{"id":3505,"date":"2016-01-11T10:24:29","date_gmt":"2016-01-11T10:24:29","guid":{"rendered":"http:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=3505"},"modified":"2016-01-11T10:24:30","modified_gmt":"2016-01-11T10:24:30","slug":"prequestionamento-explicito-versus-prequestionamento-implicito-qual-e-a-diferenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=3505","title":{"rendered":"Prequestionamento expl\u00edcito versus prequestionamento impl\u00edcito: qual \u00e9 a diferen\u00e7a?"},"content":{"rendered":"<h3>Enquanto o Supremo Tribunal Federal afirma a necessidade de prequestionamento expl\u00edcito da mat\u00e9ria constitucional para a admissibilidade do recurso extraordin\u00e1rio, no Superior Tribunal de Justi\u00e7a se exige, para a admissibilidade do recurso especial, o prequestionamento impl\u00edcito da quest\u00e3o federal. Nosso artigo se destina a responder a seguinte pergunta: qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre prequestiomento expl\u00edcito e impl\u00edcito?<\/h3>\n<div class=\"post-font\">\n<h4>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.jornaljurid.com.br\/busca\/fonte\/alice-saldanha-villar\">Alice Saldanha Villar<\/a><\/h4>\n<p>O prequestionamento trata-se de um requisito de admissibilidade de recursos nos tribunais superiores.[1] O termo se refere ao dever da parte de provocar o surgimento da quest\u00e3o federal ou constitucional no ac\u00f3rd\u00e3o proferido na decis\u00e3o recorrida. Numa palavra: o prequestionamento nada mais \u00e9 do que a exig\u00eancia de que a tese jur\u00eddica defendida no recurso tenha sido referida na decis\u00e3o recorrida.<\/p>\n<p>O STF consagrou a exig\u00eancia do prequestionamento para a o recurso extraordin\u00e1rio na S\u00famula 282: \u201c\u00c9 inadmiss\u00edvel o recurso extraordin\u00e1rio, quando n\u00e3o ventilada, na decis\u00e3o recorrida, a quest\u00e3o federal suscitada\u201d.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, este verbete menciona a \u201cquest\u00e3o federal suscitada\u201d, pois baseava-se no art. 101, III da CF\/46. Com o advento da CF\/88, o STF deixou de ter compet\u00eancia para apreciar quest\u00f5es federais, passando a apreciar somente quest\u00f5es constitucionais.[2] Desse modo, verbete n. 282 permanece v\u00e1lido, desde que interpretado \u00e0 luz da CF\/88. Vale dizer: onde consta \u201cquest\u00e3o federal suscitada\u201d, leia-se \u201cquest\u00e3o constitucional suscitada\u201d.<\/p>\n<p>Na jurisprud\u00eancia do STF, exige-se como requisito de admissibilidade do recurso extraordin\u00e1rio, o prequestionamento expl\u00edcito da quest\u00e3o constitucional. O que isso significa?<\/p>\n<p>O prequestionamento expl\u00edcito da quest\u00e3o constitucional consiste na exig\u00eancia de que a tese jur\u00eddica defendida no recurso tenha sido explicitamente apreciada na decis\u00e3o recorrida. Como aduziu o ilustre Min. Sep\u00falveda Pertence, \u201co prequestionamento para o RE n\u00e3o reclama que o preceito constitucional invocado pelo recorrente tenha sido explicitamente referido pelo ac\u00f3rd\u00e3o, mas \u00e9 necess\u00e1rio que este tenha versado inequivocamente a mat\u00e9ria objeto da norma que nele se contenha.\u201d[3]<\/p>\n<p>J\u00e1 a jurisprud\u00eancia do STJ afirma que, para admissibilidade do recurso especial, admite-se o prequestionamento impl\u00edcito.[4] O que isso significa?<\/p>\n<p>O prequestionamento impl\u00edcito, segundo a concep\u00e7\u00e3o do STJ, consiste na aprecia\u00e7\u00e3o, pelo tribunal de origem, das quest\u00f5es jur\u00eddicas que envolvam a lei tida por vulnerada, sem mencion\u00e1-la expressamente. [5] Assim, para configura\u00e7\u00e3o do prequestionamento, n\u00e3o \u00e9 preciso que o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido tenha expressamente mencionado a norma jur\u00eddica violada, exigindo-se apenas que exista a manifesta\u00e7\u00e3o do tribunal acerca da mat\u00e9ria de direito federal. [6]<\/p>\n<p>\u00c0 luz do exposto, verifica-se que tanto o STF como o STJ entendem que, para configura\u00e7\u00e3o do prequestionamento, n\u00e3o \u00e9 preciso que o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido tenha expressamente mencionado a norma jur\u00eddica violada, bastando que este tenha versado inequivocamente a mat\u00e9ria objeto da norma que nele se contenha.<\/p>\n<p>Como se percebe, na jurisprud\u00eancia dos tribunais superiores, as express\u00f5es \u201cprequestionamento expl\u00edcito\u201d e \u201cprequestionamento impl\u00edcito\u201d s\u00e3o apenas nomes diferentes dados \u00e0 mesma regra. Vale dizer: o aparente desacordo entre o STF e o STJ \u00a0reside no fato de que, enquanto o primeiro chama a mencionada exig\u00eancia de prequestionamento expl\u00edcito, o segundo a intitula prequestionamento impl\u00edcito.<\/p>\n<p>Trata-se simplesmente de concep\u00e7\u00f5es distintas a respeito do que seria o prequestionamento impl\u00edcito e expl\u00edcito. Recorde-se que na doutrina p\u00e1tria temos duas correntes conceituando os mencionados institutos:[7]<\/p>\n<p>1. A primeira corrente afirma que o prequestionamento impl\u00edcito seria quando a decis\u00e3o recorrida n\u00e3o menciona a norma violada e o expl\u00edcito quando a decis\u00e3o menciona a norma.<\/p>\n<p>2. A segunda tese adota o entendimento de que o prequestionamento impl\u00edcito seria quando a quest\u00e3o foi colocada na inst\u00e2ncia ordin\u00e1ria, mas n\u00e3o foi mencionada no ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, e expl\u00edcito seria o prequestionamento quando a quest\u00e3o \u00e9 mencionada no ac\u00f3rd\u00e3o.<\/p>\n<p>Conforme aduz Rodolfo de Camargo Mancuso, opini\u00e3o com a qual concordamos,\u201csendo o prequestionamento, por defini\u00e7\u00e3o, necessariamente expl\u00edcito, o chamado prequestionamento impl\u00edcito n\u00e3o \u00e9 mais do que uma simples e inconceb\u00edvel contradi\u00e7\u00e3o em termos.\u201d [8]<\/p>\n<p><b>NOTAS<\/b><\/p>\n<p><b>[1]<\/b> Cf., nessa linha: STJ &#8211; AgRg no Ag 1092039 GO, Rel. Min. Ministra Laurita Vaz, 5\u00aa Turma, DJe 15\/06\/2009<\/p>\n<p><b>[2]<\/b> Com o advento da CF\/88, foi criado o STJ como o respons\u00e1vel por uniformizar a interpreta\u00e7\u00e3o das leis federaisem todo o Brasil.<\/p>\n<p><b>[3]<\/b> Cf. STF &#8211; AI 585604 RS, Rel. Min. Sep\u00falveda Pertence, 1\u00aa turma, DJ 29\/09\/2006<\/p>\n<p><b>[4]<\/b> Cf., sobre o tema: GUIMAR\u00c3ES, Luiz Carlos Forghieri. O Prequestionamento nos Recursos Extraordin\u00e1rios e Especial. S\u00e3o Paulo: Letras Jur\u00eddicas, 2010, p. 31.<\/p>\n<p><b>[5]<\/b> Nessa dire\u00e7\u00e3o, dentre outros: STJ &#8211; AgRg no REsp 1245446 CE, Rel. Min. Humberto Martins, 2\u00aa Turma, DJe 01\/06\/2011.<\/p>\n<p><b>[6]<\/b> Cf. STJ &#8211; AgRg no REsp 1245446 CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, 2\u00aa Turma, DJe 01\/06\/2011; STJ -Edcl no REsp162.608\/SP, Rel. Min. S\u00e1lvio de Figueiredo, julgado em 16\/06\/99; \u00a0STJ &#8211; EREsp 155621 SP, Rel. Min. S\u00e1lvio de Figueiredo Teixeira, Corte Especial, DJ 13\/09\/1999.<\/p>\n<p><b>[7] <\/b>Cf. WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. op. cit., p. 414.<\/p>\n<p><b>[8]<\/b> Cf. MANCUSO, Rodolfo de Camargo. Recurso Extraordin\u00e1rio e Recurso Especial. 10\u00aa ed., S\u00e3o Paulo: Revista dos Tribunais, 2008, p. 318. Nesse mesmo sentido, AI &#8211; AgR 492775 &#8211; SP, Rel. Min. Sep\u00falveda Pertence, 1\u00aa Turma, DJ 10.11.2006.<\/p>\n<p><b>Autora: Alice Saldanha Villar<\/b> \u00e9 Advogada e autora dos livros \u201cDireito Sumular &#8211; STF\u201d e Direito Sumular &#8211; STJ\u201d, Editora JHMIZUNO, S\u00e3o Paulo, 2015 &#8211; Pref\u00e1cio do Ministro Luiz Fux.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto o Supremo Tribunal Federal afirma a necessidade de prequestionamento expl\u00edcito da mat\u00e9ria constitucional para&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-3505","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3505","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3505"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3505\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3506,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3505\/revisions\/3506"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3505"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3505"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3505"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}