{"id":5401,"date":"2018-03-06T11:23:16","date_gmt":"2018-03-06T11:23:16","guid":{"rendered":"http:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=5401"},"modified":"2018-03-06T11:23:16","modified_gmt":"2018-03-06T11:23:16","slug":"deixava-de-comer-para-pagar-dividas-o-vicio-em-comprar-que-atinge-ricos-e-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=5401","title":{"rendered":"&#8216;Deixava de comer para pagar d\u00edvidas&#8217;: o v\u00edcio em comprar, que atinge ricos e pobres."},"content":{"rendered":"<p>Desde pequena, Larissa* tinha a impress\u00e3o de que todas as amigas da escola tinham mais dinheiro e eram mais bonitas do que ela. Quando chegou na faculdade, ganhou um cart\u00e3o de cr\u00e9dito do pai que era para emerg\u00eancias, mas um dia se viu comprando roupas e presentes para a fam\u00edlia toda com ele.<\/p>\n<p>Fonte | BBC Brasil<\/p>\n<p>J\u00e1 na vida adulta, ap\u00f3s uma rotina estressante no trabalho, se deu ao luxo de gastar US$ 800 em uma bolsa e mais US$ 120 em outra em uma breve passagem por Nova York &#8211; dois itens que ela tinha certeza de que precisava e de que &#8220;merecia&#8221;. Resultado? D\u00edvidas e mais d\u00edvidas no cart\u00e3o de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Miguel* tamb\u00e9m se sentia inferior com rela\u00e7\u00e3o aos amigos quando crian\u00e7a. Hoje, comprando presentes e gastando dinheiro, consegue driblar a rejei\u00e7\u00e3o e se sentir melhor. Mas admite que, n\u00e3o fosse pela ajuda de seu pai, teria feito a filha passar dificuldade.<\/p>\n<p>No caso de Ant\u00f4nio*, ele teve uma inf\u00e2ncia dif\u00edcil, com poucas condi\u00e7\u00f5es. Chegou a passar fome quando o pai alco\u00f3latra deixou de comprar comida para gastar o dinheiro em bebida. Quando cresceu, mesmo ainda na pobreza, queria uma vida diferente, mas, trabalhando como professor particular, acabava cobrando dos alunos menos do que gastava em transporte e alimenta\u00e7\u00e3o para dar as aulas. Foi acumulando faturas que n\u00e3o podia pagar, emprestava valores que n\u00e3o tinha, deixava de comer para pagar d\u00edvidas e chegou at\u00e9 a fechar um plano de R$ 3.000 em uma academia de muai thai que n\u00e3o frequentou.<\/p>\n<p>Ele diz que sua situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o ficou pior porque &#8220;n\u00e3o tinha mais dinheiro&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/153F0\/production\/_100242078_compras2.jpg\" alt=\"Mulher com sacolas na m\u00e3o\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">&#8216;Gastei US$ 800 em uma bolsa e ainda comprei outra de US$ 120, tudo no mesmo dia&#8217;, contou Larissa<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>J\u00e1 Elis* sempre foi uma mulher bem-sucedida, com duas faculdades, empres\u00e1ria desde os 17 anos. Mas quanto mais dinheiro tinha, maior era sua gan\u00e2ncia para adquirir neg\u00f3cios e im\u00f3veis &#8211; at\u00e9 ver R$ 300 mil de suas reservas acumuladas em quatro anos irem pelo ralo em uma empresa que acabou quebrando em pouco tempo. Seu fundo do po\u00e7o chegou quando teve a casa penhorada com oficiais de Justi\u00e7a batendo \u00e0 porta, e um desespero que a fez pensar em suic\u00eddio.<\/p>\n<p>Para amenizar a situa\u00e7\u00e3o, pegava p\u00e3es de mel consignados com uma doceira e ia vender na porta da Igreja.<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias desses que s\u00e3o chamados &#8220;gastadores compulsivos&#8221; se repetem e caracterizam uma doen\u00e7a pouco conhecida e geralmente ignorada pelas pr\u00f3prias v\u00edtimas dela. S\u00e3o homens, mulheres, jovens, velhos, mais ricos ou mais pobres, que t\u00eam em comum um passado com problemas sociais e\/ou psicol\u00f3gicos, e encontraram no cart\u00e3o de cr\u00e9dito o al\u00edvio e o prazer moment\u00e2neos de que precisavam.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 bem parecido com a depend\u00eancia qu\u00edmica. Voc\u00ea come\u00e7a a fumar primeiro com o cigarro dos amigos, depois vai comprar seu pr\u00f3prio ma\u00e7o, at\u00e9 passar a fumar todo dia. Voc\u00ea percebe uma expans\u00e3o daquele comportamento na vida da pessoa. N\u00e3o \u00e9 o objeto em si, mas \u00e9 o ato de comprar&#8221;, explicou a psic\u00f3loga Tatiana Zambrano, psic\u00f3loga que atua nesta \u00e1rea h\u00e1 14 anos e \u00e9 coordenadora do tratamento para compradores compulsivos no Hospital das Cl\u00ednicas, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1F58\/production\/_100242080_compras3.jpg\" alt=\"mulher com cart\u00e3o fazendo contas\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Gastadores compulsivos fazem as compras sempre achando que um dia &#8216;algu\u00e9m ir\u00e1 pag\u00e1-las&#8217;, segundo a psic\u00f3loga Tatiana Zambrano<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;A pessoa tem necessidade de adquirir demais e n\u00e3o tem um planejamento adequado. Esse transtorno compulsivo independe da condi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica. O que vai acontecer \u00e9 que a pessoa vai acumular d\u00edvidas proporcionais ao seu n\u00edvel econ\u00f4mico&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Doen\u00e7a<\/h2>\n<p>A chamada oniomania \u00e9 a doen\u00e7a que se caracteriza por um v\u00edcio em comprar ou gastar dinheiro. A pessoa n\u00e3o consegue controlar seus impulsos e acaba gastando mesmo quando j\u00e1 est\u00e1 cheia de d\u00edvidas.<\/p>\n<p>\u00c9 como se o ato de comprar trouxesse uma liberta\u00e7\u00e3o, explica a especialista. Quem tem esse v\u00edcio sente um misto de poder com prazer na hora de passar o cart\u00e3o de cr\u00e9dito que faz com que se esque\u00e7a de qualquer saldo negativo no banco. \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o que seduz e leva os gastadores compulsivos a ca\u00edrem na tenta\u00e7\u00e3o e a fazerem mais e mais d\u00edvidas.<\/p>\n<p>As desculpas para os gastos podem ser de todo o tipo. &#8220;Vou comprar esse sapato porque PRECISO&#8221;; &#8220;vou me dar esse terno porque MERE\u00c7O&#8221;; &#8220;est\u00e1 na promo\u00e7\u00e3o, metade do pre\u00e7o, N\u00c3O D\u00c1 PARA N\u00c3O comprar&#8221;, s\u00e3o alguns exemplos, conforme explica a psic\u00f3loga Tatiana Zambrano. O problema chega com a fatura do cart\u00e3o &#8211; que vem acompanhada de uma taxa de juros bem alta, caso n\u00e3o seja paga no valor integral.<\/p>\n<p>&#8220;Eu sempre achava que, de alguma forma, algu\u00e9m iria pagar aquilo para mim. A fatura ia chegar, e algu\u00e9m ia acabar pagando&#8221;, contou Larissa.<\/p>\n<p>Quando come\u00e7ou sua recupera\u00e7\u00e3o, ela cortou todos os cart\u00f5es de cr\u00e9dito e gastava s\u00f3 o dinheiro que tinha na carteira. Mas um dia teve seu celular roubado e se permitiu uma nova compra a prazo para substitu\u00ed-lo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6D78\/production\/_100242082_compras4.jpg\" alt=\"mulher ao redor de diversos pares de sapatos\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">As desculpas para os gastos podem ser de todo o tipo: &#8216;Vou comprar esse sapato porque preciso, porque mere\u00e7o&#8217;, por exemplo<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Eu queria comprar um iPhone, a\u00ed fiz outro cart\u00e3o de cr\u00e9dito. Quando o recebi, me senti muito poderosa. Fui para o shopping extasiada, meu namorado me ligou, eu nem atendi, estava animad\u00edssima: vou comprar um iPhone, serei a pessoa mais feliz do mundo! Quando peguei o celular, me senti muito bem, uma adrenalina que n\u00e3o cabia em mim&#8221;, relatou.<\/p>\n<p>N\u00e3o precisou muito tempo para o sentimento se inverter. &#8220;Voc\u00ea come\u00e7a a se sentir culpada. E fica se martirizando: &#8216;por que eu fui fazer isso? Como eu vou pagar esse celular agora?'&#8221;.<\/p>\n<p>Tatiana Zambrano explica que, ao contr\u00e1rio de v\u00edcios como o da droga ou do \u00e1lcool, que s\u00e3o muito condenados pela sociedade, o ato de comprar \u00e9 algo &#8220;socialmente aceito&#8221; e, por isso, n\u00e3o costuma ser associado com uma doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 t\u00e3o socialmente aceito que tem at\u00e9 um incentivo ao consumo, ent\u00e3o voc\u00ea acaba demorando para perceber que tem o problema. Normalmente voc\u00ea s\u00f3 percebe porque tem muita briga, desconfian\u00e7a entre a fam\u00edlia e os amigos. Tem at\u00e9 casamento que acaba nessas situa\u00e7\u00f5es&#8221;, explica.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Problemas financeiros&#8217;<\/h2>\n<p>Segundo dados estimativos da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, cerca de 8% da popula\u00e7\u00e3o mundial sofre de oniomania. No entanto, \u00e9 muito comum as pessoas terem a condi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o admitirem o v\u00edcio.<\/p>\n<p>Susana*, por exemplo, sempre gostou de gastar, mas tamb\u00e9m sempre achou que, no dia em que quisesse &#8220;parar&#8221; e controlar melhor o seu dinheiro, conseguiria facilmente. Ela buscou ajuda em janeiro, depois de ter passado um ano inteiro tentando segurar os gastos sem sucesso.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A0A4\/production\/_100242114_da2.jpg\" alt=\"sala de reuni\u00e3o dos devedores an\u00f4nimos\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Reuni\u00f5es dos devedores an\u00f4nimos acontecem todas as semanas em S\u00e3o Paulo<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Sempre achei que era uma quest\u00e3o de querer. Mas depois de um ano tentando e n\u00e3o conseguindo, precisei admitir que havia algo de errado&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>O processo de aceita\u00e7\u00e3o do problema pode levar anos ou uma vida inteira at\u00e9. Para evitar encarar a realidade &#8211; ou ser confrontada com ela por familiares ou amigos -, o gastador compulsivo come\u00e7a a mentir e, \u00e0s vezes, at\u00e9 mesmo a esconder suas compras para n\u00e3o ter que dar satisfa\u00e7\u00e3o sobre elas.<\/p>\n<p>&#8220;Tem muito comprador compulsivo que n\u00e3o usa as coisas que compra. Ele deixa tudo com etiqueta, guardado no arm\u00e1rio, e n\u00e3o quer usar para a fam\u00edlia n\u00e3o perguntar se \u00e9 novo. Ou seja, o prazer come\u00e7a a virar uma pris\u00e3o&#8221;, explica Zambrano.<\/p>\n<p>Larissa se viu mentindo para a m\u00e3e, que a ajudava a controlar o dinheiro fazendo uma planilha com todos os seus gastos. &#8220;Eu inventava as coisas para justificar meus gastos. E quando ela descobria, me dizia que eu n\u00e3o estava mentindo para ela, mas sim para mim mesma&#8221;.<\/p>\n<p>O processo de nega\u00e7\u00e3o do comprador compulsivo muitas vezes persiste at\u00e9 mesmo em grupos de ajuda, como o do &#8220;Devedores An\u00f4nimos&#8221;, fundado por antigos participantes dos Alco\u00f3licos An\u00f4nimos e que tem o mesmo intuito de ajuda m\u00fatua entre os membros para evitar uma eventual reca\u00edda.<\/p>\n<p>Foi o caso de V\u00edvian*, que frequenta as reuni\u00f5es do grupo h\u00e1 dois anos e, at\u00e9 o in\u00edcio do m\u00eas, achava que seu caso era diferente da situa\u00e7\u00e3o dos outros ali.<\/p>\n<p>&#8220;Eu olhava para aquelas pessoas e pensava: eu n\u00e3o sou assim; para eles, \u00e9 f\u00e1cil gastar, porque eles t\u00eam dinheiro. Eu n\u00e3o achava que eu era uma devedora, eu achava que ganhava mal e tinha problemas financeiros&#8221;, disse.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Recupera\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O tratamento para o v\u00edcio em gastar passa por duas \u00e1reas: a psicol\u00f3gica, para tratar o problema emocional que leva a pessoa a comprar, e a financeira, para ela come\u00e7ar a planejar cada centavo que sai de sua carteira e tentar uma renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas, para aliviar o fardo carregado diante do ac\u00famulo de d\u00e9bitos.<\/p>\n<p>Na sala de reuni\u00e3o dos Devedores An\u00f4nimos, em S\u00e3o Paulo, todos os encontros semanais come\u00e7am com o que eles chamam de &#8220;Ora\u00e7\u00e3o da Serenidade&#8221; que pede &#8220;Serenidade para aceitar o n\u00e3o podemos modificar, coragem para modificar o que podemos e sabedoria para distinguir uma das outras&#8221;.<\/p>\n<p>Em cada partilha de experi\u00eancias, eles repetem o mantra &#8220;Obrigada, 24 horas&#8221;, reiterando que o esfor\u00e7o para se manterem s\u00f3brios &#8211; no caso, solventes, como eles chamam as pessoas que alcan\u00e7am o equil\u00edbrio financeiro e conseguem pagar suas d\u00edvidas &#8211; por mais um dia.<\/p>\n<p>No D.A., os participantes podem escolher um &#8220;padrinho&#8221; ou &#8220;madrinha&#8221; (algu\u00e9m que j\u00e1 esteja no grupo h\u00e1 alguns anos) para ajud\u00e1-los com um planejamento financeiro adequado \u00e0s suas necessidades. H\u00e1 tamb\u00e9m reuni\u00f5es pessoais chamadas de &#8220;al\u00edvio de press\u00e3o&#8221;, em que o participante exp\u00f5e uma situa\u00e7\u00e3o que o incomoda e pede ajuda dos padrinhos para resolv\u00ea-la.<\/p>\n<p>O segredo para come\u00e7ar a resolver as d\u00edvidas est\u00e1 principalmente em anotar todos os gastos, conforme eles descrevem.<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o tinha a menor no\u00e7\u00e3o do quanto eu gastava em qu\u00ea ou de pra onde ia meu sal\u00e1rio. Quando comecei a anotar, percebi que estava gastando R$ 800 por m\u00eas em comidinhas na rua, aquelas paradas em padarias para um caf\u00e9. Logo no primeiro m\u00eas, consegui reduzir isso para 180&#8221;, explicou V\u00edvian, que hoje n\u00e3o tem cart\u00e3o de d\u00e9bito, nem de cr\u00e9dito, e s\u00f3 usa o dinheiro que tem na carteira. &#8220;Eu n\u00e3o posso ter cart\u00e3o, percebi isso. Com dinheiro vivo, eu vejo ele saindo e sei quando estou ficando sem, \u00e9 mais f\u00e1cil controlar.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/115D4\/production\/_100242117_da3.jpg\" alt=\"Cartaz com os 12 passos dos devedores an\u00f4nimos\" width=\"549\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Devedores an\u00f4nimos seguem 12 passos para a recupera\u00e7\u00e3o<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O cart\u00e3o de cr\u00e9dito, ali\u00e1s, \u00e9 o grande vil\u00e3o para todos eles &#8211; e a primeira coisa a ser, literalmente, cortada, quando come\u00e7a a recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A pessoa perde a no\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 pagando. O cart\u00e3o de cr\u00e9dito promove isso, eu compro e depois eu vejo como eu pago. Isso contribui muito para voc\u00ea perder o controle. J\u00e1 vi um paciente que tinha 19 cart\u00f5es de cr\u00e9dito e se endividou em todos eles&#8221;, contou Tatiana Zambrano.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga aconselha pessoas que eventualmente percebam caracter\u00edsticas de gastadores compulsivos em seus familiares e amigos, que tentem ajud\u00e1-los mostrando a eles textos, livros, filmes (como\u00a0<i>Os Del\u00edrios de Consumo de Becky Bloom<\/i>) que descrevam a condi\u00e7\u00e3o, para que se identifiquem com ela e busquem ajuda.<\/p>\n<p>&#8220;O sofrimento do paciente \u00e9 muito marcante. A gente fica sensibilizado n\u00e3o s\u00f3 pela quantidade de problemas, mas pela depress\u00e3o. Muitos pensam em suic\u00eddio, acham que nunca v\u00e3o se livrar daquilo, \u00e9 muito sofrimento. Uma vez ouvi de uma mulher que ela se sentia como uma garota de programa, porque se tivesse que se vender pra comprar, ela se venderia. Outros que perderam esposa, perderam at\u00e9 guarda de filho por causa do problema. Ent\u00e3o o ideal \u00e9 n\u00e3o criticar, n\u00e3o julgar, e tentar mostrar para a pessoa como ela pode se libertar&#8221;, finalizou.<\/p>\n<p><i>*Os nomes foram alterados para preservar a identidade dos entrevistados<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde pequena, Larissa* tinha a impress\u00e3o de que todas as amigas da escola tinham mais&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5402,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-5401","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5401","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5401"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5401\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5403,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5401\/revisions\/5403"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5402"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}