{"id":5083,"date":"2017-11-07T10:10:37","date_gmt":"2017-11-07T10:10:37","guid":{"rendered":"http:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=5083"},"modified":"2017-11-07T10:10:37","modified_gmt":"2017-11-07T10:10:37","slug":"paciente-que-teve-seio-retirado-por-erro-em-diagnostico-sera-indenizada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=5083","title":{"rendered":"Paciente que teve seio retirado por erro em diagn\u00f3stico ser\u00e1 indenizada"},"content":{"rendered":"<p>Uma paciente submetida a cirurgia de retirada do seio direito ap\u00f3s receber diagn\u00f3stico errado de c\u00e2ncer de mama ter\u00e1 o direito de receber R$ 100 mil de danos morais, al\u00e9m do valor gasto para a implanta\u00e7\u00e3o de pr\u00f3tese e suas posteriores substitui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Fonte | STJ<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de malignidade foi constatada somente ap\u00f3s a cirurgia. De acordo com os autos, o quadro era extremamente complexo e de dif\u00edcil an\u00e1lise. Tamb\u00e9m foi mencionado que a cirurgia foi feita sem a realiza\u00e7\u00e3o de novos exames ou contraprova.<\/p>\n<p>Para chegar \u00e0 decis\u00e3o, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) analisou a atua\u00e7\u00e3o do laborat\u00f3rio, do m\u00e9dico patologista respons\u00e1vel pela emiss\u00e3o do laudo e do hospital universit\u00e1rio onde funciona o laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Direitos de personalidade<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o relator do caso, ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, ficou caracterizado o defeito na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, pois o laborat\u00f3rio apresentou diagn\u00f3stico incorreto, havendo dano material e moral. Dessa forma, houve viola\u00e7\u00e3o do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L8078.htm#art6\" target=\"_blank\"><strong>artigo 6\u00b0<\/strong><\/a>, III, e do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L8078.htm#art14\" target=\"_blank\"><strong>artigo 14<\/strong><\/a>\u00a0do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC).<\/p>\n<p>De acordo com o ministro, o STJ entende que, na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o de exames m\u00e9dicos, os laborat\u00f3rios t\u00eam obriga\u00e7\u00e3o de resultado, o que implica a responsabilidade objetiva em caso de diagn\u00f3stico errado. Al\u00e9m disso, o relator explicou que o laborat\u00f3rio deveria ter advertido a paciente sobre a possibilidade de erro no resultado.<\/p>\n<p>\u201cSe havia complexidade no diagn\u00f3stico exato da doen\u00e7a, em raz\u00e3o da possibilidade de varia\u00e7\u00e3o nos resultados, seria salutar que o laborat\u00f3rio, para prestar servi\u00e7o isento de defeitos, informasse tal fato \u00e0 paciente ou, mesmo sem grandes explica\u00e7\u00f5es no plano da medicina acerca da probabilidade de resultado equivocado, sugerisse a necessidade de realiza\u00e7\u00e3o de novos ou outros exames complementares para confirmar a diagnose\u201d, afirmou o relator.<\/p>\n<p>Em seu voto, Bellizze tamb\u00e9m considerou os gastos com o tratamento e o estado emocional da paciente ap\u00f3s o erro de diagn\u00f3stico. \u201cEst\u00e1 configurado o liame causal entre o defeito na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o e os danos, de ordem moral e material, causados \u00e0 recorrente, ao ser submetida, aos 55 anos de idade, a cirurgia desnecess\u00e1ria, com mutila\u00e7\u00e3o de parte t\u00e3o representativa da feminilidade, al\u00e9m das profundas modifica\u00e7\u00f5es em seu estado de esp\u00edrito por ter lidado com a aparente possibilidade de estar acometida por doen\u00e7a t\u00e3o grave, o que, por certo, atingiu seus direitos de personalidade\u201d, declarou.<\/p>\n<p><strong>Hospital<\/strong><\/p>\n<p>Conforme os autos, o hospital universit\u00e1rio alegou possuir apenas contrato de cess\u00e3o de espa\u00e7o com o laborat\u00f3rio e, portanto, n\u00e3o teria responsabilidade pelos erros de diagn\u00f3stico. A paciente, entretanto, argumentou que o contrato tamb\u00e9m compreendia a presta\u00e7\u00e3o, pelo laborat\u00f3rio, de servi\u00e7o de anatomia patol\u00f3gica para o hospital.<\/p>\n<p>O relator disse, em seu voto, que deveria ser acolhida a interpreta\u00e7\u00e3o dada pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias no sentido de que h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o entre o laborat\u00f3rio e o hospital.<\/p>\n<p>Bellizze tamb\u00e9m defendeu que o hospital responda solidariamente pelo servi\u00e7o prestado pelo laborat\u00f3rio: \u201cConsiderando que a responsabilidade das pessoas jur\u00eddicas prestadoras de servi\u00e7os m\u00e9dico-hospitalares \u00e9 de natureza objetiva, n\u00e3o h\u00e1 como afastar, nos termos do\u00a0<em>caput\u00a0<\/em>do artigo 14 do CDC, a responsabilidade solid\u00e1ria do hospital pela m\u00e1 presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o realizado pelo laborat\u00f3rio a ele subordinado.\u201d<\/p>\n<p><strong>M\u00e9dico<\/strong><\/p>\n<p>No entendimento da Terceira Turma, a responsabilidade do m\u00e9dico \u201c\u00e9 de natureza subjetiva, dependendo, assim, da ocorr\u00eancia de culpa\u00a0<em>lato sensu\u00a0<\/em>do profissional tido como causador do dano\u201d, esclareceu o ministro.<\/p>\n<p>Conforme os autos, a prova pericial concluiu que a complexidade do caso possibilita a varia\u00e7\u00e3o de opini\u00f5es entre os profissionais. Portanto, o diagn\u00f3stico apresentado pelo m\u00e9dico patologista n\u00e3o caracterizaria descaso t\u00e9cnico ou neglig\u00eancia.<\/p>\n<p>Diante dessas an\u00e1lises, a responsabilidade do m\u00e9dico foi afastada, mas o hospital e o laborat\u00f3rio devem ressarcir a paciente, de forma solid\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma paciente submetida a cirurgia de retirada do seio direito ap\u00f3s receber diagn\u00f3stico errado de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5084,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-5083","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5083","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5083"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5083\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5085,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5083\/revisions\/5085"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5084"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5083"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5083"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5083"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}