{"id":3009,"date":"2015-09-14T13:32:24","date_gmt":"2015-09-14T13:32:24","guid":{"rendered":"http:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=3009"},"modified":"2015-09-14T13:32:24","modified_gmt":"2015-09-14T13:32:24","slug":"cientista-brasileiro-cria-minicerebro-para-testar-droga-contra-sindrome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=3009","title":{"rendered":"Cientista brasileiro cria &#8216;minic\u00e9rebro&#8217; para testar droga contra s\u00edndrome"},"content":{"rendered":"<h2>Vers\u00e3o primitiva do \u00f3rg\u00e3o simula efeito de s\u00edndrome do duplo MECP2.<br \/>\nAlysson Muotri, pesquisador e colunista do G1, liderou a pesquisa.<\/h2>\n<p>Fonte | G1<\/p>\n<p>Um grupo de cientistas liderados pelo brasileiro Alysson Muotri, da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Diego, usou &#8220;minic\u00e9rebros&#8221; criados em laborat\u00f3rio para simular uma doen\u00e7a neurol\u00f3gica e testar drogas para tentar cur\u00e1-la.<\/p>\n<p>As estruturas usadas na pesquisa foram criadas a partir de c\u00e9lulas da pele de pacientes da chamada &#8220;s\u00edndrome do duplo MECP2&#8221;, que causa problemas cognitivos e motores graves. Crian\u00e7as com essa doen\u00e7a rara \u2013 que s\u00f3 teve sua causa gen\u00e9tica identificada h\u00e1 cerca de uma d\u00e9cada \u2013 dificilmente chegam a mais de dez anos de idade. Ainda n\u00e3o h\u00e1 tratamento para a s\u00edndrome, mas o grupo de Muotri, que tamb\u00e9m \u00e9 colunista do <strong>G1<\/strong>, encontrou uma subst\u00e2ncia que deve passar por um teste cl\u00ednico em breve.<\/p>\n<p>A droga foi encontrada ap\u00f3s o cientista usar minic\u00e9rebros doentes para test\u00e1-la. Para criar essas estruturas, a equipe do bi\u00f3logo usou c\u00e9lulas da pele de pacientes como ponto de partida para criar neur\u00f4nios em laborat\u00f3rio. Dessa forma, as estruturas criadas poderiam imitar os problemas de desenvolvimento nervoso que ocorrem nos portadores da doen\u00e7a.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-290\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" title=\"Minic\u00e9rebros - Infogr\u00e1fico - Pesquisa do Alysson Muotri, s\u00edndrome do MECP2 (Foto: Infogr\u00e1fico\/G1)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/qPRlhbRDY70mc3XHNCaRxHWg2tc=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/09\/07\/minicerebroinfografico.jpg\" alt=\"Minic\u00e9rebros - Infogr\u00e1fico - Pesquisa do Alysson Muotri, s\u00edndrome do MECP2 (Foto: Infogr\u00e1fico\/G1)\" width=\"474\" height=\"1489\" \/><\/div>\n<p>A primeira coisa que os cientistas fizeram foi reverter as c\u00e9lulas cut\u00e2neas dos pacientes para um est\u00e1gio primitivo, similar ao das c\u00e9lulas-tronco de embri\u00f5es humanos, unidades gen\u00e9ricas n\u00e3o especializadas. Depois disso, as c\u00e9lulas foram reprogramadas para se transformarem em neur\u00f4nios, os quais formaram enfim os minic\u00e9rebros ou \u201cneurosferas\u201d, termo t\u00e9cnico adotado pelos cientistas.<\/p>\n<p>Essas estruturas org\u00e2nicas s\u00e3o uma vers\u00e3o aprimorada das culturas de c\u00e9lulas \u2013 c\u00e9lulas mantidas vivas em pires de laborat\u00f3rio, usadas para observar o comportamento de tecidos. No caso do tecido nervoso, a vantagem de criar esses \u201corganoides\u201d sem deix\u00e1-los grudar na base do pires \u00e9 que eles reproduzem a maneira tridimensional com que os neur\u00f4nios est\u00e3o no c\u00e9rebro. Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel simular com mais precis\u00e3o o efeito de doen\u00e7as nervosas.<\/p>\n<p><strong>Simula\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n\u201cO minic\u00e9rebro n\u00e3o tem uma estrutura completa e n\u00e3o \u00e9 um c\u00e9rebro em miniatura\u201d, explica Muotri. \u201cMuito provavelmente ele n\u00e3o &#8216;pensa&#8217; e n\u00e3o tem consci\u00eancia, mas ele simula de forma rudimentar o tipo de organiza\u00e7\u00e3o que existe no c\u00e9rebro humano.\u201d<\/p>\n<p>A vantagem de usar minic\u00e9rebros em laborat\u00f3rio \u00e9 que eles crescem como culturas de c\u00e9lulas e formam naturalmente uma estrutura em camadas \u2013 similar \u00e0 que existe no c\u00f3rtex, a superf\u00edcie do c\u00e9rebro, respons\u00e1vel pelo processamento mais sofisticado de informa\u00e7\u00f5es no sistema nervoso. Possuindo tamanho m\u00e9dio em torno de 30 micr\u00f4metros \u2014 largura de um fio de cabelo de beb\u00ea \u2013 essas estruturas s\u00e3o maiores que os grupos isolados de neur\u00f4nios em cultura de c\u00e9lulas bidimensionais. \u00c9 poss\u00edvel assim, medir os impulsos el\u00e9tricos que trafegam por essa estrutura e verificar se est\u00e3o ocorrendo de forma normal.<\/p>\n<p>Ao observar os minic\u00e9rebros criados a partir de c\u00e9lulas dos portadores da s\u00edndrome do duplo MECP2, os cientistas notaram que os neur\u00f4nios \u2013 c\u00e9lulas naturalmente dotadas de ramos e filamentos que as conectam umas \u00e0s outras \u2013 estavam se ramificando demais. Isso fez com que criassem entre si conex\u00f5es em excesso e de forma desordenada, impedindo o desenvolvimento saud\u00e1vel do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a possui esse nome porque esse defeito cong\u00eanito \u00e9 causado pela multiplica\u00e7\u00e3o do gene MECP2, que normalmente s\u00f3 possui uma c\u00f3pia no DNA. Conhecendo o gene que causava a doen\u00e7a, os cientistas buscaram mol\u00e9culas que pudessem interferir nas rea\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas relacionadas a ele no organismo.<\/p>\n<p>Testando mais de 40 drogas, os cientistas encontraram uma que conseguiu reverter os efeitos nocivos da doen\u00e7a nos minic\u00e9rebros. Um composto sint\u00e9tico batizado com a sigla NCH-51, descoberto j\u00e1 h\u00e1 alguns anos numa varredura em busca de drogas contra o c\u00e2ncer, \u201ccurou\u201d as neurosferas sem causar efeitos colaterais. O resultado do trabalho foi descrito num estudo de Muotri que sai nesta segunda-feira na revista \u201cMolecular Psychiatry\u201d.<\/p>\n<p>Os cientistas devem entrar dentro de alguns meses com um pedido de autoriza\u00e7\u00e3o para realizar um ensaio cl\u00ednico onde a subst\u00e2ncia ser\u00e1 testada nas crian\u00e7as doentes. O trabalho provavelmente ter\u00e1 continuidade no Centro de Gen\u00e9tica Humana de Leuven, na B\u00e9lgica, que colaborou com o grupo de Muotri e possui mais expertise na \u00e1rea cl\u00ednica.<\/p>\n<p><strong>Organoides<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"'Minic\u00e9rebros' foram criados em laborat\u00f3rio a partir de c\u00e9lulas da pele de pacientes com a s\u00edndrome do MECP2 (Foto: Molecular Psychiatry\/Divulga\u00e7\u00e3o)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/Vgl_fASkjFnRdWaS7XvQj2v5cLw=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/09\/07\/minicerebro.jpg\" alt=\"'Minic\u00e9rebros' foram criados em laborat\u00f3rio a partir de c\u00e9lulas da pele de pacientes com a s\u00edndrome do MECP2 (Foto: Molecular Psychiatry\/Divulga\u00e7\u00e3o)\" width=\"620\" height=\"467\" \/><strong>&#8216;Minic\u00e9rebros&#8217; foram criados em laborat\u00f3rio a partir de c\u00e9lulas da pele de pacientes com a s\u00edndrome do MECP2 (Foto: Molecular Psychiatry\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/div>\n<p>Se a droga se mostrar segura e eficaz nos testes cl\u00ednicos, o trabalho liderado pelo bi\u00f3logo brasileiro dever\u00e1 ser o primeiro a obter sucesso usando essa t\u00e9cnica para encontrar medicamentos.<\/p>\n<p>Muotri n\u00e3o foi o primeiro a criar um minic\u00e9rebro. A t\u00e9cnica foi demonstrada pela primeira vez em 2013 por Madeline Lancaster, da Academia Austr\u00edaca de Ci\u00eancias, que chamou essas estruturas de \u201corganoides cerebrais\u201d. Outros grupos de pesquisa j\u00e1 criaram organoides para simular outros tipos de \u00f3rg\u00e3os humanos.<\/p>\n<p>Essas pequenas estruturas s\u00e3o algo que acabou surgindo naturalmente do campo de estudo de c\u00e9lulas-tronco, quando cientistas come\u00e7aram a perceber que neur\u00f4nios criados a partir de c\u00e9lulas-tronco tem uma capacidade se auto-organizar, formando camadas. Muotri acredita que ser\u00e1 poss\u00edvel aprimorar ainda a t\u00e9cnica no futuro.<\/p>\n<p>\u201cMesmo n\u00e3o sendo um c\u00e9rebro em miniatura propriamente dito, a neurosfera tem um n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o muito melhor que os neur\u00f4nios numa cultura bidimensional\u201d, diz o cientista. \u201cAcho que a gente vai se encaminhar para, algum dia, obter um c\u00e9rebro mais perfeito em laborat\u00f3rio, mas ainda n\u00e3o chegamos l\u00e1.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vers\u00e3o primitiva do \u00f3rg\u00e3o simula efeito de s\u00edndrome do duplo MECP2. 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