, protestantes, pentecostais ou tradicionais, pessoas que entendem que a fam\u00edlia tem que ser defendida. \u00c9 isso que n\u00f3s estamos fazendo. Agora, por eu ter uma opini\u00e3o contr\u00e1ria, eu estou errado, sou fundamentalista? Bom seria que toda sociedade fosse fundamentalista. Os gays n\u00e3o acham que eles est\u00e3o certos? Pois eu acho que n\u00e3o est\u00e1 certo e acabou. \u00c9 meu pensamento&#8230; Eu n\u00e3o posso aceitar essa situa\u00e7\u00e3o. Se voc\u00ea gosta dessa pr\u00e1tica, eu n\u00e3o gosto e acabou! E acho que n\u00e3o vamos formar fam\u00edlias assim. Pela minha forma\u00e7\u00e3o, eu entendo que isso \u00e9 o resultado de uma influ\u00eancia sofrida no per\u00edodo do despertar do sexo. No despertar do sexo, a coisa \u00e9 muito forte, e o menino, nas suas primeiras experi\u00eancias, \u00e0s vezes n\u00e3o tem coragem de buscar uma menina e vice-versa. E os pais, recatados, tamb\u00e9m n\u00e3o conseguem orientar. A\u00ed come\u00e7a, vamos dizer, se n\u00e3o uma doen\u00e7a, pelo menos um desvio daquilo que deveria ser o correto, seja pelo argumento psicossom\u00e1tico, seja pelo argumento \u00e9tico, seja pelo argumento mais simples de todos, o est\u00e9tico, e seja tamb\u00e9m pelo argumento da vida: homem com homem n\u00e3o gera vida, mulher com mulher n\u00e3o gera vida.\u00a0 (CDHM, 2013 apud ANTUNES, 2016, s.p)<\/p>\n<p>Ao resguardar a opini\u00e3o como uma ideia pr\u00f3pria e livre de cada sujeito, sem considerar onde a pessoa foi formado e o seu passado, o parlamentar acima certifica o princ\u00edpio contradit\u00f3rio da ideia de toler\u00e2ncia, t\u00e3o ramificada pelos apoiadores de uma democracia formal, que entendem a liberdade pessoal como precau\u00e7\u00e3o e primazia, omitem a forma\u00e7\u00e3o social de cada pessoa apoiam e divulgam a viabilidade e a obriga\u00e7\u00e3o de\u00a0 respeitar\u00a0 e propagar vis\u00f5es que discriminam \u00e9 banais de mundo, ao contr\u00e1rio do conceito de democracia, no qual \u00e9 impens\u00e1vel a exist\u00eancia de pessoas aut\u00f4nomas e conscientes de suas causas e possibilidade de mudar o mundo. (ADORNO, 1995)<\/p>\n<p>Segundo Silva (2018), o \u00f3dio politico a religi\u00f5es de matrizes africanas se deve ao fato de, no Brasil, a maior parte dos pol\u00edticos s\u00e3o advindos da matriz crist\u00e3, mesmo o pa\u00eds sendo um Estado Laico. De maneira exemplificativa, verifica-se tal comportamento em algumas representa\u00e7\u00f5es, como nas c\u00e9dulas da moeda nacional est\u00e1 escrito \u201cDeus seja louvado\u201d; nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, os crucifixos; e o crescimento da bancada evang\u00e9lica no Congresso com agendas voltadas para o interesse dos evang\u00e9licos. Al\u00e9m disso, a regulamenta\u00e7\u00e3o do Ensino Religioso nos col\u00e9gios voltado para o cristianismo, bem como discursos de parlamentares depreciando os seguidores de religi\u00f5es africanas s\u00e3o exemplos das manifesta\u00e7\u00f5es de intoler\u00e2ncia e da deturpa\u00e7\u00e3o do Estado laico. N\u00e3o \u00e9 demais lembrar que, como noticiado pela Revista Exame, em 2013, o deputado Marcos Feliciano postou no Twitter que os africanos eram descendentes de um ancestral amaldi\u00e7oado por No\u00e9.<\/p>\n<p>O discurso empregado nas falas de pol\u00edticos proporciona que ele seja identificado como manifesta\u00e7\u00e3o de concretiza\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio republicano e do princ\u00edpio democr\u00e1tico. Contudo, o discurso, enquanto liberdade de express\u00e3o, deve encontrar barreiras no contexto \u00e9tico, a fim de evitar que seja distorcido. Aludidas falas passam a ter relev\u00e2ncia na conjuntura politica e jur\u00eddica, considerando os limites de uma democracia amparada em direitos humanos (LEIVAS, SANTOS, SCH\u00c4FER, 2015, p.10)<\/p>\n<p>Pode-ser indagar se h\u00e1 implica\u00e7\u00f5es e san\u00e7\u00f5es quando as falas de \u00f3dio s\u00e3o praticadas por parlamentares ou como manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. No Brasil, quando se fala no discurso de \u00f3dio, al\u00e9m do desgaste natural presente com a liberdade de express\u00e3o, os parlamentares, de maneira geral, invocam a imunidade \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de suas manifesta\u00e7\u00f5es. Para tanto, os parlamentares empregam as disposi\u00e7\u00f5es alicer\u00e7adas nos artigos 53 e 55, \u00a72\u00ba, que asseguram a inviolabilidade, civil e penal, das opini\u00f5es, falas e votos expressados pelos parlamentares. (LEIVAS, SANTOS, SCH\u00c4FER, 2015, p.10).<\/p>\n<p>No julgamento, em sede do Inqu\u00e9rito n\u00b0 3.590, os ministro do Supremo Tribunal Federal abordaram o tema discurso de \u00f3dio e sua utiliza\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio nacional. A Suprema Corte acolheu a fala da defesa, considerando indevidas as express\u00f5es empregadas pelo deputado Marcor Feliciano. Assim, o STF esclareceu que a prote\u00e7\u00e3o da imunidade parlamentar acontece quando as falas do parlamentar est\u00e3o ligadas com sua atividade. (LEIVAS, SANTOS, SCH\u00c4FER, 2015).<\/p>\n<p><b>5 CONCLUS\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>Nas expectativas de situar os formatos da liberdade de express\u00e3o e pesquisar o seu conte\u00fado, encontrou-se discursos ofensivos como manifesta\u00e7\u00e3o agressiva, direcionada especificamente a grupo de pessoas com representatividade t\u00edmida na arena jur\u00eddica-pol\u00edtica. Neste aspecto, a liberdade de express\u00e3o \u00e9 o ponto culminante em um processo de consolida\u00e7\u00e3o do Estado e da figura do cidad\u00e3o, dotado de capacidade de se manifestar e de se expressar, sem que isso, a rigor, implique em censuras pelo Estado.<\/p>\n<p>Os fundamentos hist\u00f3ricos do processo de consolida\u00e7\u00e3o do direito em comento remonta dois marcos de elevada proemin\u00eancia, quais sejam: Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e a Revolu\u00e7\u00e3o Americana. Para tanto, h\u00e1 que se considerar a emerg\u00eancia de um Estado liberal, dotado de objetividade e de interven\u00e7\u00e3o m\u00ednima no \u00e2mbito social, contrapondo-se ao Estado absolutista, de \u00edndole subjetiva e que se confundia com o pr\u00f3prio monarca. Assim, ultrapassa-se a figura do s\u00fadito, recebedor estrito das benesses do monarca, para a figura aut\u00f4noma e independente do cidad\u00e3o, capaz de transitar no cen\u00e1rio pol\u00edtico.<\/p>\n<p>A consagra\u00e7\u00e3o de tal direito, no\u00a0<a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/constituicao-federal-1\" target=\"_blank\">Texto Constitucional de 1988<\/a>, estabelece-se uma rela\u00e7\u00e3o direta entre os denominados direitos individuais, o princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana e a consolida\u00e7\u00e3o do Estado Democr\u00e1tico de Direito. Apesar da consolida\u00e7\u00e3o de tal direito, o Texto de 1988 veda o exerc\u00edcio de maneira an\u00f4nima, bem como sua deturpa\u00e7\u00e3o, sob o formato de discurso de \u00f3dio e de intoler\u00e2ncia, incitando a discrimina\u00e7\u00e3o e o \u00f3dio, em especial, tal como dito acima, contra os grupos considerados mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>No contexto vigente, admitir a deturpa\u00e7\u00e3o do discurso de \u00f3dio \u00e9 assenhorar a possibilidade de polariza\u00e7\u00e3o entre grupos de \u00edndole tradicionalmente dominante e com representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e \u00e0queles que est\u00e3o no processo de lutas, de reivindica\u00e7\u00f5es e de inser\u00e7\u00e3o, na pauta pol\u00edtica, de direitos. Mais do que isso, o discurso de \u00f3dio \u00e9 elemento que coloca em risco a pr\u00f3pria natureza do direito de liberdade de express\u00e3o, subsidiando comportamentos intolerantes e que s\u00e3o capazes de aviltar a dignidade da pessoa humana.<\/p>\n<p>Logo, \u00e0 guisa de arremate, conceber o discurso de \u00f3dio como manifesta\u00e7\u00e3o da liberdade de express\u00e3o \u00e9 admitir, no ordenamento jur\u00eddico nacional, dotado de democracia e cuja Constitui\u00e7\u00e3o Federal apresenta objetivos espec\u00edficos de edifica\u00e7\u00e3o de uma sociedade justa e livre da discrimina\u00e7\u00e3o, a viola\u00e7\u00e3o direta da dignidade inerente aos grupos-alvo de tais discursos. Em tempos de crise, o discurso de \u00f3dio se traveste, indevidamente, da liberdade de express\u00e3o para acentuar tratamentos discriminat\u00f3rios e intoler\u00e2ncias, o qu\u00ea \u00e9 defeso pelo ordenamento jur\u00eddico nacional.<\/p>\n<p><b>REFER\u00caNCIAS<\/b><\/p>\n<p>ANTUNES, Deborah Christina. Toler\u00e2ncia e democracia hoje: o discurso de deputados em defesa da posi\u00e7\u00e3o conservadora.\u00a0 Sobral\/CE. 2015. Dispon\u00edvel em:\u00a0. Acessado em: 14 ago. 2018.<\/p>\n<p>ALEXANDRINO, Marcelo; PAULO, Vicente. Direito Constitucional Descomplicado. 14 ed. S\u00e3o Paulo. Editora M\u00e9todo, 2015.<\/p>\n<p>BRAGA, Ren\u00ea Morais da Costa. A Ind\u00fastria das Fake News e o discurso de \u00f3dio. In: PEREIRA, Rodolfo Viana (org.). Direitos Pol\u00edticos, Liberdade de express\u00e3o e discurso de \u00f3dio. v. 1. Belo Horizonte: IDDE, 2018. Dispon\u00edvel em:\u00a0 \u00a0http:\/\/bibliotecadigital.tse.jus.br\/xmlui\/bitstream\/handle\/bdtse\/4443\/2018_pereira_direitos_politicos_liberdade.pdf?sequence=1%26isAllowed=y. Acesso em: 12 ago. 2018.<\/p>\n<p>BARROSO, Luiz Roberto. Curso de Direito Constitucional Contempor\u00e2neo: os conceitos fundamentais e a constru\u00e7\u00e3o do novo modelo. 2 ed. Rio de Janeiro: Saraiva, 2010.<\/p>\n<p>BRASIL. C\u00e2mara dos Deputados: Comiss\u00e3o de Direitos Humanos e Minorias &#8211;\u00a0 Reuni\u00e3o ordin\u00e1ria n. 790\/2013. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.camara.leg.br\/internet\/sitaqweb\/TextoHTML.asp?etapa=11%26nuSessao=0790\/13.\u00a0 Acesso em: 14 ago. 2018.<\/p>\n<p>__________. Constitui\u00e7\u00e3o (1988). Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil. Promulgada em 05 de outubro de 1988. Dispon\u00edvel em:\u00a0. Acesso em 12 ago. 2018.<\/p>\n<p>__________. Supremo Tribunal Federal: Informativo n\u00ba 393, 20-24 jun. 2005. Dispon\u00edvel em:\u00a0. Acesso em: 10 ago. 2018.<\/p>\n<p>CASTRO, M. F. de; FREITAS, R. S. de. Liberdade de Express\u00e3o e Discurso do \u00d3dio: um exame sobre as poss\u00edveis limita\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade de express\u00e3o. In: Sequ\u00eancia: Estudos Jur\u00eddicos e Pol\u00edticos, Florian\u00f3polis, v. 34, n. 66, jul. 2013, p. 327-355.\u00a0 \u00a0Dispon\u00edvel em:\u00a0. Acesso em: 10 ago. 2018.<\/p>\n<p>COHEN, Leandra; DALMOLIN, Aline; SILVA, Mariana R. da. Humaniza Redes: Direitos humanos e discursos de \u00f3dio nas redes sociais. In: XVII Congresso de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o na Regi\u00e3o Sul, ANAIS&#8230;, Curitiba, 26-28 mai. 2016, p. 1-15. Dispon\u00edvel em:\u00a0. Acesso em: 12 ago. 2018.<\/p>\n<p>LEAL, Rosane da Silva. Discursos de \u00f3dio em redes sociais: jurisprud\u00eancia brasileira. In: Revista de Direito da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, S\u00e3o Paulo, a. 4, v. 7, n. 2, jul.-dez. 2011, p. 445-468. Dispon\u00edvel em:\u00a0. Acesso em 26 ago. 2018.<\/p>\n<p>LEE, Simon. The cost of free speech. Londres: Faber and Faber, 1990.<\/p>\n<p>LEIVAS, Paulo Gilberto Cogo; SANTOS, Rodrigo Hamilton dos; SCH\u00c4FER, Gilberto. Discurso de \u00f3dio: Da abordagem conceitual ao discurso parlamentar. In: Revista de Informa\u00e7\u00e3o Legislativa, Bras\u00edlia, a. 52, n. 207, jul.-set. 2015, p. 143-158. Dispon\u00edvel em:\u00a0. Acesso em: 25 ago. 2018<\/p>\n<p>MORAIS, Ingrid Agrassar. A Constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do conceito de cidadania: o que significa ser cidad\u00e3o na sociedade contempor\u00e2nea? In: XI Congresso Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, II Semin\u00e1rio Internacional de Representa\u00e7\u00f5es Sociais e IV Semin\u00e1rio Internacional sobre Profissionaliza\u00e7\u00e3o Docente, ANAIS&#8230;, Curitiba, 23-26 set. 2013, p. 20.908-20.922. Dispon\u00edvel em:\u00a0. Acesso em: 15 ago. 2018.<\/p>\n<p>MATSUURA, S\u00e9rgio. Brasil cultivar discurso de \u00f3dio nas redes sociais, mostra pesquisa. In: O Globo: portal eletr\u00f4nico de informa\u00e7\u00f5es, 3 ago. 2016. Dispon\u00edvel em:\u00a0. Acesso em: 12 ago. 2018.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>PREVIDELLI, Amanda. 13 tu\u00edtes pol\u00eamicos do pastor e deputado Marco Feliciano. In: Exame, S\u00e3o Paulo, 2013, s.p. Dispon\u00edvel em:\u00a0. Acesso em: 22 ago. 2018.<\/p>\n<p>SILVA, J\u00falio Joaquim da Costa Rodrigues da. A Guerra da Independ\u00eancia dos E.U.A. e os diplomatas Portugueses: Lu\u00eds Pinto de Sousa Coutinho e os Prim\u00f3rdios do conflito (1774-1776). Dispon\u00edvel em:\u00a0. Acesso em: 10 ago. 2018.<\/p>\n<p>SILVA, Yane Marcelle Pereira. \u201cEsses Nordestinos&#8230;\u201d: Discurso de \u00d3dio em Redes Sociais da internet na Elei\u00e7\u00e3o Presidencial de 2014. 149f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Direitos Humanos e Cidadania) \u2013 Universidade de Bras\u00edlia, Bras\u00edlia, 2016. Dispon\u00edvel em:\u00a0. Acesso em: 25 ago. 2018<\/p>\n<p>SILVEIRA, R. M. da. Liberdade de express\u00e3o e discurso do \u00f3dio. 132f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Direito) &#8211; Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007.<\/p>\n<p>WALDRON, Jeremy. Dignity and defamation: the visibility of hate Harvard Law Review.\u00a0 Massachusetts: Havard, 2010. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n<p><b>Autores:<\/b><\/p>\n<p><b>Domingos S\u00e1vio Peres do Amaral<\/b>\u00a0\u00e9 Graduando do curso de Direito da Faculdade Metropolitana S\u00e3o Carlos (FAMESC) \u2013 Unidade Bom Jesus do Itabapoana. E-mail: domingosamaraliff@gmail.com<\/p>\n<p><b>Larissa Vieira de Rezende<\/b>\u00a0\u00e9 Graduando do curso de Direito da Faculdade Metropolitana S\u00e3o Carlos (FAMESC) \u2013 Unidade Bom Jesus. E-mail: larissavieirarezande@gmail.com<\/p>\n<p><b>Tau\u00e3 Lima Verdan Rangel<\/b>\u00a0\u00e9 Professor Orientador. Mestre e Doutor em Ci\u00eancias Jur\u00eddicas e Sociais pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia e Direito da Universidade Federal Fluminense. Especialista Lato Sensu em Gest\u00e3o Educacional e Pr\u00e1ticas Pedag\u00f3gicas pela Faculdade Metropolitana S\u00e3o Carlos. Especialista Lato Sensu em Pr\u00e1ticas Processuais \u2013 Processo Civil, Processo Penal e Processo do Trabalho pelo Centro Universit\u00e1rio S\u00e3o Camilo- ES. Professor dos Cursos de Direito e Medicina da Faculdade Metropolitana S\u00e3o Carlos, campi Bom Jesus do Itabapoana-RJ, e do Curso de Direito do Instituto de Ensino Superior do Esp\u00edrito Santo (MULTIVIX) \u2013 unidade de Cachoeiro de Itapemirim-ES. E-mail: taua_verdan2@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O objetivo do presente \u00e9 analisar a liberdade de express\u00e3o como direito fundamental, na ordem&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5527,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-5909","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5909","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5909"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5909\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5910,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5909\/revisions\/5910"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5527"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5909"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5909"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5909"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}