{"id":5446,"date":"2018-03-09T16:20:06","date_gmt":"2018-03-09T16:20:06","guid":{"rendered":"http:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=5446"},"modified":"2018-03-09T16:20:06","modified_gmt":"2018-03-09T16:20:06","slug":"presas-gravidas-e-com-filhos-pequenos-poderao-cumprir-prisao-em-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=5446","title":{"rendered":"Presas gr\u00e1vidas e com filhos pequenos poder\u00e3o cumprir pris\u00e3o em casa"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Medida vale para mulheres ainda n\u00e3o julgadas, decide STF, ap\u00f3s pedido de entidades<\/h2>\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Ministros entenderam que ela \u00e9 necess\u00e1ria para prote\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as<\/h2>\n<p>Fonte | El Pais<\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/stf_supremo_tribunal_federal\/a\" target=\"_blank\">Supremo Tribunal Federal<\/a>\u00a0(STF) concedeu um habeas corpus coletivo que transformar\u00e1 em pris\u00e3o domiciliar a pris\u00e3o preventiva (sem condena\u00e7\u00e3o) de presas gestantes, com filhos com at\u00e9 12 anos ou com defici\u00eancia. A medida deve beneficiar ao menos 4.560 mulheres e 1.746 crian\u00e7as que est\u00e3o em pres\u00eddios de todo o pa\u00eds, nas contas do Coletivo de Advogados em Direitos Humanos (CADHu), que entrou com a a\u00e7\u00e3o coletiva no \u00f3rg\u00e3o. A decis\u00e3o foi classificada como &#8220;hist\u00f3rica&#8221; pelo ministro Celso de Mello, que ressaltou que ser\u00e1 um marco significativo na evolu\u00e7\u00e3o do tratamento que o Supremo tem dispensado aos direitos fundamentais das pessoas. A decis\u00e3o n\u00e3o beneficiar\u00e1 presas que praticaram crimes com viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a e contra seus descendentes. Ela deve ser implementada em todo o pa\u00eds em at\u00e9 60 dias.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do STF \u00e9 uma resposta ao habeas corpus 143.641, protocolado em maio do ano passado pelo coletivo de advogados e apoiado por diversas entidades, entre elas a Pastoral Carcer\u00e1ria, defensorias p\u00fablicas de diversos Estados e o Instituto Alana, uma ONG que defende os direitos das crian\u00e7as. O pedido das organiza\u00e7\u00f5es se baseia no Marco Legal da Primeira Inf\u00e2ncia, aprovado em 8 de mar\u00e7o de 2016, que amplia o direito de se substituir a pris\u00e3o preventiva por domiciliar nos casos de gestantes ou mulheres com filhos at\u00e9 12 anos para manter o conv\u00edvio entre filhos e m\u00e3es, muitas vezes as \u00fanicas respons\u00e1veis pelas crian\u00e7as. &#8220;Manter crian\u00e7as juntas com suas m\u00e3es dentro de pris\u00f5es ou separ\u00e1-las prejudica severamente o desenvolvimento infantil, gera um estresse t\u00f3xico prejudicial para o c\u00e9rebro e viola a regra da prioridade absoluta do melhor interesse das crian\u00e7as brasileiras prevista na Constitui\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou, em nota, Pedro Hartung, coordenador do programa Prioridade Absoluta do\u00a0<a href=\"http:\/\/alana.org.br\/\" target=\"_blank\">Instituto Alana<\/a>.<\/p>\n<p>Ricardo Lewandowski, relator do caso no STF, ressaltou em seu voto que a situa\u00e7\u00e3o dos pres\u00eddios brasileiros \u00e9 degradante. &#8220;Temos cerca de 2.000 pequenos brasileirinhos que est\u00e3o atr\u00e1s das grades com suas m\u00e3es, sofrendo indevidamente, contra o que disp\u00f5e a Constitui\u00e7\u00e3o, as agruras do c\u00e1rcere.&#8221; Ele destacou ainda que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 um\u00a0descumprimento flagrante do artigo 227 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal pelas autoridades prisionais do pa\u00eds. De acordo com este artigo, \u00e9 dever do Estado assegurar \u00e0 crian\u00e7a, ao adolescente e ao jovem o direito \u00e0 liberdade e \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria, al\u00e9m de coloc\u00e1-los a salvo de toda forma de crueldade.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o ocorre dez dias depois da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/02\/16\/politica\/1518805121_136964.html\" target=\"_blank\">pris\u00e3o de J\u00e9ssica Monteiro<\/a>, 24 anos, uma hist\u00f3ria que causou como\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Gr\u00e1vida de nove meses, ela foi presa no domingo, dia 10, com 90 gramas de maconha e teve a pris\u00e3o em flagrante convertida em pris\u00e3o preventiva no dia seguinte, pouco antes de entrar em trabalho de parto. Ela foi levada para o hospital e depois retornou com o beb\u00ea para uma cela de dois metros, com apenas um colch\u00e3o no ch\u00e3o. J\u00e9ssica nunca tinha tido passagem pela pol\u00edcia e s\u00f3 apenas depois de uma intensa cobertura da imprensa o juiz aceitou que ela cumprisse pris\u00e3o domiciliar.<\/p>\n<p>Segundo dados do Departamento Penitenci\u00e1rio Nacional (Depen), enviados para o relator do caso no STF, em 16 anos a quantidade de mulheres encarceradas saltou 700%. Em 2000, 5.601 mulheres cumpriam medidas de priva\u00e7\u00e3o de liberdade. Em 2016, este n\u00famero foi para 44.721. E quatro de cada dez mulheres presas no pa\u00eds ainda n\u00e3o foram condenadas definitivamente. Segundo o ministro, apenas 34% dos estabelecimentos disp\u00f5em de cela adequada para gestante, 32%, de ber\u00e7\u00e1rios e 5%, de creches.<\/p>\n<p>Mas mesmo os locais onde h\u00e1 espa\u00e7os especiais para m\u00e3es e filhos rec\u00e9m-nascidos, eles nem sempre s\u00e3o adequados, de acordo com especialistas. Um levantamento realizado pela\u00a0<span class=\"st\">Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) e retratado no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=vmi6r-M-K0U\" target=\"_blank\">document\u00e1rio Nascer nas pris\u00f5es: gestar, nascer e cuidar,<\/a>\u00a0lan\u00e7ado no final do ano passado, mostrou que 36% das mulheres gestantes presas n\u00e3o tiveram\u00a0 acesso \u00e0 assist\u00eancia pr\u00e9-natal adequada. Em 89% dos casos entrevistados, a fam\u00edlia n\u00e3o foi sequer avisada de que a m\u00e3e entrou em trabalho de parto. Estas mulheres d\u00e3o \u00e0 luz acompanhadas apenas por agentes penitenci\u00e1rias. &#8220;Era um quarto s\u00f3 para presas. Das outras m\u00e3es [n\u00e3o presas], at\u00e9 levantavam o corpo para ajudar (&#8230;) Me deixaram sozinha no quarto. Eu falei que a nen\u00ea estava saindo e mandaram me algemar&#8221;, explicou uma das entrevistadas no document\u00e1rio. As entrevistas foram feitas entre 2012 e 2014, antes da entrada em vigor de uma lei que proibiu que se algemasse qualquer mulher durante o trabalho de parto.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Medida vale para mulheres ainda n\u00e3o julgadas, decide STF, ap\u00f3s pedido de entidades Ministros entenderam&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5447,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-5446","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5446","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5446"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5446\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5448,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5446\/revisions\/5448"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5447"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5446"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5446"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5446"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}