{"id":2110,"date":"2014-12-05T21:22:31","date_gmt":"2014-12-05T21:22:31","guid":{"rendered":"http:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=2110"},"modified":"2014-12-05T21:22:31","modified_gmt":"2014-12-05T21:22:31","slug":"proprietarios-de-terreno-nao-devem-responder-solidariamente-por-quebra-de-contrato-da-construtora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/?p=2110","title":{"rendered":"Propriet\u00e1rios de terreno n\u00e3o devem responder solidariamente por quebra de contrato da construtora"},"content":{"rendered":"<p><em>Fonte: <strong>STJ &#8211; Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) deu provimento ao recurso especial de um casal que, ap\u00f3s vender terreno a uma construtora do Rio Grande do Sul, foi condenado solidariamente a pagar indeniza\u00e7\u00e3o pela paralisa\u00e7\u00e3o das obras do empreendimento imobili\u00e1rio que seria constru\u00eddo no local.<\/p>\n<p>Surpreendidos com a not\u00edcia da fal\u00eancia da empresa e a consequente suspens\u00e3o das obras, compradores das unidades ajuizaram a\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o de danos contra a construtora, seus s\u00f3cios e tamb\u00e9m contra o casal que vendeu o terreno.<\/p>\n<p>Entre outras coisas, alegaram que n\u00e3o teria ocorrido venda do terreno \u00e0 construtora, mas uma simula\u00e7\u00e3o, com permuta por \u00e1rea constru\u00edda, o que teria mantido o casal na condi\u00e7\u00e3o de propriet\u00e1rio do im\u00f3vel.<\/p>\n<p>Em outra a\u00e7\u00e3o, anterior, o casal vendedor havia conseguido a rescis\u00e3o do contrato com a empresa e a reintegra\u00e7\u00e3o na posse do im\u00f3vel, mas foi obrigado a pagar \u00e0 massa falida as benfeitorias j\u00e1 constru\u00eddas no local.<\/p>\n<p>Na senten\u00e7a, o juiz reconheceu a responsabilidade da construtora e dos s\u00f3cios, mas afastou a obriga\u00e7\u00e3o dos propriet\u00e1rios do terreno. Os clientes, ent\u00e3o, entraram com apela\u00e7\u00e3o no Tribunal de Justi\u00e7a do Rio Grande do Sul (TJRS), que reformou a senten\u00e7a e reconheceu a responsabilidade solid\u00e1ria do casal.<\/p>\n<p><strong>Valoriza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o ac\u00f3rd\u00e3o, a responsabiliza\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria foi consequ\u00eancia da forma como se deu o neg\u00f3cio entre as partes envolvidas. A decis\u00e3o destacou que, no pre\u00e7o do terreno, foi embutida a valoriza\u00e7\u00e3o do empreendimento, com a proje\u00e7\u00e3o de lucro representado pelo edif\u00edcio que ali seria erguido. Tamb\u00e9m foi levado em considera\u00e7\u00e3o o fato de a compra e venda e a incorpora\u00e7\u00e3o n\u00e3o terem sido registradas.<\/p>\n<p>Para os desembargadores, uma vez que os propriet\u00e1rios do terreno consentiram com a realiza\u00e7\u00e3o do projeto de forma irregular, inclusive com ampla divulga\u00e7\u00e3o comercial, deveriam responder solidariamente pelos preju\u00edzos causados aos compradores dos im\u00f3veis. O TJRS considerou que haveria rela\u00e7\u00e3o de consumo entre os propriet\u00e1rios do terreno e os compradores das unidades habitacionais.<\/p>\n<p>Em recurso ao STJ, o casal alegou que sua rela\u00e7\u00e3o com a construtora se limitou a uma opera\u00e7\u00e3o de compra e venda e que o pre\u00e7o ajustado seria pago em dinheiro, parceladamente, e n\u00e3o em \u00e1rea constru\u00edda, o que n\u00e3o permite sua caracteriza\u00e7\u00e3o como s\u00f3cios do empreendimento.<\/p>\n<p><strong>Equipara\u00e7\u00e3o indevida<\/strong><\/p>\n<p>O ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, relator, afastou a possibilidade de equipara\u00e7\u00e3o dos vendedores do terreno ao incorporador. Para o ministro, \u201ca caracteriza\u00e7\u00e3o como incorporador pressup\u00f5e a pr\u00e1tica efetiva, pelo propriet\u00e1rio do terreno, de atividade de promo\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o da edifica\u00e7\u00e3o condominial\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o ministro, o tribunal estadual se equivocou ao cobrar dos propriet\u00e1rios do terreno obriga\u00e7\u00f5es impostas pela lei de incorpora\u00e7\u00f5es aos incorporadores, como o registro do projeto.<\/p>\n<p>Salom\u00e3o lembrou precedentes da Quarta Turma no sentido de que a Lei de Incorpora\u00e7\u00f5es (<strong>Lei 4.591\/64<\/strong>) equipara o propriet\u00e1rio do terreno ao incorporador, desde que aquele pratique alguma atividade condizente com a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica incorporativa, atribuindo-lhe, nessa hip\u00f3tese, responsabilidade solid\u00e1ria pelo empreendimento imobili\u00e1rio.<\/p>\n<p>No caso julgado agora, todavia, o casal limitou-se \u00e0 mera aliena\u00e7\u00e3o do terreno para a incorporadora, que tomou para si a responsabilidade exclusiva pela constru\u00e7\u00e3o do empreendimento.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do terreno e a poss\u00edvel proje\u00e7\u00e3o do lucro decorrente da constru\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio, o ministro destacou que a senten\u00e7a, com base em prova pericial, consignou que o contrato de compra e venda foi celebrado de forma l\u00edcita, afastando a tese de simula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ministro Salom\u00e3o tamb\u00e9m refutou a incid\u00eancia do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor na rela\u00e7\u00e3o entre o casal e os compradores das unidades. Para o relator, os propriet\u00e1rios do im\u00f3vel \u201cn\u00e3o ostentam a condi\u00e7\u00e3o de fornecedores\u201d, porque n\u00e3o prestaram nenhum servi\u00e7o nem ofereceram nenhum produto aos clientes da construtora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: STJ &#8211; Superior Tribunal de Justi\u00e7a A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":116,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2110","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2110"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2110\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2111,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2110\/revisions\/2111"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/116"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gerolimich.adv.br\/adv\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}