{"id":2443,"date":"2015-01-22T14:36:39","date_gmt":"2015-01-22T14:36:39","guid":{"rendered":"http:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=2443"},"modified":"2015-01-22T14:36:39","modified_gmt":"2015-01-22T14:36:39","slug":"pequena-digressao-sobre-o-mal-e-o-terrorismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=2443","title":{"rendered":"Pequena digress\u00e3o sobre o mal e o terrorismo"},"content":{"rendered":"<h3>Digo v\u00e3, porque neste &#8220;vale de l\u00e1grimas&#8221;, que se constitui nossa perman\u00eancia na Terra, n\u00e3o podemos fugir ao sofrimento, \u00e0 prova\u00e7\u00e3o a que somos compelidos para o aprendizado da evolu\u00e7\u00e3o moral, ps\u00edquica e espiritual<\/h3>\n<p>Por |\u00a0<a href=\"http:\/\/www.jornaljurid.com.br\/busca\/fonte\/waldo-luis-viana\">Waldo Lu\u00eds Viana<\/a><\/p>\n<p>Plat\u00e3o dizia que todo conhecimento leva \u00e0 ang\u00fastia e, por conseguinte, quanto mais se estudam os problemas da vida ou, em linguagem filos\u00f3fica, quanto mais o real se problematiza, mais nos sentimos enredados e, \u00e0s vezes, perdidos em d\u00favidas e sofrimentos. Os epicuristas, quase contempor\u00e2neos de Plat\u00e3o, defendiam que o homem foi destinado \u00e0 felicidade e vivamente a tem procurado pelos tempos, seja atrav\u00e9s do prazer, seja pela tentativa v\u00e3 de evitar a dor. Digo v\u00e3, porque neste &#8220;vale de l\u00e1grimas&#8221;, que se constitui nossa perman\u00eancia na Terra, n\u00e3o podemos fugir ao sofrimento, \u00e0 prova\u00e7\u00e3o a que somos compelidos para o aprendizado da evolu\u00e7\u00e3o moral, ps\u00edquica e espiritual.<\/p>\n<p>A Terra \u00e9 um est\u00e1gio, n\u00e3o o fim, porque, se assim o fosse, o Universo seria um verdadeiro absurdo, j\u00e1 que teria aperfei\u00e7oado a vida, em 12 bilh\u00f5es de anos, para criar um ser abjeto e violento como o homem. Seria a recusa do &#8220;princ\u00edpio antr\u00f3pico&#8221;, que explica a evolu\u00e7\u00e3o do Universo como uma tentativa de criar um ser perfeito, \u00e0 semelhan\u00e7a de Deus, e que para isso n\u00e3o poupou gigantescos esfor\u00e7os, percorrendo o caminho entre uma estrela, solidificando os planetas, depois os planetas habitados e chegando, por fim, e n\u00e3o por mero acaso, \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de uma ameba e depois ao refinamento da criatura humana. Se Deus nos quer evolu\u00eddos, \u00e0 sua semelhan\u00e7a, nos emprestou tamb\u00e9m a liberdade e esta, t\u00e3o mal usada, pode se tornar um empecilho para a nossa pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os tomistas dizem que &#8220;Deus permite o mal&#8221; sem, contudo, conviver com ele ou produzi-lo. Noventa por cento do que nos acontece &#8211; tenham certeza &#8211; \u00e9 por nossa culpa; dez por cento seriam acontecimentos alheios \u00e0 nossa vontade que, por sua viol\u00eancia ou iniquidade, fabricam muitos ateus. Como Deus, uma criatura assim t\u00e3o boa, de barbas brancas e sentado numa nuvem di\u00e1fana (como quer o folclore), poderia permitir um desastre t\u00e3o horr\u00edvel como a destrui\u00e7\u00e3o das torres de Nova Iorque, o holocausto nazista ou o massacre de Katin? Os expurgos de Stalin, os mortos do Vietnam, as v\u00edtimas de Hiroshima e Nagasaki, a destrui\u00e7\u00e3o na Cor\u00e9ia e a viol\u00eancia das ditaduras latino-americanas subsidiadas pelos Estados Unidos?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que os homens s\u00e3o maus por ess\u00eancia ou por evolu\u00e7\u00e3o inacabada? Ser\u00e1 que \u00a0a religi\u00e3o pode melhorar o homem ou apenas ocultar os seus pecados sob o manto da hipocrisia? Seria ela uma forma de opress\u00e3o e autoritarismo, em virtude de que todo religioso se julga propriet\u00e1rio de Deus?<\/p>\n<p>As desgra\u00e7as humanas vem sendo amplificadas pela comunica\u00e7\u00e3o global e a economia em que vivemos n\u00e3o resolve os problemas de 4\/5 da humanidade. O ego\u00edsmo da finan\u00e7a internacional n\u00e3o permite que os abundantes recursos da natureza, tamb\u00e9m acumulados pela atividade humana, possam ser repartidos de modo equ\u00e2nime, o que conduz, em \u00faltima an\u00e1lise, a desentendimentos intestinos entre os homens.<\/p>\n<p>O trabalho tornou-se \u201cimaterial\u201d em nosso tempo de bocas famintas e degredo social, porque distribu\u00eddo em processos e redes, e a informa\u00e7\u00e3o, aparentemente democr\u00e1tica, \u00e9 toldada e escondida numa teia conspirat\u00f3ria de recursos concentrados pelo capitalismo global. Uma parte numerosa e sofredora da humanidade sobrevive em tal quadro como se estivesse de antem\u00e3o condenada \u00e0 morte e sem o menor direito de defesa. \u00c9 esse segmento numeroso, constitu\u00eddo por \u00a0pessoas desesperadas e sem qualquer esperan\u00e7a, que engrossa as hostes terroristas, mas n\u00e3o s\u00f3 essas maiorias.<\/p>\n<p>Existem os suicidas, os loucos, os assassinos, os estupradores, os criminosos de colarinho branco, os ped\u00f3filos e os traficantes (de t\u00f3xicos, de escravas brancas, de \u00f3rg\u00e3os) \u2013 todos sempre dispostos a diminuir os \u00edndices pouco eficientes da excel\u00eancia humana. O amor por outro lado, j\u00e1 disse Pitirm Sorokin, \u00e9 um poder nobilitante e foi capaz, ao longo da hist\u00f3ria, de produzir as mais elevadas contribui\u00e7\u00f5es para a nossa evolu\u00e7\u00e3o, contrariando as teses desses grupos nefandos.<\/p>\n<p>O homem individual, por\u00e9m, enquanto mera subjetividade, \u00e9 contingente, ou seja, para a totalidade da vida n\u00e3o somos necess\u00e1rios. Se voc\u00ea, eu ou nossos filhos morrermos, o universo continuar\u00e1 funcionando muito bem e a humanidade perseguindo, aos trancos e barrancos, a pr\u00f3pria e acidentada evolu\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o mist\u00e9rio da vida e a raz\u00e3o de ser de o Sol levantar todas as manh\u00e3s: somos contingentes do mesmo modo que o Sol e temos que prosseguir, a despeito de o Universo n\u00e3o precisar de n\u00f3s.<\/p>\n<p>No entanto, conseguimos sentir amor, o sentimento mais excelso do ponto de vista da criatura, manifesta\u00e7\u00e3o especular do Criador, que a quer de volta ao seio da eternidade. Mas tudo o que temos de importante no mundo humano foi constitu\u00eddo pela hist\u00f3ria da luz, pelos santos, avatares, mestres e governantes invis\u00edveis que sinalizam a evolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pelos pretensos construtores de uma falsa civiliza\u00e7\u00e3o material, cujos frutos e tesouros, como afirmara Jesus, pode ser carregado e repartido entre ladr\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>A Terra \u00e9 uma nave, um organismo, e n\u00e3o caminha pelo Universo em destino cego. Disse o Mestre que at\u00e9 os fios de cabelo de nossas cabe\u00e7as est\u00e3o contados e, por conseguinte, a percep\u00e7\u00e3o da verdade seria um processo de refra\u00e7\u00e3o. Para que n\u00e3o nos ofusquemos, s\u00f3 percebemos parte das raz\u00f5es universais e de nossos (mesquinhos) motivos de viver. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que qualquer ato de terrorismo ou sev\u00edcia seja deplor\u00e1vel, porque deseja por instantes nos devolver um dom\u00ednio sobre a verdade que n\u00e3o possu\u00edmos. Os terroristas s\u00e3o falsos propriet\u00e1rios da verdade&#8230;<\/p>\n<p>Entretanto, tais atos n\u00e3o s\u00e3o isolados, eles t\u00eam justificativas para as partes e temos visto opini\u00f5es as mais diversas, comprovando que a humanidade vive em disc\u00f3rdia e fraturada por discrimina\u00e7\u00f5es \u00e0s vezes intranspon\u00edveis. Quando, por\u00e9m, a acumula\u00e7\u00e3o real e virtual do capital, \u00e9 posta como a cruel e suprema mobiliza\u00e7\u00e3o universal, o \u00fanico objetivo a ser perseguido por homens, organiza\u00e7\u00f5es e na\u00e7\u00f5es, quem o det\u00e9m torna-se o m\u00e1ximo e alcan\u00e7a a maior \u201cfelicidade\u201d; quem n\u00e3o o manipula por\u00e9m, eis a\u00ed o desgra\u00e7ado, aquele potencialmente perigoso para o pequeno c\u00edrculo de insens\u00edveis abonados.<\/p>\n<p>Assim, deslocando-se para o macroambiente, as na\u00e7\u00f5es ricas, que se autoatribuem o monop\u00f3lio do bem, repudiam o comportamento das na\u00e7\u00f5es pobres, b\u00e1rbaras e endividadas do Terceiro Mundo. Nem fazem nada por elas, porque, segundo dados da pr\u00f3pria ONU, apenas 0,5% do PIB mundial \u00e9 convertido em ajuda aos pa\u00edses em dificuldades. Isso sem falar nos &#8220;sem-teto mundiais&#8221;, as na\u00e7\u00f5es sem pa\u00eds, como palestinos, tutsus, curdos, esquim\u00f3s e outras cujas reivindica\u00e7\u00f5es n\u00e3o aceitas e mal compreendidas encheram de sangue a cr\u00f4nica hist\u00f3rica de todos os tempos.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o pano de fundo da viol\u00eancia, sem tocar nos desafios e \u00f3bices das perdas ecol\u00f3gicas que temos presenciado pela manipula\u00e7\u00e3o do meio ambiente com irresponsabilidade, que t\u00eam produzido o efeito-estufa, o esquentamento dos oceanos, o derretimento das calotas polares, o desaparecimento de esp\u00e9cies e o aparecimento de pragas e v\u00edrus perigosos.<\/p>\n<p>Milhares de pessoas morrem de fome, minorias s\u00e3o oprimidas e crian\u00e7as n\u00e3o prefiguram nenhuma oportunidade de vida. E, no entanto, n\u00f3s nos ocupamos com as nossas trag\u00e9dias do dia a dia e nos esquecemos disso. Mark Twain falava que tinha passado na vida por grandes problemas e alguns realmente aconteceram, o que nos faz pensar que n\u00e3o dimensionamos com realismo o que somos, nem para onde vamos&#8230;<\/p>\n<p>Os seres humanos precisam entender que, no rumo fren\u00e9tico de entropia que estamos vivendo, muito breve ser\u00e1 dif\u00edcil arranjar \u00e1gua pura para beber ou sementes para plantio. A biotecnologia, ao contr\u00e1rio do que muitos pensam, n\u00e3o conseguir\u00e1 resolver os problemas humanos, porque o acesso a suas oportunidades n\u00e3o superar\u00e1 a 2\/6 da humanidade e a Terra ter\u00e1 uma elite de privilegiados, cercada por maiorias (terroristas!?) de famintos sem quaisquer esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>Muitas lideran\u00e7as dessas maiorias utilizar\u00e3o, com certeza, a religi\u00e3o como instrumento de \u00f3dio e subleva\u00e7\u00e3o, mantendo e expandindo a atual entropia social. N\u00e3o \u00e9, contudo, importante nem necess\u00e1rio ficar o tempo todo nos lamentando por esse quadro febril e feroz \u2013 para alguns pr\u00e9-apocaliptico \u00a0\u2013, homenageando com requintes neur\u00f3ticos todo o nosso sofrimento: \u00e9 preciso super\u00e1-lo, lembrando o brado de Nietzsche, que, embora sifil\u00edtico e morrendo, sempre recomendava ser conveniente e fundamental para o ser humano \u201cexercer a pr\u00f3pria vontade de pot\u00eancia\u201d num mundo atarantado e \u201cdesesclarecido\u201d, cujo desconcerto n\u00e3o \u00e9 propriamente um espet\u00e1culo acolhedor.<\/p>\n<p>Assim, poder\u00edamos resgatar, ao lado da acuidade de ouvir os c\u00e9us, religando-nos a ele, a unifica\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas e comuns em torno de n\u00f3s mesmos, no contexto do \u201cesp\u00edrito da Terra\u201d, ouvindo com mais aten\u00e7\u00e3o a pr\u00f3pria prece de nosso planeta azul t\u00e3o elegante, cujos movimentos precisos no sistema solar ensinam que n\u00e3o podemos ser meros rejeitos de afli\u00e7\u00f5es, demandas e l\u00e1grimas de um Universo sem explica\u00e7\u00e3o e completamente destitu\u00eddo de sentido.<\/p>\n<p><strong>Autor: Waldo Lu\u00eds Viana<\/strong> \u00e9 escritor, poeta e economista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Digo v\u00e3, porque neste &#8220;vale de l\u00e1grimas&#8221;, que se constitui nossa perman\u00eancia na Terra, n\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-2443","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2443","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2443"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2443\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2444,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2443\/revisions\/2444"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2443"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2443"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2443"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}