{"id":4159,"date":"2016-09-06T16:25:34","date_gmt":"2016-09-06T16:25:34","guid":{"rendered":"http:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=4159"},"modified":"2016-09-06T16:25:34","modified_gmt":"2016-09-06T16:25:34","slug":"desistencia-por-parte-da-esposa-impede-adocao-apos-morte-do-marido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=4159","title":{"rendered":"Desist\u00eancia por parte da esposa impede ado\u00e7\u00e3o ap\u00f3s morte do marido"},"content":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) deu provimento a recurso especial para negar a ado\u00e7\u00e3o, por um homem j\u00e1 falecido, da filha biol\u00f3gica de uma ex-empregada dom\u00e9stica da fam\u00edlia. Inicialmente, a ado\u00e7\u00e3o havia sido requerida pelo casal, mas a esposa desistiu ap\u00f3s o marido ser diagnosticado com a doen\u00e7a de Alzheimer.<\/p>\n<p>Fonte | STJ<\/p>\n<p>O pedido de ado\u00e7\u00e3o foi ajuizado quando a adotanda j\u00e1 era adulta. Segundo os autos, a menina foi criada pelo casal desde o nascimento.<\/p>\n<p>Antes de a senten\u00e7a ser proferida, a esposa ajuizou peti\u00e7\u00e3o de desist\u00eancia, alegando que seu marido estava muito doente e que ela n\u00e3o queria assumir a responsabilidade por tal ato sozinha. O filho biol\u00f3gico do casal \u2013 representando o pai, que j\u00e1 se encontrava interditado por conta da doen\u00e7a \u2013 tamb\u00e9m requereu a extin\u00e7\u00e3o do pedido de ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o pedido foi julgado procedente em primeira inst\u00e2ncia. O pai morreu no curso da a\u00e7\u00e3o, e o filho biol\u00f3gico recorreu ao Tribunal de Justi\u00e7a do Distrito Federal (TJDF). Os desembargadores homologaram a desist\u00eancia da vi\u00fava, mas acolheram o pedido de ado\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao falecido.<\/p>\n<p>O tribunal entendeu que, no caso, prevalece a vontade de adotar manifestada pelo pai\/adotante que vem a falecer no curso do processo. Segundo o TJDF, n\u00e3o podem os familiares\/herdeiros desistir da a\u00e7\u00e3o de ado\u00e7\u00e3o ajuizada pelo falecido, conforme disp\u00f5e o <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L8069.htm#art42\u00a76\"><strong>par\u00e1grafo 6\u00ba<\/strong><\/a> do artigo 42 do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA).<\/p>\n<p><strong>Vontade de ambos<\/strong><\/p>\n<p>O filho biol\u00f3gico recorreu ao STJ. Sustentou, entre outros pontos,\u00a0que a ado\u00e7\u00e3o conjunta exigiria a manifesta\u00e7\u00e3o da vontade de ambos, o que n\u00e3o ocorreu no caso, j\u00e1 que n\u00e3o houve concord\u00e2ncia de sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>Em seu voto, o relator do recurso, ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, ressaltou que se um dos interessados (candidatos a pai\/m\u00e3e) desiste da a\u00e7\u00e3o de ado\u00e7\u00e3o conjunta, a pretens\u00e3o deve ser indeferida, sobretudo se o outro vem a morrer antes de se manifestar sobre a desist\u00eancia.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do ministro, o tribunal\u00a0de segunda inst\u00e2ncia \u201cn\u00e3o deu a melhor solu\u00e7\u00e3o ao caso\u201d quando determinou a ado\u00e7\u00e3o pelo\u00a0falecido\u00a0apesar de ter homologado a desist\u00eancia por parte do c\u00f4njuge sobrevivente. \u201cEssa decis\u00e3o desconsiderou a manifesta\u00e7\u00e3o da vontade do casal, um dos requisitos exigidos para esse tipo de ado\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Noronha.<\/p>\n<p><strong>Personal\u00edssimo<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o relator, o <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L8069.htm#art42\u00a75\"><strong>par\u00e1grafo 5\u00b0<\/strong><\/a> do artigo 42 do ECA\u00a0exige, na chamada\u00a0ado\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma\u00a0(quando o adotante morre no curso do processo, antes de proferida a senten\u00e7a), que o falecido\u00a0tenha manifestado inequivocamente sua de vontade de adotar.<\/p>\n<p>Para ele, quando a\u00a0esposa\u00a0desistiu da ado\u00e7\u00e3o, seu marido j\u00e1 n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de expressar sua real vontade ou de dizer se estava disposto a manter a ado\u00e7\u00e3o mesmo com a desist\u00eancia da esposa.<\/p>\n<p>Noronha disse que o ac\u00f3rd\u00e3o de segunda inst\u00e2ncia violou o <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L8069.htm#art42\u00a72\"><strong>par\u00e1grafo 2\u00ba<\/strong><\/a> do artigo 42 do ECA ao transformar o pedido de ado\u00e7\u00e3o conjunta em ado\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma isolada de pessoa que era casada, sem que haja ind\u00edcio de que o\u00a0falecido\u00a0pretendesse concluir a ado\u00e7\u00e3o de forma unilateral.<\/p>\n<p>O ministro acrescentou que nada no processo indica que o falecido tivesse inten\u00e7\u00e3o de adotar sem o consentimento da esposa. \u201cSendo a ado\u00e7\u00e3o ato volunt\u00e1rio e personal\u00edssimo, exceto se houver manifesta inten\u00e7\u00e3o deixada pelo\u00a0<em>de cujus<\/em>\u00a0de adotar, o ato n\u00e3o pode ser constitu\u00eddo\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>Acompanhando o voto do relator, a turma\u00a0acolheu o recurso especial e indeferiu o pedido de ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de segredo judicial.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) deu provimento a recurso especial 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