{"id":3867,"date":"2016-07-11T14:35:46","date_gmt":"2016-07-11T14:35:46","guid":{"rendered":"http:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=3867"},"modified":"2016-07-11T14:35:46","modified_gmt":"2016-07-11T14:35:46","slug":"pensao-por-morte-e-uniao-homoafetiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=3867","title":{"rendered":"Pens\u00e3o por morte e uni\u00e3o homoafetiva"},"content":{"rendered":"<h3>O presente artigo discorre sobre a pens\u00e3o por morte e a uni\u00e3o homoafetiva.<\/h3>\n<p>Por |\u00a0<a class=\"doc-author-link\" href=\"http:\/\/www.jornaljurid.com.br\/colunas\/previdencia-do-servidor\/pensao-por-morte-e-uniao-homoafetiva\">Bruno S\u00e1 Freire Martins<\/a><\/p>\n<p>Na sociedade atual \u00e9 cada vez mais comum o surgimento de relacionamentos afetivos entre pessoas do mesmo sexo, cuja evolu\u00e7\u00e3o, ante o intento de constitui\u00e7\u00e3o de entidade familiar, faz com que sejam consideradas como uni\u00f5es est\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que sua possibilidade jur\u00eddica era objeto de controv\u00e9rsia at\u00e9 bem pouco tempo, mas com a decis\u00e3o proferida pelo Supremo Tribunal Federal na ADIN n.\u00ba 4.277 e na ADPF n.\u00ba 132, onde se deu interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 <a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/constituicao-federal-1\" target=\"_blank\">Constitui\u00e7\u00e3o<\/a> ao <a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/codigo-civil-1723\" target=\"_blank\">artigo 1.723<\/a> do <a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/codigo-civil-1\" target=\"_blank\">C\u00f3digo Civil<\/a> reconhecendo que a uni\u00e3o entre pessoas do mesmo sexo se enquadra no conceito de uni\u00e3o est\u00e1vel, n\u00e3o h\u00e1 mais que se discutir juridicamente a sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Entretanto, nota-se, em alguns Regimes Pr\u00f3prios a ocorr\u00eancia de diferencia\u00e7\u00f5es de exig\u00eancias para o reconhecimento de sua exist\u00eancia quando se trata de relacionamento entre heterossexuais e homossexuais.<\/p>\n<p>Dentre as quais \u00e9 poss\u00edvel destacar duas, a primeira consistente na exig\u00eancia de documentos comprobat\u00f3rios da exist\u00eancia de uni\u00e3o est\u00e1vel para os primeiros, enquanto que para os segundos somente se reconhece a condi\u00e7\u00e3o de dependente do servidor falecido mediante a apresenta\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a judicial declarando a exist\u00eancia de uni\u00e3o est\u00e1vel.<\/p>\n<p>A segunda reside na necessidade de comprova\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia de depend\u00eancia econ\u00f4mica para os companheiros homossexuais, fazendo com que a depend\u00eancia econ\u00f4mica, nesse caso, tenha presun\u00e7\u00e3o relativa, e, sua n\u00e3o extens\u00e3o aos companheiros heterossexuais, mantendo-se a presun\u00e7\u00e3o absoluta de depend\u00eancia econ\u00f4mica para esses.<\/p>\n<p>Essas distin\u00e7\u00f5es s\u00e3o inadmiss\u00edveis ante a decis\u00e3o proferida pelo STF, antes mencionada, conforme se depreende do trecho do ac\u00f3rd\u00e3o in verbis:<\/p>\n<p>&#8230;2. PROIBI\u00c7\u00c3O DE DISCRIMINA\u00c7\u00c3O DAS PESSOAS EM RAZ\u00c3O DO SEXO, SEJA NO PLANO DA DICOTOMIA HOMEM\/MULHER (G\u00caNERO), SEJA NO PLANO DA ORIENTA\u00c7\u00c3O SEXUAL DE CADA QUAL DELES. A PROIBI\u00c7\u00c3O DO PRECONCEITO COMO CAP\u00cdTULO DO CONSTITUCIONALISMO FRATERNAL. HOMENAGEM AO PLURALISMO COMO VALOR S\u00d3CIO-POL\u00cdTICO-CULTURAL. LIBERDADE PARA DISPOR DA PR\u00d3PRIA SEXUALIDADE, INSERIDA NA CATEGORIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DO INDIV\u00cdDUO, EXPRESS\u00c3O QUE \u00c9 DA AUTONOMIA DE VONTADE. DIREITO \u00c0 INTIMIDADE E \u00c0 VIDA PRIVADA. CL\u00c1USULA P\u00c9TREA. O sexo das pessoas, salvo disposi\u00e7\u00e3o constitucional expressa ou impl\u00edcita em sentido contr\u00e1rio, n\u00e3o se presta como fator de desiguala\u00e7\u00e3o jur\u00eddica. Proibi\u00e7\u00e3o de preconceito, \u00e0 luz do inciso IV do <a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/constituicao-federal-3\" target=\"_blank\">art. 3\u00ba<\/a> da<a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/constituicao-federal-1\" target=\"_blank\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a>, por colidir frontalmente com o objetivo constitucional de \u201cpromover o bem de todos\u201d. Sil\u00eancio normativo da <a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/constituicao-federal-1\" target=\"_blank\">Carta Magna<\/a> a respeito do concreto uso do sexo dos indiv\u00edduos como saque da kelseniana \u201cnorma geral negativa\u201d, segundo a qual \u201co que n\u00e3o estiver juridicamente proibido, ou obrigado, est\u00e1 juridicamente permitido\u201d. Reconhecimento do direito \u00e0 prefer\u00eancia sexual como direta emana\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da \u201cdignidade da pessoa humana\u201d: direito a auto-estima no mais elevado ponto da consci\u00eancia do indiv\u00edduo. Direito \u00e0 busca da felicidade. Salto normativo da proibi\u00e7\u00e3o do preconceito para a proclama\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 liberdade sexual. O concreto uso da sexualidade faz parte da autonomia da vontade das pessoas naturais. Emp\u00edrico uso da sexualidade nos planos da intimidade e da privacidade constitucionalmente tuteladas. Autonomia da vontade. Cl\u00e1usula p\u00e9trea&#8230;<\/p>\n<p>Em regra, a legisla\u00e7\u00e3o dos Regimes Pr\u00f3prios, afirma ser considerado como dependentes aqueles que convivem em uni\u00e3o est\u00e1vel e reproduz o seu conceito previsto no <a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/codigo-civil-1723\" target=\"_blank\">artigo 1.723<\/a> do <a href=\"https:\/\/juridmais.com.br\/codigo-civil-1\" target=\"_blank\">C\u00f3digo Civil<\/a>.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, ante a interpreta\u00e7\u00e3o conforme do dito artigo levada a efeito pelo Supremo e a proibi\u00e7\u00e3o de tratamento diferenciado ou discriminat\u00f3rio expressamente manifestada pela Corte ao julgar a quest\u00e3o, h\u00e1 de se reconhecer a inconstitucionalidade da imposi\u00e7\u00e3o, pelos Regimes Pr\u00f3prios, de exig\u00eancias diferenciadas nos casos de uni\u00f5es homoafetivas e heteroafetivas.<\/p>\n<p>Bruno S\u00e1 Freire Martins &#8211;\u00a0Servidor p\u00fablico efetivo do Estado de Mato Grosso,\u00a0advogado; p\u00f3s-graduado em Direito P\u00fablico e em Direito Previdenci\u00e1rio; professor da LacConcursos e de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na Universidade Federal de Mato Grosso, no ICAP \u2013 Instituto de Capacita\u00e7\u00e3o e P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o (Mato Grosso), no Instituto Infoc &#8211; Instituto Nacional de Forma\u00e7\u00e3o Continuada (S\u00e3o Paulo), no Complexo Educacional Dam\u00e1sio de Jesus &#8211; curso de Regime Pr\u00f3prio de Previd\u00eancia Social (S\u00e3o Paulo); fundador do site Previd\u00eancia do Servidor (www.previdenciadoservidor.com.br); Presidente da Comiss\u00e3o de Regime Pr\u00f3prio de Previd\u00eancia Social do Instituto dos Advogados Previdenci\u00e1rios \u2013 Conselho Federal (IAPE); membro do C\u00f4mite T\u00e9cnico da Revista S\u00cdNTESE Administra\u00e7\u00e3o de Pessoal e Previd\u00eancia do Agente P\u00fablico, publica\u00e7\u00e3o do Grupo IOB; escreve todas as ter\u00e7as-feiras para a Coluna Previd\u00eancia do Servidor no Jornal Jurid Digital (ISSN 1980-4288) endere\u00e7o www.jornaljurid.com.br\/colunas\/previdencia-do-servidor, autor dos livros DIREITO CONSTITUCIONAL PREVIDENCI\u00c1RIO DO SERVIDOR P\u00daBLICO, A PENS\u00c3O POR MORTE e REGIME PR\u00d3PRIO \u2013 IMPACTOS DA MP n.\u00ba 664\/14 ASPECTOS TE\u00d3RICOS E PR\u00c1TICOS, todos da editora LTr e do livro MANUAL PR\u00c1TICO DAS APOSENTADORIAS DO SERVIDOR P\u00daBLICO da editora Rede Previd\u00eancia\/Clube dos Autores e de diversos artigos nas \u00e1reas de Direito Previdenci\u00e1rio e Direito Administrativo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presente artigo discorre sobre a pens\u00e3o por morte e a uni\u00e3o homoafetiva. 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